quarta-feira, 30 de outubro de 2019


Comecei a assistir a uma série chamada “World on fire”. É sobre a 2ª guerra, mas contada do ponto de vista da população e não dos generais. Começa a uma semana da invasão da Polônia e acabará na Batalha da Inglaterra. É uma produção excelente, atores incríveis. Mais uma vez fiquei pensando sobre as guerras e o ser humano. As tragédias pelas quais a humanidade passou (tirando as naturais) foram, sempre causadas por um único homem! Hitler se preparou por um tempo, comendo pelas beiradas para assumir o poder na Alemanha, sendo eleito! Não é só o brasileiro que que faz merda diante de uma urna! Os argentinos entregaram o poder a uma ex-presidente que responde a 7 processos de corrupção. E trouxeram de volta o peronismo cretáceo! Não sou simplista, ou ingênuo, para pensar que Hitler fez tudo sozinho, não seria possível, mas o meu ponto de vista é que o gatilho das grandes desgraças é apenas um homem. César devastou a Gália, entre outras devastações, Alexandre, o grande massacrou povos, Napoleão pôs fogo na Europa e por duas vezes; Lênin mergulhou a Rússia na fase devastadora da escuridão e repressão. Stalin deu uma grande continuidade. Chaves recebeu uma das economias mais prósperas da América Latina e jogou o país na latrina.
Por que o homem faz tudo isso com os homens? Acho que o prazer do poder é muito deletério para a mente. Quando um indivíduo persegue o poder como esses personagens perseguiram todos os outros prazeres ficam em segundo plano. A ausência de outros prazeres desumaniza o indivíduo, o mundo se torna seu inimigo e quem estiver na frente deve ser destruído. Se vocês repararem, a relação entre um invasor e um invadido, é de ódio, do invasor! Isso acontece até em assalto. A violência e a demonstração de ódio que o assaltante tem em relação ao assaltado é de muito ódio e violência. É como se o invadido devesse ficar “orgulhoso” de ser massacrado pelo invasor “ungido”!
Sinto que os humanos ainda têm um caminho muito longo pela frente – e com muita dor.


Por favor, entendam todos os verbos aqui utilizados, metaforicamente.
Entendo que a evolução, por não ter outra solução, criou 2 mecanismos para nos obrigar a fazer o que é preciso fazer. O medo e o prazer. Esses são as únicas coisas que baseiam todos nossos sentimentos e ações. O medo nos manteve vivo nos últimos 100.000 anos, não nos deixando tentar encarar um tigre dente de sabre, se aproximar de um mamute pela frente e outras coisas semelhantes. O prazer é a outra “chantagem” desenvolvida pela evolução para nos manter perenes na Terra. Inventar o sexo sem o prazer, seria inútil. Por que dois indivíduos iriam se aproximar, copular se não tivessem tesão e prazer? Assim, nosso futuro ficou determinado. Tudo que fizemos nos últimos 100 mil anos foi por medo ou por prazer. Não existem outras motivações para nós. Fazemos caridade? É por prazer de ajudar. Fazemos amor, é por prazer de ter prazer! Fazemos um belo trabalho? É por prazer de nos realizar! Ouvimos uma música? É por prazer do diletantismo! Comemos um churrasco? Pelo prazer de saborear! E assim vai. Um dos problemas mais sérios que vejo nas religiões, é que elas tendem a combater o prazer como se fosse pecado. Da Antiguidade para a idade Média, a nudez tornou-se “imoral”. Sexo só para a procriação, pois sexo por prazer é pecado. As religiões introduziram a culpa para ocupar o lugar do prazer. Por que? O prazer não existe somente em situações positivas, o assassino em série tem prazer de matar, o ladrão tem prazer em roubar, o político tem prazer em ser abjeto. Mas existe um outro prazer que é deletério, mas sempre aparece travestido de coisa boa. A consciência narcísica e que somos diferentes. E é aí que as religiões atuam. Vejam, entre 2.000 atletas nas Olimpíadas, os deuses “escolhem” os que vão ganhar o ouro, pelo menos os ganhadores agradecem a eles! (Quem escolhe a prata e o bronze?) Um sujeito passa 18 horas em uma sala de operação, com uma equipe médica enorme e exausta e a família agradece aos deuses o sucesso da operação! Centenas de candidatos ao The Voice e os deuses escolhem o vencedor (ele pelo menos pensa que sim!). É esse o ponto; o narcisismo de se considerar ungido pelos deuses é o que dá prazer ao indivíduo! E, para tornar os diferentes mais diferentes, as religiões precisam usar o narcisismo para dar prazer ao fiel e minimizar todos os outros prazeres. Por isso os fiéis de uma religião tentam “salvar” os fiéis de outra religião e, alguns casos, destruí-los. Um Papa organizou uma Cruzada para exterminar os cátaros porque eles acreditavam que Jesus era humano.
Temos em nossa personalidade trina, um depositário de prazeres e uma região “encarregada” de acessá-los. Existe uma tesoura química capaz de cortar esse acesso. É o que acontece com os deprimidos. O prazer acaba! Nada interessa, às vezes, até mesmo viver! É um efeito colateral da chantagem evolutiva!
Para registro, tive prazer em escrever esse texto e sei que não o compartilharei com todos que lerem, mas, por agora, saciei-me!

