Reflexões sobre um tempo ido
Entendo a Mitologia grega com uma grande metáfora do
Universo, dos homens e das sociedades; apresentando-nos os caminhos da criação;
de nossas virtudes; de nossas mazelas, enfim; de Tudo. Dentre os gregos, gosto
muito de Platão; em Platão gosto muito do Crítias (no qual é revelado o mito de
Atlântida) e o Banquete, no qual podemos ver o mito do andrógino. Platão nos
conta que no princípio haviam 3 gêneros: masculino (descendente do Sol),
feminino (descendente da terra) e o andrógino (descendente da Lua, pois possuía
as duas características) [Preciso fazer uma pausa para enaltecer a percepção
grega de que a Lua possuía as duas características, é sensacional. Fim da
pausa]. O andrógino era como se fosse um homem e uma mulher colados; duas
cabeças, 4 pernas, 4 braços, 2 genitálias e tudo o mais. Os andróginos, dotados
de grande força e vigor, ficaram presunçosos, tendo, então, se virado contra os
deuses, desafiando-os. Após uma deliberação no Olimpo, Zeus decidiu que iria
cortar os andróginos em dois. Enfraquece-los. Assim o fez. Separados ficaram
mais fracos e não mais desafiaram os deuses. Zeus cortava um andrógino e o
passava a Apolo que virava suas cabeças para frente – para admirarem sua mutilação
– e fechava o ventre, então aberto, com uma única cicatriz no meio do ventre
(origem do umbigo). O homem e a mulher, agora separados buscavam-se para se
unir. Zeus compadeceu-se e transferiu suas genitálias para frente, permitindo
que durante alguns instantes os dois voltassem ao todo! E aí, somente aí, eram
capazes de criar! Como os homens e as mulheres era um todo, é, portanto, o
desejo e a procura do todo que se dá o nome de amor.
Por isso homens e mulheres são diferentes. São partes, se
fossemos iguais não seríamos partes seríamos já um todo e nada teríamos que
procurar no Outro.
Viva as diferenças, lutemos pela equidade!
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