“Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutais pela Liberdade!”, clamava Charles Chaplin em O Grande Ditador. Essa exaltação encerra um inominável paradoxo – é preciso lutar para ser livre.
A liberdade é objeto de conquista.
É um Graal!
E deve ser assim, pois a liberdade não conquistada coteja-se a uma Constituição outorgada.
A luta está no homem que deve e tem que obter a liberdade almejada, para viabilizar a conquista da Paz. Paz sim, posto que são objetivos indissolúveis. A Paz e a Liberdade têm sido, para a Humanidade, a linha do horizonte. Como é longo o nosso existir! Como é longa nossa busca! Como é longa nossa espera!
Com a “quilha” da razão, abriremos caminho, avançaremos sabendo que o conceito absoluto de liberdade é destituído de respaldo na realidade física. O viver em sociedade nos impede de realizar conceitos absolutos. Não somos livres para morrer, assim como não somos livres para nascer. So-mos livres, sim, para odiar e para amar. Somos livres para fazer ou para sentir. Ser absolutamente livre, em seu sentido lato, é estar... morto! Enquanto habitarmos um mundo em que a cada dois segundos morre uma criança; enquanto habitarmos um planeta que gasta trilhões de dólares por ano em armamentos; enquanto não aprendermos a perder, estaremos apenas nos exercitando, ensaiando, para sermos livres.
A Segunda Guerra Mundial – assim como tantas outras – foi feita para acabar com todas as guerras. Em vez disso, convivemos, desde o seu término, com 150 outras guerras e com 20 milhões de mortos. Somos livres?
A realidade nos mostra que a paz não dá lucro! O capitalismo parece ser incompatível com a paz e o socialismo se mostrou incompatível com a liberdade.
Com o avanço da ciência, aprendemos que viemos do espaço. Fomos do ponto de vista da ma-téria, construídos dentro das estrelas. Em uma época já remota da criação, onde somente existia hidrogênio e hélio. As estrelas foram, lentamente, “cunhando” os outros átomos e “contaminando” a Galáxia com seus “restos mortais”. Viemos deles. Somos estrelas redivivas! Somos filhos dos céus. Reconhecer essa origem é, de certa forma, a liberdade suprema – que pode ultrapassar até mesmo a libertação da morte.
Ao identificarmo-nos como filhos das estrelas, tornamo-nos cidadãos do Cosmo. Os céus nos chamam. Precisamos retornar a casa. Retornemos às estrelas, mas o façamos em Paz. Retomar a casa é um ato de libertação. Retornar em Paz é um ato deificante. Que a última lágrima de dor este-ja rolando, por alguma face infantil. Que o último tiro de canhão seja um réquiem a toda uma era. A Idade das Trevas não terminou. Oxalá este último tiro seja ouvido, por todos nós, em breve... muito em breve...