sexta-feira, 19 de julho de 2019


Em uma data anterior à memória da Humanidade, surgiram, com o passar do tempo, as condições necessárias para o estabelecimento da vida na Terra. Cursos d'água criaram esculturas, suspensões e daí apareceram os vegetais que se renovando a cada outono nos deram o oxigênio necessário para que os animais chegassem, deixassem os mares e mudassem a História do planeta. Agora, com o Mundo pronto pode surgir o Homem!
Faz parte da construção do futuro pensar sobre ele. E aí a ficção científica entrou em nossas vidas. As dúvidas, os temores de habitar um Universo sem companhia, levou-nos a criar histórias. Em 400 aC, Luciano de Samosata nossa primeira aventura no espaço: Vera História. Nesta obra aparecia uma quase atávica característica: a pulsão de abandonar a realidade e partir para o espaço em busca de um asilo que o silencio, a serenidade e a escuridão do espaço acenam com a promessa de existir.
Mais tarde, no século XVII, Cyrano de Bergerac chegou à Lua com a ajuda de um cinto com frascos de orvalho. Não importa os meios, o Homem sempre tenta deixar seu berço e partir em busca de companhia. Quando a noite chega, nos coloca diante da paz que a visão de um céu estrelado pode proporcionar – entramos em sintonia com o Universo. Precisamos da noite que se aproxima, possuída por um hálito de melancolia e mistério. Pouco a pouco a penumbra ganha terreno dentro da luminosidade do dia e as primeiras estrelas começam a ocupar o seu monótono lugar. O céu toma conta de nossos olhos, preenchendo-os com uma beleza que somente a saudade é capaz de conceber.
Uma vez, diante do Universo, podemos perguntar-lhe nossas dúvidas mais profundas, mais sinceras, podemos nos mostrar a ele, sem temores, até mesmo o de sermos reconhecidos. Ele nos enxerga com os olhos perenes de quem já estava aqui quando chegamos.
Um salto no tempo, mas ainda em nosso passado. Estamos em um dia muito especial na História, estamos na madrugada de 12 de abril de 1961. O local: União Soviética. Está muito frio. Um jovem de 27 anos prepara-se para viajar. Seu nome: luri Gagarin. Sua importância: fora escolhido pelos deuses para ser o primeiro homem a visitá-los em sua morada eterna, o céu. Do alto de um foguete de 40 metros, esperamos, juntamente com Gagarin, que a cápsula chegue à altura de 17.000 metros. Olhemos pela janela! Lá se encontra a Terra! Tão bela, tão tranquila. Alheia a quase tudo o que o homem lhe faz. Gagarin diz: “Vejo a Terra, ela é azul!” Lá de cima, o mais leve dos homens, voou bem alto, desafiou o Sol e o céu e suas asas não se derreteram. O homem saiu do berço!
Nosso caminho se estende mais um pouco. Ficamos diante da mais poderosa máquina que o Homem já construiu, o foguete norte americano Saturno V. Com um peso de três mil toneladas e 110 metros de altura, ele é capaz de desenvolver força capaz de levar três astronautas a uma viagem de 800 mil quilômetros de ida e volta à Lua, durante 7 dias. Após 5 minutos de voo a Apollo 11 já está com uma velocidade de 41 mil quilômetros por hora, escapando, então da atração gravitacional do planeta. Mais 7 minutos e a nave já está em orbita terrestre, preparando-se para o seu lançamento em direção a Lua. Em 99 horas e 42 minutos, os astronautas iniciam o processo para descer em solo lunar. A descida de 455 quilômetros, dura 12 minutos. Uma hora e 56 minutos depois do Modulo Lunar encontrar a superfície da Lua, o pé de Neil Armstrong deixa a primeira marca humana em nosso satélite. O Modulo Lunar pousou na Lua no dia 20 de julho de 1969, por uma ironia, era aniversário de Santos Dumont! Já faz muito tempo que o Homem instalou uma base lunar a sudoeste do Mar das Crises e ao norte do Mar da Fecundidade.
A imensidão do espaço vai sendo diluída pela proximidade do nascer do dia. O Sol vai iluminando a escuridão trazendo, mais uma vez, sua luz e seu calor para os homens. A Humanidade cresce, rejubila-se com a vida marcando a Terra com sua presença, o espaço com suas viagens e o Universo com seus anseios...
O amanhecer nos recorda o tempo em que houve o primeiro amanhecer da Terra, quando o ar se tornou respirável e o solo cultivável. Foi quando o palco ficou pronto enquanto os atores esperavam em algum lugar o momento certo de entrar em cena...
A trilha do Homem, no saber ainda está no início. Houve um dia em que nada havia além de um dado gás. As estrelas ainda não habitavam o conhecido. Era uma época em que não havia, nem sob a forma de esperança, a existência do Homem. Era uma época, de tão remota, impossível de ser definida, porque preexistiu a existência das palavras. Como as coisas mudaram é um vasto mistério. Alguns acham que um dia, cansado de uma solidão infinita, um ser divino e habitante do Nada, gritou ao vácuo:
– Fiat Lux.
E a luz foi feita...

terça-feira, 12 de março de 2019

Cor? O que é isso?


Todos sabem da existência do espectro eletromagnético. É o conjunto, contínuo, de todas as frequências que existem. Vai do raio gama até à onda de rádio. Nosso sistema neurológico desenvolveu a capacidade de nos informar quais são as frequências que estão chegando em nossas retinas por meio de um artifício: as cores. Nosso sistema ótico capta uma faixa extremamente pequena do espectro inteiro. É igual a um rádio. Se chega a frequência de 90,5, ouvimos a band News, se for a frequência de 95,3, ouvimos a CBN. Se chega a frequência de 450 THz “vemos” vermelho, se chega a frequência de 550 THz, vemos verde. As cores nada mais são do que um subterfúgio que a evolução nos deu para “sabermos” quais as frequências que estamos recebendo. Consequência direta disso? As cores NÃO existem no Universo, somente em nossas mentes. O Universo é binário, energia/não energia, a esse código binário, “vemos” branco/preto. O Universo não tem cor, só o Mundo tem, posto que estamos nele. Quando o último humano desaparecer, o Universo se mostrará como é – sem cor. Se nós um dia pousarmos em um planeta cuja estrela emita apenas ondas de rádio, por exemplo, não enxergaremos nada! Diremos que o planeta é escuro, para seus habitantes, com outro sistema nervoso, será lindo, quem sabe, flicks! Percebem? Nos matamos há séculos por cores que sequer existem! O que nos marca é o caráter, esse é firme seja qual seja a frequência que o ilumine!

Perpetuação do passado


Na tradição oral faz-se necessário ressaltar a criatividade das sociedades ágrafas em buscar uma solução para que as regras religiosas, políticas, sociais, legais fossem passadas de geração para geração sem que sofressem deformações inerentes à falta de registro escrito. O conteúdo a ser transmitido não deveria ser modificado pelo narrador e a única forma de “guardar” informação era na memória do povo. A solução foi simples e genial: metrificar a narrativa. Se os conteúdos fossem metrificados, a linguagem regida pelo ritmo poderia ser repetida de forma praticamente invariável. Assim foi inventado o poema! Logo a seguir o ritmo das narrativas foi associado à dança e aos instrumentos musicais. Os gregos pré-helênicos – ágrafos – chamavam essa associação, narrativa poética, dança e instrumentos musicais, de mousike, que significa “fixar o espírito sobre uma ideia ou sobre uma arte”.
Foi assim que nasceu a música com letra, como nós conhecemos. Hoje assisti, novamente, 2 grandes filmes. “Cantando na chuva” e “My fair lady”. Adoro as músicas. Adoro música, acho que é uma das mais importantes conquistas culturais da Humanidade. A música tem poderes só delas; nos fazem viajar no tempo e no espaço. Lembro da 1ª música que a minha mulher e eu dividimos. Foi na festa onde nos conhecemos e, um nos braços do outro, pude sentir, pela primeira vez que tinha achado. Essa sensação só retorna a nós pelas lembranças e pela música. Tenho certeza que a música nos distingue, nos ajuda a construir, nos permite criar; e, depois, nos devolve tudo por meio de uma saudade boa! Espero que se existir vida fora da Terra, eles tenham construído a música. Lembro de um episódio da Jornada nas Estrelas Voyager, quando os tripulantes encontram uma sociedade bem avançada, mas que não conhecia a música. O encanto deles ao ouvi-la foi inesquecível. Sei que a música é algo muito especial, como sei? Os pássaros não cantam?

Não somos vira latas!


Estive pensando na relatividade das coisas. Um bebê é pequenino para nós, mas é gigante para uma formiga; nós somos grandes, mas perto de uma baleia azul somos anões; a Terra é enorme para um viajante, mas é pequenina para o Sol. O Sol é uma estrela enorme para nós, mas é anã para Aldebarã; uma formiga é pequena para um bebê, mas é gigante para uma bactéria, que é gigante para um vírus, que é gigante para um nêutron, que é gigante para um quark. Para o outro lado é a mesma coisa, nosso sistema planetário é gigantesco para um astronauta, mas é um ponto para nossa galáxia; que, por sua vez é muito pequena para o Universo. A maior coisa que conhecemos é o Universo e a menor é um quark. Nós? Somos prisioneiros entre duas infinitudes! É muito bom saber disso, porque relativiza nosso relacionamento com os pequenos, mostrando que no topo da pirâmide está o Universo. Nunca vi um quark. Nunca vi o Universo. O bom é que posso pensar nos dois e descobrir que tenho o pequeno em mim e que faço parte do grande!

