quinta-feira, 30 de abril de 2020


“Cada vez que ponho uma máscara para esconder minha realidade, fingindo ser o que não sou, faço-o para atrair o outro e logo descubro que só atraio a outros mascarados, distanciando-me dos outros devido a um estorvo: a máscara.”
Gilbert B. Lazan (psicólogo social norte americano, 1942-)
Percebo que cada dia mais, entramos nas redes sociais usando máscaras. Somos críticos, somos ácidos, somos sabidos, somos santos, somos bem-intencionados, somos democratas, somos simplesmente o máximo! Mas entendo que são apenas máscaras que usamos para nos apresentar a amigos íntimos, amigos distantes, a parentes (que são amigos), amigos que não temos muito contato ou a amigos de amigos. É igual escolher roupa para uma festa, usamos a que achamos ser a melhor. É uma escolha da mesma “safra”, escolhemos nossas posições para ficar, sempre, bem na foto, mas como muitas vezes escolhemos a roupa errada e só percebemos quando chegamos na festa, aqui é o oposto, somente seremos capazes de ver se escolhemos as palavras certas depois da festa! Há uma forte tendência de analisarmos tudo (aos vigilantes, aviso que isso não é uma crítica, mas uma análise ), para isso não temos outro recurso do que o de usar o que somos. Entendo nossa mente a interface do Ego com Pã, que, para alegria de Dioniso, veio ao Mundo para ser Tudo! Nossas máscaras estão alocadas nos egos e nós sabemos muito bem que a usamos. Daí vem a ira que as pessoas se permitem, para tentar enganar os ouvintes de que acreditamos no que falamos. Muitas vezes vejo postagens que fico pensando como é possível um ser senciente acreditar no que escreveu!
O recente caso da demissão do Mandeta. Para a oposição, tudo que a situação faz, ou diz, está errado (a recíproca é verdadeira!). Todo o ministério do Bolsonaro era pífio; até o Mandeta começar a discordar publicamente do Bolsonaro (sem juízo de valor sobre quem estava certo). Aí foi canonizado. O Atual ministro é o vilão da semana; até ele discordar do presidente, pois aí será canonizado imediatamente. Essa máscara entendo ser uma das piores que podemos escolher para usar, é feia, digna mesmo de Hefesto!


Pequena grande História
A escuridão é nossa companheira há muito tempo. Medos e fantasias povoam a ausência. Já viajamos pelo espaço, agora é o momento de viajar pelo tempo. Não iremos ao futuro. Façamos o tempo fluir para trás, escapando do sudário da vida.
Estamos em uma época perdida onde nada existia. Sem luz, sem espaço, sem tempo... Somente a quietude da monotonia. Surge, então, a primeira entidade universal. A singularidade, também conhecida como Ôvo Cósmico, se manifesta para nós. Quieta... Tranquila...
Subitamente... a luz é feita!
Agora somos testemunhas da criação... e cúmplices do Universo. Enquanto a imaginação vai dando corpo a formas desconhecidas, a razão transforma-se em figuras e dá, ao nada etéreo, um nome e um lugar para morar...
Não será sempre assim. O Universo está fadado à morte. Lentamente cada estrela abrirá mão de seu existir e nenhuma outra nascerá de suas cinzas. É o fim do anátema: a Fênix pode, finalmente, morrer pela última vez...
As estrelas se apagam, mas não pela última vez. É o nascer do dia que dilui o espaço. É o retorno da luz e do calor. É a Humanidade que cresce, rejubila-se com a vida, marca a Terra com sua presença, o espaço com suas visitas e o Universo com seus anseios...
Este amanhecer recorda um outro, já perdido no tempo, quando o ar se tornou respirável e o solo cultivável, foi o dia em que o palco ficou pronto, enquanto os atores esperavam, em algum lugar, o momento certo de entrar em cena...


