quarta-feira, 30 de outubro de 2019


Comecei a assistir a uma série chamada “World on fire”. É sobre a 2ª guerra, mas contada do ponto de vista da população e não dos generais. Começa a uma semana da invasão da Polônia e acabará na Batalha da Inglaterra. É uma produção excelente, atores incríveis. Mais uma vez fiquei pensando sobre as guerras e o ser humano. As tragédias pelas quais a humanidade passou (tirando as naturais) foram, sempre causadas por um único homem! Hitler se preparou por um tempo, comendo pelas beiradas para assumir o poder na Alemanha, sendo eleito! Não é só o brasileiro que que faz merda diante de uma urna! Os argentinos entregaram o poder a uma ex-presidente que responde a 7 processos de corrupção. E trouxeram de volta o peronismo cretáceo! Não sou simplista, ou ingênuo, para pensar que Hitler fez tudo sozinho, não seria possível, mas o meu ponto de vista é que o gatilho das grandes desgraças é apenas um homem. César devastou a Gália, entre outras devastações, Alexandre, o grande massacrou povos, Napoleão pôs fogo na Europa e por duas vezes; Lênin mergulhou a Rússia na fase devastadora da escuridão e repressão. Stalin deu uma grande continuidade. Chaves recebeu uma das economias mais prósperas da América Latina e jogou o país na latrina.
Por que o homem faz tudo isso com os homens? Acho que o prazer do poder é muito deletério para a mente. Quando um indivíduo persegue o poder como esses personagens perseguiram todos os outros prazeres ficam em segundo plano. A ausência de outros prazeres desumaniza o indivíduo, o mundo se torna seu inimigo e quem estiver na frente deve ser destruído. Se vocês repararem, a relação entre um invasor e um invadido, é de ódio, do invasor! Isso acontece até em assalto. A violência e a demonstração de ódio que o assaltante tem em relação ao assaltado é de muito ódio e violência. É como se o invadido devesse ficar “orgulhoso” de ser massacrado pelo invasor “ungido”!
Sinto que os humanos ainda têm um caminho muito longo pela frente – e com muita dor.


Por favor, entendam todos os verbos aqui utilizados, metaforicamente.
Entendo que a evolução, por não ter outra solução, criou 2 mecanismos para nos obrigar a fazer o que é preciso fazer. O medo e o prazer. Esses são as únicas coisas que baseiam todos nossos sentimentos e ações. O medo nos manteve vivo nos últimos 100.000 anos, não nos deixando tentar encarar um tigre dente de sabre, se aproximar de um mamute pela frente e outras coisas semelhantes. O prazer é a outra “chantagem” desenvolvida pela evolução para nos manter perenes na Terra. Inventar o sexo sem o prazer, seria inútil. Por que dois indivíduos iriam se aproximar, copular se não tivessem tesão e prazer? Assim, nosso futuro ficou determinado. Tudo que fizemos nos últimos 100 mil anos foi por medo ou por prazer. Não existem outras motivações para nós. Fazemos caridade? É por prazer de ajudar. Fazemos amor, é por prazer de ter prazer! Fazemos um belo trabalho? É por prazer de nos realizar! Ouvimos uma música? É por prazer do diletantismo! Comemos um churrasco? Pelo prazer de saborear! E assim vai. Um dos problemas mais sérios que vejo nas religiões, é que elas tendem a combater o prazer como se fosse pecado. Da Antiguidade para a idade Média, a nudez tornou-se “imoral”. Sexo só para a procriação, pois sexo por prazer é pecado. As religiões introduziram a culpa para ocupar o lugar do prazer. Por que? O prazer não existe somente em situações positivas, o assassino em série tem prazer de matar, o ladrão tem prazer em roubar, o político tem prazer em ser abjeto. Mas existe um outro prazer que é deletério, mas sempre aparece travestido de coisa boa. A consciência narcísica e que somos diferentes. E é aí que as religiões atuam. Vejam, entre 2.000 atletas nas Olimpíadas, os deuses “escolhem” os que vão ganhar o ouro, pelo menos os ganhadores agradecem a eles! (Quem escolhe a prata e o bronze?) Um sujeito passa 18 horas em uma sala de operação, com uma equipe médica enorme e exausta e a família agradece aos deuses o sucesso da operação! Centenas de candidatos ao The Voice e os deuses escolhem o vencedor (ele pelo menos pensa que sim!). É esse o ponto; o narcisismo de se considerar ungido pelos deuses é o que dá prazer ao indivíduo! E, para tornar os diferentes mais diferentes, as religiões precisam usar o narcisismo para dar prazer ao fiel e minimizar todos os outros prazeres. Por isso os fiéis de uma religião tentam “salvar” os fiéis de outra religião e, alguns casos, destruí-los. Um Papa organizou uma Cruzada para exterminar os cátaros porque eles acreditavam que Jesus era humano.
Temos em nossa personalidade trina, um depositário de prazeres e uma região “encarregada” de acessá-los. Existe uma tesoura química capaz de cortar esse acesso. É o que acontece com os deprimidos. O prazer acaba! Nada interessa, às vezes, até mesmo viver! É um efeito colateral da chantagem evolutiva!
Para registro, tive prazer em escrever esse texto e sei que não o compartilharei com todos que lerem, mas, por agora, saciei-me!