O Homo é verdadeiramente sapiens?


Uma das coisas mais complexas para entendermos é o comportamento humano. Acho que o fato de sermos humanos nos “embaça” a compreensão do que fazemos a nós, aos outros e, principalmente, a nossos filhos. Tenho, também, a convicção que quase a totalidade de nossas ações tem por raiz uma mutação ocorrida no australopiteco, no Homo habilis, no Homo erectus até chegar em nós, Homo sapiens(??). Comportamento de hoje, nem sempre desejáveis, já foram fundamentais para a perpetuação da espécie, por meio da perpetuação do indivíduo. E aí é que mora a questão fundamental. Naquelas épocas, para que a espécie pudesse ser perpetuada, cada indivíduo tinha que se perpetuar (passar seus genes adiante).
Pausa 1: Na Mitologia grega, Hibris é uma violência, uma insolência, uma ultrapassagem do metron (quando um homem se compara ao divino), daí o sentido de orgulho, arrebatamento, exaltação de si mesmo.
Pausa 2: Outro personagem da mitologia que me interessa neste post é Narciso, filho de um deus com uma ninfa, Narciso nasceu como o mais belo dos helenos; era difícil entender como poderia existir um menino tão belo. Para os gregos, a beleza dos mortais sempre assustava porque ela (a beleza) facilmente arrasta o ser humano em direção à Hibris.
Voltemos à Idade da Pedra. As comunidades humanas deviam se proteger em cavernas (minha caverna minha vida!) e o grupo que lá estava precisava comer. Havia divisão de tarefas baseando-se puramente na força física, não no intelecto. Os homens iam para a caça e as mulheres catavam, colhiam e alimentavam a cria. Quando os homens voltavam com a carne (não tinha geladeira!) dividiam e comiam tudo que era possível aguentar, porque a caça era difícil. Pausa 3: a necessidade de comer além do necessário era uma questão de vida ou morte, mas pode ter dado origem a nossa obesidade moderna. Os melhores caçadores tinham mais chance de propagar seus genes. Deviam se orgulhar disso e deviam “se achar”. As pinturas rupestres indicam que havia rituais antes das caçadas. Os deuses da caça eram “chamados” a ajudar e aquele que era o melhor caçador se achava tocado pelo deus. Iguais aos que vencem a Olimpíada, um jogo de futebol ou o The Voice. Foi deus que os escolheu. Viram? Hibris e Narciso não nos deixam, desde daquela época.
Durante a Idade Média as famílias queriam muitos filhos para ter mão de obra. Até o início do século XX as crianças não tinham voz nem espaço. Hoje as pessoas não caçam, mas compram. Não fazem artefatos ou ferramentas bem feitas, mas filhos lindos e maravilhosos que não podem ser contrariados nem ouvirem um não. Hoje, muitos pais criam Hibris, posto que se tornaram Narcisos.

O Universo somos nós


A História da Astronomia confunde-se com a história do desenvolver do intelecto humano. Enquanto o homem primitivo temia e observava o céu estrelado estava se iniciando uma das mais antigas preocupações científicas: o que seriam aquelas intrigantes luzes que vagavam por cima de suas cabeças? Praticamente todos os povos notaram que algumas luzes se deslocavam em relação ao fundo de céu. A postura deles diante desse fato é que se tornou peculiar. Alguns deram, a eles, o status de deuses e outros não passaram da constatação do fato, foi quando surgiram as diferenças entre religião e ciência. Nunca saberemos qual foi o momento em que algum homo (já sapiens?) fez a pergunta fundamental: “O que são aquelas luzes?”
Provavelmente não teria sido possível fazer a pergunta no sentido lato, pois, é provável, que esse dia tenha precedido a existência das palavras. A pergunta era, em essência, a manifestação primeva da vontade de saber – o anátema dos seres inteligentes –, mas, em potência, estava fundada a ciência.
As noites, duradoras e perigosas, eram expulsas pelas auroras a um intervalo de tempo regular. As estrelas “apagavam” e surgia uma grande bola de luz que, evidentemente, era também fonte de calor. Passeando entre as estrelas, vinha a Lua que se metamorfoseava em diversos “rostos” seguida por um séquito de pequeninas luzes que dançavam em seu caminho. Com certeza as estrelas testemunharam o surgimento do Homo e de seus processos cognitivos.
Muito tempo passou desde a primeira manifestação de curiosidade, tempo o suficiente para que o homem aprendesse que as estrelas não são fixas e que as pequenas luzes não são deuses. Tempo o suficiente para que a espécie sentisse saudade do tempo que éramos estrelas. Hoje sabemos que de lá viemos, por isso seu chamado é tão forte. Carregamos em nosso âmago a imensa nostalgia do Big Bang, a eterna presença de um ausente. Cada peça existente no Universo seja estrela, planeta, homem, planta ou átomo, traz, em si, a mesma essência. Somos, em essência, a Grande Explosão e em potência... o Universo!

Nós e a raposa


Quando eu era aluno do antigo ginásio no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro estudava latim – acho que o Pedro II era o único colégio que mantinha o latim em sua grade de ensino. O ano era 1966. O tempo passou e a memória conservou a imagem ilustrativa de um capítulo do livro na qual havia uma raposa olhando de perto uma máscara de tragédia – a personam tragicam.
A raposa se deslumbra com a beleza da máscara, fala com ela e não recebe resposta, então a pega e percebe: “Ò quanta beleza, mas não tem cérebro”.
É o anátema da aparência sem conteúdo. Muitas pessoas, objetos, fatos e interpretações têm somente aparência, uma pequena, mas eficaz análise mostra-nos que seus conteúdos são frívolos.
A Astronomia passou por sua fase de personam tragicam quando os homens admiravam o céu, deslumbravam-se com os eclipses, temiam os cometas e achavam que seus conteúdos eram divinos. Cada astro no céu já foi um deus e as manifestações meteorológicas eram ações daqueles deuses. Pouco a pouco os homens foram organizando o conhecimento, aprendendo a retirar um deus e a colocar uma informação em cada ponto do céu, assim o Mundo tornou-se uma personam tragicam diferente de todas, pois agora mostrava toda sua beleza e possuía conteúdo, o observador se imiscuiu com o observado – humanizou o Mundo e universalizou o homem.