Observamos o Mundo com os aparatos que a evolução nos deu – os sentidos. Os dados coletados pelos sentidos são, na realidade, “sentidos” pelo cérebro. É lá que enxergamos, ouvimos, tocamos, pensamos e concluímos. A questão é que nossos sentidos não nos apresentam a realidade física, mas uma caricatura da realidade. O problema maior é que não temos certeza da “competência” do caricaturista...
Somando-se aos problemas espaciais, temos os problemas temporais. O céu é uma coletânea de tempos diferentes. A luz que chega hoje, vinda de Alfa Centauro, a estrela mais próxima de nós, saiu de lá há 4 anos e 4 meses. Se ela explodir agora, levaremos este tempo para tomar conhecimento do fato. Ao observarmos o céu com seus tempos próprios, tornamo-nos contemporâneos do passado. Um bom exemplo do que isso significa, é observar a galáxia de Andrômeda, uma galáxia espiral, parecida com a Via Láctea. Reparem como seu núcleo é brilhante e sua borda escura. Isto por que estamos descrevendo uma Andrômeda observada por meio da luz visível. Se a víssemos com sensores de ondas de rádio, a galáxia seria o oposto. Núcleo escuro e borda clara. São imagens completamente opostas de um mesmo objeto. Como é, na realidade, a galáxia de Andrômeda? Será que é possível responder a essa pergunta? Será que um dia saberemos como é a realidade? Acho difícil. As pessoas... são “objetos” (no bom sentido), então não temos como saber como elas são! Vemos suas “caricaturas” (as máscaras), ouvimos suas versões e concluímos se gostamos ou não delas. Seja qual for o “veredito” lembro do Carl Sagan: “Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro”. Muito propício para os dias de hoje!


O ódio e o amor são primos. Primos-irmãos. São inteiramente irracionais, posto que paixões. Somando-se essa “crença” a uma outra, a de que a evolução só nos legou dois sentimentos: prazer e medo; sou levado a concluir que precisamos usar mais nosso poder discricionário para elaborarmos nossas convicções. Vejam um parlamento. Em qualquer país. Os membros da situação concordam com tudo o que o Presidente (ou Primeiro Ministro) faz, ou diz, e a oposição discorda de tudo com a mesma veemência. Não é só por interesse ou por corrupção; é da natureza da espécie. Os que não apoiam têm medo de tudo dar certo e eles perderem suas posições, os que apoiam têm o mesmo medo, só que com o sinal contrário! O prazer passa pela “gestão” de nossas mentes. Amamos, por prazer; roubamos por prazer; fazemos caridade por prazer; buscamos poder por prazer; escolhemos nossas profissões por prazer; até odiamos por prazer. Nossas escolhas estão intrinsecamente atreladas à nossa parte irracional (ou inconsciente). Em Israel não é ilegal tocar músicas de Wagner, mas são evitadas por terem ficado associadas ao holocausto, por ter sido o compositor favorito de Hitler. Ok. Faz sentido se introduzimos, nessa equação, a variável medo. Eu que nem era nascido na Segunda Guerra, sinto um frio na espinha quando vejo ou leio sobre os campos de concentração, imagine os povos que sofreram com ele! Mas! Wagner morreu em 1883. Hitler nasceu em 1889. Nunca dividiram o planeta. Não se conheceram. E se descobrirem que o Hitler gostava de bombom de cereja, o que a Cacau Show fará? Esse é o ponto. Não desligar os filtros para não perder a chance de pensar. Se odiarmos tudo que uma determinada pessoa gostar, estaremos dando a ela o poder de determinar nossas ações e nossas falas. A recíproca é “verdaderíssima”. Então, quando o Presidente disser alguma coisa, entendo, que devemos usar nossos filtros (éticos, políticos, educacionais, de sabedoria) para “decidir” se concorda ou não. Não concordo com quase nada que o Presidente fala, mas concordo com a maioria das ações já feitas no país. Não é porque votei em alguém que devo vassalagem a ele; só a meus princípios. Discordar a priori é tão primevo quanto concordar a priori, pois nos levam à irracionalidade e à desconstrução de nosso Ego. Abrimos mão de sermos nós. Abrimos mão do “sapiens” do nosso “Homo”.