Claros e escuros


A História da Astronomia confunde-se com a história do desenvolver do intelecto humano. Enquanto o homem primitivo temia e observava o céu estrelado estava se iniciando uma das mais antigas preocupações científicas: o que seriam aquelas intrigantes luzes que vagavam por cima de suas cabeças? Praticamente todos os povos notaram que algumas luzes se deslocavam em relação ao fundo de céu. A postura deles diante desse fato é que se tornou peculiar. Alguns deram, a eles, o status de deuses e outros não passaram da constatação do fato, foi quando surgiram as diferenças entre religião e ciência. Nunca saberemos qual foi o momento em que algum homo (já sapiens?) fez a pergunta fundamental: “O que são aquelas luzes?”
Provavelmente não teria sido possível fazer a pergunta no sentido lato, pois, é provável, que esse dia tenha precedido a existência das palavras. A pergunta era, em essência, a manifestação primeva da vontade de saber – o anátema dos seres inteligentes –, mas, em potência, estava fundada a ciência.
As noites, duradoras e perigosas, eram expulsas pelas auroras a um intervalo de tempo regular. As estrelas “apagavam” e surgia uma grande bola de luz que, evidentemente, era também fonte de calor. Passeando entre as estrelas, vinha a Lua que se metamorfoseava em diversos “rostos” seguida por um séquito de pequeninas luzes que dançavam em seu caminho. Com certeza as estrelas testemunharam o surgimento do Homo e de seus processos cognitivos.
Muito tempo passou desde a primeira manifestação de curiosidade, tempo o suficiente para que o homem aprendesse que as estrelas não são fixas e que as pequenas luzes não são deuses. Tempo o suficiente para que a espécie sentisse saudade do tempo que éramos estrelas. Hoje sabemos que de lá viemos, por isso seu chamado é tão forte. Carregamos em nosso âmago a imensa nostalgia do Big Bang, a eterna presença de um ausente. Cada peça existente no Universo seja estrela, planeta, homem, planta ou átomo, traz, em si, a mesma essência. Somos, em essência, a Grande Explosão e em potência... o Universo!

sexta-feira, 8 de março de 2019


Acabei de assistir ao primeiro episódio da 3ª temporada da série inglesa “Victoria”, que conta a vida da rainha Vitória. Série muito boa, inicia esse episódio em 1848, na França, mostrando a saída do rei Luis Felipe que abdicou diante da revolta popular que se estabeleceu naquele país. Voltei a pensar sobre as monarquias. Voltei a sentir um profundo desprezo por esse regime de governo. Voltei a acreditar que nunca nos livramos da essência da monarquia mesmo em regimes republicanos ou ditatoriais. Parece que os humanos são “chegados” a criar elites, sejam pela genética (argh!) seja pela urna, seja pelos rifles. Podemos perceber que os “nobres” existem em qualquer regime e, mais bizarro, os povos parecem aceitar que existem indivíduos que merecem tratamentos desiguais. Não é o brasileiro que tem complexo de vira-lata, mas a humanidade é que se acha vira-lata. Um lacaio “sabe” que seu amo é superior; um súdito “sabe” que seu soberano é superior; um empregado “sabe” que seu patrão é superior; um eleitor “sabe” que seu político é superior. Mas não os esquimós. Esse povo não tem tribos ou chefes, suas leis são consuetudinárias, sua estrutura social baseia-se na família. Cada um sabe seu papel. Não há elite entre eles. Na minha ignorância, esse é o único povo (contemporâneo) que tem tal estrutura social. Consequência? Os esquimós, apesar de viverem em terras ao norte do Alasca, do Canadá e na Groelândia, não são cidadãos dessas nações, são independentes. Não têm cultos nem orações. E aí? São extremamente pacíficos. Não lutam por terra, por poder, por riqueza ou por deuses. É, no meu entender, o mais puro exemplo do anarquismo – um povo sem governo. Não sou inocente o suficiente para acreditar que os países poderiam assumir essa forma de não-governo; os tamanhos das “tribos” são fundamentais para retirar dos indivíduos, o direito à liberdade. Somente temos “liberdade para”. Para ir e vir, os cubanos não. Para nos alimentar, os venezuelanos não. Para pensar, os soviéticos não tinham. Para xingar o presidente, os norte coreanos não. E assim vai. Podemos ser judeus, cristãos ou maometanos, desde que bem longe uns dos outros. A História está à disposição de quem quiser contestar essa minha última frase! Somente os ateus foram perseguidos por todos e não perseguiram ninguém. Alguém aí já ouviu falar em guerra ateia? Mas guerra santa já!
Uma imagem que pode ser simplista, mas é forte: pensem na revolução industrial que houve na Inglaterra e se espalhou pelo Mundo. Os empresários, ricos e produtivos, que emergiram dela eram plebeus, uma vez que a única coisa que os nobres sabem fazer dentro de sua infinita inutilidade, é herdeiros infinitamente inúteis.

Nós e os símbolos

Os símbolos nacionais são ícones que representam uma dada parte da área da Terra e a respectiva parcela de humanos que a habita – um país e seu povo (e, claro, um estado, um município, uma empresa...). Por que, então, os símbolos nacionais são tão desprezados, atacados e ridicularizados aqui no Brasil? Em primeiro lugar não reconhecemos nossos símbolos porque não nos sentimos um povo, portanto não somos uma Nação, passamos perto de um país. Nosso hino nacional, sem dúvida, o segundo mais bonito do Mundo, posto que o primeiro, reconheço, é a Marselhesa, consegue mexer com nossos corações quando tocado em estádios de futebol ou olímpicos, mas, nas escolas, tem educadores que acham um absurdo, assim como a mídia. Acham mesmo? É evidente que não! As críticas vêm de uma característica humana, cebolório. Por que? Porque é preciso que seja assim. Para vingar, o primeiro passo da esquerda deve ser desmontar o nacionalismo para inculcar uma ideologia. A esquerda é delirante e tem, por utopia, conquistar o mundo. Assim que um “caudilho déspota” (perdoem o pleonasmo, mas aqui é um reforço semântico) senta-se no trono, muda as cores da bandeira. Aconteceu com a China, com a União Soviética e outros países. O ponto aqui discutido é que o símbolo “nacional” deixa de representar o povo e passa a representar a ideologia. Alguém aqui sabe como era a bandeira da Alemanha durante o nazismo? Só nos lembramos da bandeira com a suástica, a ideologia. As ideologias, assim como as religiões têm a “pulsão” de se expandir. Os governos de esquerda são expansionistas. O Maduro e o índio bobão da Bolívia querem uma América do Sul bolivariana! A Rússia quis a (des)União Soviética, mas pensem em Cuba. O Fidel nunca teve a pretensão de expansão de território e, assim, foi a única ditadura de esquerda que não mudou a Bandeira! Ela data de 1850!
Entendo ser esse o motivo hipócrita e torpe das críticas de se cantar o Hino Nacional nas escolas, vai que as crianças gostem!!! Vai que as crianças comecem a perceber que o chão que elas pisam foi pavimentado com sangue e suor de trabalhadores compulsórios ou não. Vai que uma criança negra se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu sangue e seu trabalho para ajudar a construir essa terra. Vai que uma criança indígena se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu sangue e seu trabalho para resistir a colonos prepotentes que só queriam extrair, sem construir. Vai que uma criança de origem italiana, ou portuguesa, (como eu!) se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu trabalho para resistir à fome que se alastrava em uma Europa ferida de morte!
Eles não querem correr esse risco, o sentimento de ligação com a terra é o “antídoto” para curar essas ideologias irreais, preconceituosas, imaturas, mentirosas que tanto fascinam alguns universitários e educadores que, certamente, não cantaram o Hino na escola primária!

Para que servem as regras?

Semana passada estava assistindo a um episódio de um seriado e estava havendo um julgamento. O réu era inocente, mas as evidências eram desfavoráveis. A advogada conseguiu uma prova irrefutável da inocência do réu após a fase de apresentação das testemunhas. Ela disse à juíza que havia conseguido a prova definitiva que o assassino era outra pessoa. A juíza disse que não podia deixar apresentar a prova, pois havia passado a fase das testemunhas. Era a regra! Regra! Em um tribunal de júri as regras diziam que não se poderiam soltar um réu inocente. A advogada descumpriu as regras e falou para o júri o que sabia. A juíza mandou prender a advogada! Onde já se viu libertar um réu inocente?
Fiquei pensando em regras. É claro que as regras são feitas para a maioria, são idealizadas para atender à média dos acontecidos. Por isso um juiz, assim como, um outro agente público tem o poder discricionário, para poder adotar nos limites da lei, a solução mais adequada no interesse público. Será que soltar um inocente não é de interesse público? Há casos, nos quais, a ação fica inteiramente vinculada à lei e o agente não pode dela se afastar, mas no caso acima descrito não se trata de uma regra definida pelo poder vinculado e existe a discricionariedade. Assim o que me vem à mente é que em um tribunal de júri ninguém está interessado em fazer justiça! Somente o réu inocente, pois se for culpado também ele não quer justiça. O promotor quer aumentar suas estatísticas de condenações; o advogado de defesa que aumentar seus futuros honorários por soltar qualquer cliente; o juiz quer simplesmente obedecer às regras; os jurados querem que aquela “chatice” acabe para irem embora. É um palco onde não muita expectativa de justiça. Não afirmo que todos os julgamentos são injustos, claro que a tese não é essa, mas acho que cada caso deveria ser um caso. Mais senso de justiça e menos estatísticas, sabemos desde Cícero que “justiça extrema é injustiça”.
Aprendi, lá nos anos 1960, com Kahlil Gibran, que “Um juiz deve julgar com o que houve, não com o que ouve”.

Momento de decisões

Entendo que a Humanidade se encontra em uma encruzilhada. A leitura da História não nos permite sermos muito otimistas em relação à evolução das sociedades. Nosso caminho, nossa trajetória no tempo mostrou, sem sombra de dúvida, que somos uma espécie bizarra. Somos capazes de doar um rim para uma pessoa e somos capazes de arrancá-lo de outra. Aquela professora (Helley de Abreu Silva Batista) que morreu salvando crianças no incêndio da creche em Minas Gerais não é sequer citada por feministas, por ativistas, por grupos de direitos humanos e nem por nós mesmos! Até a Escola de Samba que desfilou em nome dos heróis anônimos não se lembrou dela! A pedestre que participou do salvamento do motorista do caminhão atingido pelo helicóptero que vitimou o Boechat e seu piloto, lembram dela? Abrindo caminho com as próprias mãos. Chama-se Leiliane Rafael da Silva. Saiu na avenida? Não. Essas não têm espaço. Assim é a vida que construímos, nos falta empatia. Ou talvez não falte empatia, o que falta é um alvo certo para ela. A empatia é definida como sendo a capacidade para “sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. Nos dias atuais mudamos de alvo, não mais nos identificamos com as pessoas, mas, antes de tudo, com os personagens das pessoas. É o culto à Personam tragicam. Assim, ao invés de nos colocarmos no lugar de alguém, buscamos o LUGAR desse alguém. Sentimos pela Beyoncé, pelo Neymar, pela Anita e outros tantos, mas não temos “tempo” para as dores do mundo que está a nossa volta. Havia, na Grécia Antiga um deus que era um menino. Travesso e inocente, jamais cresceu – afinal o ‘lógos’ é incompatível com o amor! Eros (o deus) significava a pulsão do Amor, força que impele a existência a tornar-se ação. E aqui repousa uma importante característica do amor, ele necessita um contato com o Outro, o que pode provocar choques e comoções. O amor objetiva o indivíduo, a empatia objetiva o coletivo. Sinto que o Mundo está perdendo os dois!
Aqui preciso lançar mão de uma palavra da língua alemã: Weltschmerz, que significa: cansaço do mundo. Que pena


Reflexões sobre um tempo ido
Entendo a Mitologia grega com uma grande metáfora do Universo, dos homens e das sociedades; apresentando-nos os caminhos da criação; de nossas virtudes; de nossas mazelas, enfim; de Tudo. Dentre os gregos, gosto muito de Platão; em Platão gosto muito do Crítias (no qual é revelado o mito de Atlântida) e o Banquete, no qual podemos ver o mito do andrógino. Platão nos conta que no princípio haviam 3 gêneros: masculino (descendente do Sol), feminino (descendente da terra) e o andrógino (descendente da Lua, pois possuía as duas características) [Preciso fazer uma pausa para enaltecer a percepção grega de que a Lua possuía as duas características, é sensacional. Fim da pausa]. O andrógino era como se fosse um homem e uma mulher colados; duas cabeças, 4 pernas, 4 braços, 2 genitálias e tudo o mais. Os andróginos, dotados de grande força e vigor, ficaram presunçosos, tendo, então, se virado contra os deuses, desafiando-os. Após uma deliberação no Olimpo, Zeus decidiu que iria cortar os andróginos em dois. Enfraquece-los. Assim o fez. Separados ficaram mais fracos e não mais desafiaram os deuses. Zeus cortava um andrógino e o passava a Apolo que virava suas cabeças para frente – para admirarem sua mutilação – e fechava o ventre, então aberto, com uma única cicatriz no meio do ventre (origem do umbigo). O homem e a mulher, agora separados buscavam-se para se unir. Zeus compadeceu-se e transferiu suas genitálias para frente, permitindo que durante alguns instantes os dois voltassem ao todo! E aí, somente aí, eram capazes de criar! Como os homens e as mulheres era um todo, é, portanto, o desejo e a procura do todo que se dá o nome de amor.
Por isso homens e mulheres são diferentes. São partes, se fossemos iguais não seríamos partes seríamos já um todo e nada teríamos que procurar no Outro.
Viva as diferenças, lutemos pela equidade!



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vulpes ad Personam Tragicam
Não parece provável que o avô de alguém tenha sido do tamanho de um ovo ou de uma cabeça de alfinete; que folhas comam luz; que baleias cantem um coro no fundo do oceano; que, quando olhamos uma estrela distante estejamos vendo o passado; no entanto, todas estas coisas são fatos, são reais.
Úrsula Le Guin
Quando eu era aluno do antigo ginásio no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro estudava latim – acho que o Pedro II era o único colégio que mantinha o latim em sua grade de ensino. O ano era 1966. O tempo passou e a memória conservou a imagem ilustrativa de um capítulo do livro na qual havia uma raposa olhando de perto uma máscara de tragédia – a personam tragicam.
A raposa se deslumbra com a beleza da máscara, fala com ela e não recebe resposta, então a pega e percebe: “Ò quanta beleza, mas não tem cérebro”.
É o anátema da aparência sem conteúdo. Muitas pessoas, objetos, fatos e interpretações têm somente aparência, uma pequena, mas eficaz análise mostra-nos que seus conteúdos são frívolos.
A Astronomia passou por sua fase de personam tragicam quando os homens admiravam o céu, deslumbravam-se com os eclipses, temiam os cometas e achavam que seus conteúdos eram divinos. Cada astro no céu já foi um deus e as manifestações meteorológicas eram ações daqueles deuses. Pouco a pouco os homens foram organizando o conhecimento, aprendendo a retirar um deus e a colocar uma informação em cada ponto do céu, assim o Mundo tornou-se uma personam tragicam diferente de todas, pois agora mostrava toda sua beleza e possuía conteúdo, o observador se imiscuiu com o observado – humanizou o Mundo e universalizou o homem.
Se o observador e o objeto são totalmente estranhos, se eles não dispõem nada em comum, então este objeto se encerra em sua opacidade, permanece refratário à indagação e à própria indiferença (aquilo pela qual o outro se constitui como tal), se torna ininteligível. O conceito de objetividade, então, assume um valor problemático, não mais assinala apenas uma censura, uma distância, porém ainda uma reciprocidade, uma solidariedade entre o observador e o observado; dá lugar ao paradoxo de um objeto que é objetivamente muito distante e subjetivamente muito concreto, é uma verdade que se coloca na intersecção de duas subjetividades (Lévi-Strauss, 1970).
Na trajetória na direção da obtenção do conteúdo para as aparências, a ciência passa por momentos bastante conturbados. Discute-se a existência do bóson de Higgs e se Plutão volta a ser chamado de planeta!
Lembremos Sartre:
(A imagem) não pode entrar na corrente da consciência a não ser que ela própria seja síntese e não elemento. Não há, não poderia haver imagens na consciência. A imagem é um ato e não uma coisa. A imagem é a consciência de alguma coisa (Sartre, 1978, p.107).
Aparentemente a bela imagem de Plutão e Caronte é apenas isso – bela. Mas não é assim, precisamos ver o âmago das necessidades da ciência e, uma das principais, é a eficiência da linguagem utilizada. Quando um cientista diz que dado líquido está a 76 ºC, todo e qualquer cientista em qualquer lugar do Universo sabe o que ele está falando, agora se alguém disser: “as mudas chegaram”, nunca saberemos se chegaram mulheres que não falam ou plantinhas!
No discurso científico deve haver sempre a preocupação de ser claro. A ambigüidade diminui a quantidade de informação que deve ser transmitida, ou pior, deturpa-a.
Uma notícia publicada em um jornal paulista de circulação nacional dizia:
(...) uma Portaria de dezembro de 1991, do Juizado de Menores (...) proíbe os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a companhia ou autorização dos pais.
É óbvio que a companhia ou autorização dos pais é para ir aos rodeios e não aos motéis! A construção do parágrafo ficou obscura e o leitor ficou sem saber se o jornal se expressou mal ou se o juiz enlouqueceu.
Agora que chegamos ao consenso de que a linguagem científica deve ser clara e não ambígua[1] devemos ir até ao próximo patamar que é a análise da participação do observador no observado.
Quem observa o observador?
Um observador é aquele que observa, aquele que cumpre uma regra, aquele que estuda certos fenômenos, aquele que olha. Isso tudo quando a palavra ‘observador’ é um adjetivo, mas quando é substantivo, observador é
1 O indivíduo considerado relativamente ao ponto do Universo que ocupa e aos fenômenos que se passam em redor dele. 2 O que tem a seu cargo fazer observações científicas. 3 O que comparece a uma reunião internacional para conhecer das discussões, sem direito de palavra nem de voto (Dicionário Michaellis eletrônico).
O grande desafio dos cientistas é passar da definição 3 para a definição 2. Um leigo assiste a discussão, um especialista assiste à discussão! A posição do observador, em Astronomia, muda ao longo do tempo, tendo começado como “aquele que observa” no dia em que um “macaquinho” mais esperto olhou para o céu e ficou deslumbrado; até os dias atuais quando sabemos que o ato de observar influencia (e transforma!) o observado.
Os astrônomos não podem prescindir da conscientização de que a única ferramenta que está a nossa disposição é a observação. A Astronomia não pode realizar experimentos, quem os faz é o Universo, nós... observamos, e nunca temos direito a voto!
Os astrônomos medem o céu, mas devemos ter em mente que medir é algo tão passivo quanto meramente observar, uma vez que não medimos o que é, medimos o que vemos.[2]
Essa questão introduz uma antiga polêmica sobre o real e o observado. Qual é a interface entre esses dois conceitos? O Universo é uma entidade quadrimensional que se expande a partir do Big Bang em todas as direções, mas (e aqui há um grande mas!) o Universo observável – literalmente aquele que enxergamos – é esférico e geocêntrico, pelo simples fato de que observamos o Universo real a partir da Terra, e o fazemos em todas as direções gerando, assim, um Universo esférico cujo raio é do tamanho de nossa tecnologia.
A consciência de que temos acesso a uma interface que não sabemos quão representativa é da realidade, leva-nos a questionar o conteúdo científico de nosso “saber sabido”, mas a consciência de que somente teremos acesso a essa interface, com essa característica, leva-nos a buscar o “saber a ser sabido” – é a clareza sobre o passado que nos leva procurar no futuro.
Pergunta 1: Procurar como?
Pergunta 2: Procurar onde?
Pergunta 3: Procurar porque?
Resposta 1: Remexendo em casas de maribondos.
Resposta 2: Nos mitos e em nossas mentes.
Resposta 3: Por que procuramos alguma coisa? Para achá-la!
Marimbondos
Aristóteles tinha por princípio que a dúvida é o início da sabedoria e isso é um fato inegável, pois somente uma dúvida leva alguém a procurar respostas. Será que como corolário temos que se o homem um dia souber tudo, não tendo mais dúvidas, deixará sua própria condição humana? Será que o Universo reservou para nós a fina ironia de que se o Homo sapiens souber... deixa de ser Homo?
As buscas sempre envolvem remexer em alguma coisa. Em ciência essa alguma coisa é, geralmente, um conceito. Como disse Bachelard “o conhecimento científico é sempre a reforma de uma ilusão”[3]. Já fomos iludidos pelo Geocentrismo, pela natureza atmosférica dos cometas, pela perfeição dos deuses e dos políticos...
Discutindo esse tema não é possível evitar a questão da realidade. O que é real? É o que vemos? É o que percebemos? Percebemos o real?
A relação do observador com o observado é um dos marimbondos mais venenosos que podemos encontrar. Por uma questão puramente didática, vamos chamar de Universo, tudo que existe, e de Mundo tudo que observamos. O Universo existe há cerca de 17 bilhões de anos, portanto muito antes de surgimos na Terra, mas o Mundo surgiu conosco, dura o tempo de nossas vidas e deixa de existir quando morremos. Isso significa que existem tantos Mundos quanto pessoas. Isso porque Mundo é um conceito e não uma coisa em si. O Universo prescinde do Mundo, mas a recíproca não é verdadeira.
É preciso ressaltar que não estamos defendendo aqui uma visão solipsista[4], longe disso. A definição de Mundo aqui apresentada é a de que cada pessoa vê o Universo com seus olhos, com sua miopia, com sua experiência anterior.
Deve-se lembrar que a linguagem humana permite formar proposições de que não se pode tirar nenhuma conseqüência, proposições que são, para dizer a verdade, completamente vazias de substância, embora produza em nossa imaginação uma espécie de imagem. Por exemplo, a afirmação de que pode existir, ao lado do nosso, outro Universo sem ter por princípio nenhuma relação com ele, não leva a consequência alguma, mas faz nascer em nosso espírito uma espécie de imagem. Evidentemente tal proposição não pode ser confirmada nem infirmada. Deve-se ser particularmente circunspecto no emprego do termo na realidade, pois conduz com muita facilidade a afirmações do gênero desta de que acabamos de falar (Heiseberg apud Bachelar, 1978, p. 153).
O termo realidade sempre esteve presente nas preocupações dos cientistas, principalmente dos astrônomos, pois o papel da Astronomia é montar um modelo do Universo partindo do Mundo.
Aqui ressalto dois trechos escritos por John Broockman (1941- ):
O homem cria instrumentos e depois se molda à imagem deles. A realidade é fabricada pelo homem. O Universo é uma invenção, uma metáfora (Broockman, 1988, p. 11).
Mais adiante:
Seja qual for a linguagem descritiva a que tenhamos chegado, o compreender a realidade torna-se a realidade. Não dizemos que o coração parece uma bomba, mas que ele é uma bomba (Broockman, 1988, p. 11).
Mitos e mentes
O exercício de pensar o Mundo desenvolve-se paralelamente à saga humana no planeta. Pensar o Mundo significa tentar explicá-lo, buscar compreender seu sentido. Existem várias formas para objetivarmos este fim. É neste momento do pensar que surgem os vários conceitos de verdade.
Uma das dimensões de sentido desta palavra sugere a idéia de fato consumado, terminado. Quando tratamos de ciência é preciso ter a mente em alerta para o fato de que a verdade pode ter outros significados além dos que são utilizados, por exemplo, ao lidarmos com os mitos. Não se pode argumentar diante de um mito. É algo terminado. Um conceito científico precisa conter a probabilidade de não ser eterno.
Uma importante característica do cientista é poder conscientizar-se da existência de dúvidas, é poder ficar perplexo diante do Universo.
Inúmeras vezes a ciência é cobrada para dar respostas. Aos cientistas, exige-se o saber! No entanto é importante poder dizer “não sei”! Como é importante poder ficar perplexo diante de uma maçã que cai, diante da vida que há em uma gota d’água, diante de uma estrela que brilha mais do que as outras. Fazer ciência é ter dúvidas, é experimentar o êxtase de procurar, é entronizar Dioniso.
Com base no saber copernicano, ficamos definitivamente derrotados, do ponto de vista do orgulho e da prepotência, mas demos um salto em direção a nos identificarmos como cidadãos do Cosmo! O Universo não foi feito para nós – e por nós – mas no Mundo temos um lugar marcado. Podemos nos identificar como parte integrante e não mais como a razão da existência. O que impulsionou tais concretizações foi poder perguntar, desconfiar e expor nossas dúvidas.
Nossos conceitos de verdade tiveram de ser revistos. Verdade é um limite, o limite do conhecimento quando os dados tendem para o real. O Geocentrismo já foi uma verdade, assim como a geração espontânea da vida também o foi. Quando um cientista fala sobre seu objeto de estudo, seu discurso parece conter sempre verdades. A rigor, o discurso científico é permeado de premissas de fatos que surgem – e soam – como verdades. É apenas uma forma, um método de poder transmitir conceitos para que a própria ciência possa seguir seu caminho. É preciso fazer a separação entre as pretensões da ciência e as dos cientistas.
Para incrementar nosso “rol” de problemas temos as restrições da linguagem.[5] O lingüista Benjamin Lee Whorf (1897-1941)[6] afirmou que é impossível um indivíduo fazer uma descrição imparcial da realidade por ser incapaz de contornar as restrições da linguagem.[7]
Tudo indica que a realidade transcende nossa capacidade de falar sobre ela.
A ciência não deve ter a expectativa (do cientista) de descrever o real. Seus métodos consistem em aproximações sucessivas que tendem montar uma imagem, uma versão do real.
Fazer ciência é tentar manipular o anárquico, ordenar o caos, sofrer por não conseguir, mas regozijar-se por ter tentado.
A busca
O homem desenvolve seu conhecimento por força dos limites. O infinitamente pequeno “ativou” a Mecânica Quântica, o infinitamente grande “ativou” a Cosmologia, o muito rápido “ativou” a Relatividade restrita, o muito denso “ativou” a Relatividade Geral. Estes nichos são os “berçários” do avanço científico – quando os níveis de realidades se apresentam aos homens eles procuram “frases” para descrevê-las.
A ciência aproximou-se do final do século XIX com duas certezas. Caso disparássemos uma flecha, conhecendo sua massa e sua velocidade, poderíamos calcular sua trajetória com bastante precisão, o mesmo era verdade para uma bola, para a Lua ou qualquer planeta. A outra certeza era que as ondas se propagavam “sacudindo” o meio de propagação. As ondas sonoras vibravam em meios materiais como a água, o ar e até mesmo a madeira.
O avanço das pesquisas com a luz trouxe os primeiros problemas para o início do século XX – o Mundo nunca mais seria o mesmo!
Foi provado que a luz era uma onda eletromagnética[8] que podia se propagar no ar (vemos o mundo à volta), na água (vemos os peixes) e no vácuo (vemos as estrelas). Como seria possível uma vibração propagar-se sem vibrar o meio de propagação? Afinal o vácuo não tinha nada a ser vibrado. Dessa perplexidade saiu o conceito de Éter. O éter seria uma “substância” especial que permearia o Universo e seria o meio de propagação da luz.
As pesquisas para determinar a velocidade da luz acabaram provando que a existência do Éter era bastante improvável. Medições feitas com a luz vinda dos céus em uma determinada data eram idênticas às medições feitas seis meses depois, o que era uma surpresa, pois a diferença de seis meses garantiria que durante a primeira medição a Terra estava percorrendo sua órbita com o sentido oposto ao que está seis meses depois! Essa medição determinou a morte do Éter e a luz ficou sem seu suporte.
As novidades foram se avolumando nas mesas dos cientistas até que chega o século XX e é dada à luz a Mecânica Quântica.
A concepção do Princípio da Incerteza por Heisenberg revolucionou o modo de se “ver” o Mundo. As “verdades” clássicas começaram a se mostrar como casos particulares e, como decorrência, ficou claro que estávamos diante de verdades relativas. Ficou evidente que o modus operandi do microcosmo não era o mesmo quando tratávamos do macrocosmo. O Universo mostrou ter dois pesos e duas medidas.
As trajetórias de flechas ou dos planetas continuaram a obedecer às leis clássicas da Mecânica newtoniana e às leis de Kepler, mas quando entramos no mundo subatômico, os acontecimentos se mostram exóticos. Heisenberg nos ensinou que quando medíamos com precisão a posição de um elétron, não éramos capazes de determinar, com precisão, sua velocidade e vice versa.
Os físicos tiveram que aprender que não temos controle sobre os acontecimentos cósmicos. O Universo esconde dados para a elaboração do Mundo.
No mundo macro tudo funciona conforme a cartilha clássica. Podemos prever onde um planeta estará em um ano, dois ou mesmo cinqüenta. Podemos prever os eclipses e as passagens dos cometas e tudo com base na Mecânica Clássica. Agora temos consciência de que quando encontramos um elétron e sabemos sua posição, não saberemos onde estará daqui a um minuto porque não sabemos sua velocidade. E esse drama não é pequeno!
Foi necessário passarmos por uma reciclagem para que pudéssemos concluir que o Universo se escondia do Mundo. Foi preciso reformar nossas verdades e nossas ilusões tal qual Bachelar havia ensinado.
O discurso científico difere do Teológico exatamente nesse ponto – modificar-se. A Teologia orgulha-se de ensinar conceitos milenares enquanto a Ciência lida com conceitos com 100 anos de idade e a ciência tem a clareza que podem mudar. Essa diferença é capital, uma vez que a certeza que se teve acesso à verdade impede a evolução o que na prática significa sedimentação.
A compreensão da dificuldade de ajustar as interfaces entre o Universo e o Mundo não é fonte de desânimo, pelo contrário, ela nos traz a certeza de estarmos no caminho do aperfeiçoamento.
É por isso que procuramos – para achar! Mesmo que não saibamos se vamos encontrar coelhos brancos ou Alices.
Na Astronomia existe um forte agravante que é a nossa incapacidade biológica de percebermos a 3ª dimensão quando olhamos para o céu.
Na observação do Mundo, em nosso ambiente diário, sabemos distinguir perfeitamente a distância entre dois objetos ou entre duas pessoas, mas não somos capazes de ter acesso à 3ª dimensão de forma objetiva, pois, a rigor, enxergamos apenas duas dimensões: comprimento e largura. A evolução darwiniana nos permitiu “roubar”, da realidade, a 3ª dimensão (profundidade) quando os olhos dos ancestrais dos primatas migraram para frente da face e mantiveram um dado afastamento entre eles. Essa simples ocorrência criou o chamado efeito paralaxe.
A paralaxe ocular é a distância entre os olhos que por estarem separados captam áreas diferentes do mundo à volta[9] e permite que nosso Sistema Nervoso Central conjugue as imagens diferentes dos dois olhos e “monte” uma imagem com profundidade.[10]
Esse recurso que “ganhamos” somente é eficiente quando estão envolvidas distâncias relativamente pequenas, quando olhamos para objetos no horizonte temos que utilizar outro recurso – a perspectiva que é o mesmo recurso usado pelos pintores para simular as distâncias representadas em suas telas planas.

 
 














Figura 1: Fotografia estereoscópica do Largo do Machado, no Rio de Janeiro em 1944. Reparar que podemos ver menos pessoas no canto esquerdo da foto da esquerda do que no canto esquerdo da foto da direita. Os “conteúdos” são diferentes, da mesma forma que ocorre com os campos visuais de nossos olhos. Essas fotografias são feitas com câmaras com duas objetivas separadas pela distância média que separa os olhos humanos.
Camelos
No final dos anos 1950 ganhei de presente, de meu pai, um livro que iria exercer grande influência em minha vida profissional. Era uma obra de Malba Tahan chamada O homem que calculava.
A narrativa ambientada na Bagdá do século XIII contava as aventuras do calculista persa Beremiz Samir[11] que resolvia problemas práticos, aparentemente sem solução, simplesmente usando álgebra e aritmética.
O leitor pode entrar em contato com lendas sobre a origem do Xadrez, por exemplo, com a solução de quebra-cabeças e conhecer curiosidades matemáticas. O quebra-cabeça mais conhecido é dos três irmãos que receberam de herança 35 camelos e têm uma regra para reparti-los: o mais velho deve receber a metade outro, a terça parte e o mais novo, a nona parte. É fácil verificar que os camelos deveriam ser “cortados” para atenderem às regras, mas Beremiz soluciona a questão facilmente, usando álgebra[12].
O fato foi que percebi a força da ferramenta matemática para solucionar problemas materiais e teóricos. Foi ali que percebi como o Universo se transforma em Mundo.
O anátema da Astronomia é perseguir sua característica epistemológica mais forte, a de ser multi e interdisciplinar. Esse fato move a Ciência e ensina aos homens que o conjunto se sobrepõe ao individual, uma vez que o tempo dos galileus e kepleres já passou.
E assim, um calculista fictício viajando e um narrador que nunca existiu foram capazes de semear a curiosidade que moveu a ciência em minha infância. E de quebra mostrar-me como os pais “ficam” em seus filhos!
Mais uma certeza que se apresenta em minha mente é a proclamada por Galileu Galilei, quando afirmou, há mais de quatrocentos anos, que a matemática é a linguagem com a qual foi escrito o Universo.
Dilatamos o conceito galileano, pois hoje sabemos, com a certeza permitida pelo método científico que a matemática é, na realidade, a linguagem que usamos para “ler” o Universo e transmutá-lo em Mundo.
O azul escuro do fundo dos oceanos, o azul claro dos picos montanhosos, o azul natural dos litorais, chegam continuamente ao cérebro humano através de dois orifícios muito especiais – as pupilas. A luz que as atravessa é transformada em impulsos elétricos que são encaminhados ao cérebro e lá, as imagens são “remontadas” e compreendidas. Na realidade enxergamos com o cérebro, os olhos são suas ferramentas de captação de luz.
Os pássaros, as nuvens, as flores, os humanos, as estrelas, as galáxias... são objetos que conhecemos e interagimos. São imagens não são coisas. São fantasmas interpretados e “julgados” por nós. As pupilas encontram-se entre o que é e o que pensamos ser, porque elas são as fendas por onde o Universo entra para se transformar em Mundo.
Se as portas da percepção fossem desobstruídas, tudo aparentaria ao homem exatamente como é... infinito.[13]
Epílogo de um preâmbulo
O marchar dos astros no céu criou um desfile cujas alegorias – há milênios – permeiam as fantasias dos homens. O nascer do Sol que dissolve a escuridão em amarelos e vermelhos diuturnamente encanta quem o assiste. A marcha para o outro lado dissolve o azul em escuridão e, mais uma vez, encanta quem assiste. A perenidade e a repetição não diminuem o espetáculo, mas alimenta-o. É uma Ode especial que é cantada no Universo e ouvida no Mundo.


[1] Espero estar seguindo essa norma!
[2] Ou pensamos ver!
[3] José Américo Motta Pessanha apud Bachelar, São Paulo, Abril Cultural, 1978 [Os Pensadores] p. XIII.
[4] O Solipsismo é a ideia de que o Ser controla o mundo. É a crença filosófica de que além de nós e de nossas experiências, nada existe – a única realidade cognoscível é o Eu.
[5] “Os limites da minha linguagem são os limites de meu mundo” Escreveu Wittgenstein.
[6] Citado por John Broockman. São Paulo, 1988.
[7] Benjamin Lee Whorf juntamente com o antropólogo e lingüista alemão Edward Sapir formularam, na década de 1930, uma tese que ficou conhecida como Hipótese de Sapir-Whorf, pela qual “as pessoas vivem segundo suas culturas em universos mentais muito distintos que estão exprimidos (e talvez determinados) pelas diferentes línguas que falam. Deste modo, também o estudo das estruturas de uma língua pode levar à elucidação de uma concepção de um mundo que a acompanhe”.
[8] A luz compõe-se de dois campos, um elétrico e um magnético que se propagam inclinados em 90º entre eles.
[9] Se o leitor olhar diretamente para um dado ponto e fechar alternadamente os olhos, perceberá facilmente que cada olho “vê” regiões diferentes do Mundo.
[10] Por isso é difícil enfiar uma linha em um buraco de agulha ou descer uma escada com apenas um olho aberto.
[11] Personagem fictício.
[12] Para ver a solução, o leitor deve ir até a obra em questão.
[13] Texto de William Blake em O casamento do céu e do inferno.