sexta-feira, 8 de março de 2019


Acabei de assistir ao primeiro episódio da 3ª temporada da série inglesa “Victoria”, que conta a vida da rainha Vitória. Série muito boa, inicia esse episódio em 1848, na França, mostrando a saída do rei Luis Felipe que abdicou diante da revolta popular que se estabeleceu naquele país. Voltei a pensar sobre as monarquias. Voltei a sentir um profundo desprezo por esse regime de governo. Voltei a acreditar que nunca nos livramos da essência da monarquia mesmo em regimes republicanos ou ditatoriais. Parece que os humanos são “chegados” a criar elites, sejam pela genética (argh!) seja pela urna, seja pelos rifles. Podemos perceber que os “nobres” existem em qualquer regime e, mais bizarro, os povos parecem aceitar que existem indivíduos que merecem tratamentos desiguais. Não é o brasileiro que tem complexo de vira-lata, mas a humanidade é que se acha vira-lata. Um lacaio “sabe” que seu amo é superior; um súdito “sabe” que seu soberano é superior; um empregado “sabe” que seu patrão é superior; um eleitor “sabe” que seu político é superior. Mas não os esquimós. Esse povo não tem tribos ou chefes, suas leis são consuetudinárias, sua estrutura social baseia-se na família. Cada um sabe seu papel. Não há elite entre eles. Na minha ignorância, esse é o único povo (contemporâneo) que tem tal estrutura social. Consequência? Os esquimós, apesar de viverem em terras ao norte do Alasca, do Canadá e na Groelândia, não são cidadãos dessas nações, são independentes. Não têm cultos nem orações. E aí? São extremamente pacíficos. Não lutam por terra, por poder, por riqueza ou por deuses. É, no meu entender, o mais puro exemplo do anarquismo – um povo sem governo. Não sou inocente o suficiente para acreditar que os países poderiam assumir essa forma de não-governo; os tamanhos das “tribos” são fundamentais para retirar dos indivíduos, o direito à liberdade. Somente temos “liberdade para”. Para ir e vir, os cubanos não. Para nos alimentar, os venezuelanos não. Para pensar, os soviéticos não tinham. Para xingar o presidente, os norte coreanos não. E assim vai. Podemos ser judeus, cristãos ou maometanos, desde que bem longe uns dos outros. A História está à disposição de quem quiser contestar essa minha última frase! Somente os ateus foram perseguidos por todos e não perseguiram ninguém. Alguém aí já ouviu falar em guerra ateia? Mas guerra santa já!
Uma imagem que pode ser simplista, mas é forte: pensem na revolução industrial que houve na Inglaterra e se espalhou pelo Mundo. Os empresários, ricos e produtivos, que emergiram dela eram plebeus, uma vez que a única coisa que os nobres sabem fazer dentro de sua infinita inutilidade, é herdeiros infinitamente inúteis.

Nós e os símbolos

Os símbolos nacionais são ícones que representam uma dada parte da área da Terra e a respectiva parcela de humanos que a habita – um país e seu povo (e, claro, um estado, um município, uma empresa...). Por que, então, os símbolos nacionais são tão desprezados, atacados e ridicularizados aqui no Brasil? Em primeiro lugar não reconhecemos nossos símbolos porque não nos sentimos um povo, portanto não somos uma Nação, passamos perto de um país. Nosso hino nacional, sem dúvida, o segundo mais bonito do Mundo, posto que o primeiro, reconheço, é a Marselhesa, consegue mexer com nossos corações quando tocado em estádios de futebol ou olímpicos, mas, nas escolas, tem educadores que acham um absurdo, assim como a mídia. Acham mesmo? É evidente que não! As críticas vêm de uma característica humana, cebolório. Por que? Porque é preciso que seja assim. Para vingar, o primeiro passo da esquerda deve ser desmontar o nacionalismo para inculcar uma ideologia. A esquerda é delirante e tem, por utopia, conquistar o mundo. Assim que um “caudilho déspota” (perdoem o pleonasmo, mas aqui é um reforço semântico) senta-se no trono, muda as cores da bandeira. Aconteceu com a China, com a União Soviética e outros países. O ponto aqui discutido é que o símbolo “nacional” deixa de representar o povo e passa a representar a ideologia. Alguém aqui sabe como era a bandeira da Alemanha durante o nazismo? Só nos lembramos da bandeira com a suástica, a ideologia. As ideologias, assim como as religiões têm a “pulsão” de se expandir. Os governos de esquerda são expansionistas. O Maduro e o índio bobão da Bolívia querem uma América do Sul bolivariana! A Rússia quis a (des)União Soviética, mas pensem em Cuba. O Fidel nunca teve a pretensão de expansão de território e, assim, foi a única ditadura de esquerda que não mudou a Bandeira! Ela data de 1850!
Entendo ser esse o motivo hipócrita e torpe das críticas de se cantar o Hino Nacional nas escolas, vai que as crianças gostem!!! Vai que as crianças comecem a perceber que o chão que elas pisam foi pavimentado com sangue e suor de trabalhadores compulsórios ou não. Vai que uma criança negra se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu sangue e seu trabalho para ajudar a construir essa terra. Vai que uma criança indígena se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu sangue e seu trabalho para resistir a colonos prepotentes que só queriam extrair, sem construir. Vai que uma criança de origem italiana, ou portuguesa, (como eu!) se dê conta que ela está ali cantando o Hino porque alguns ancestrais deram seu trabalho para resistir à fome que se alastrava em uma Europa ferida de morte!
Eles não querem correr esse risco, o sentimento de ligação com a terra é o “antídoto” para curar essas ideologias irreais, preconceituosas, imaturas, mentirosas que tanto fascinam alguns universitários e educadores que, certamente, não cantaram o Hino na escola primária!

Para que servem as regras?

Semana passada estava assistindo a um episódio de um seriado e estava havendo um julgamento. O réu era inocente, mas as evidências eram desfavoráveis. A advogada conseguiu uma prova irrefutável da inocência do réu após a fase de apresentação das testemunhas. Ela disse à juíza que havia conseguido a prova definitiva que o assassino era outra pessoa. A juíza disse que não podia deixar apresentar a prova, pois havia passado a fase das testemunhas. Era a regra! Regra! Em um tribunal de júri as regras diziam que não se poderiam soltar um réu inocente. A advogada descumpriu as regras e falou para o júri o que sabia. A juíza mandou prender a advogada! Onde já se viu libertar um réu inocente?
Fiquei pensando em regras. É claro que as regras são feitas para a maioria, são idealizadas para atender à média dos acontecidos. Por isso um juiz, assim como, um outro agente público tem o poder discricionário, para poder adotar nos limites da lei, a solução mais adequada no interesse público. Será que soltar um inocente não é de interesse público? Há casos, nos quais, a ação fica inteiramente vinculada à lei e o agente não pode dela se afastar, mas no caso acima descrito não se trata de uma regra definida pelo poder vinculado e existe a discricionariedade. Assim o que me vem à mente é que em um tribunal de júri ninguém está interessado em fazer justiça! Somente o réu inocente, pois se for culpado também ele não quer justiça. O promotor quer aumentar suas estatísticas de condenações; o advogado de defesa que aumentar seus futuros honorários por soltar qualquer cliente; o juiz quer simplesmente obedecer às regras; os jurados querem que aquela “chatice” acabe para irem embora. É um palco onde não muita expectativa de justiça. Não afirmo que todos os julgamentos são injustos, claro que a tese não é essa, mas acho que cada caso deveria ser um caso. Mais senso de justiça e menos estatísticas, sabemos desde Cícero que “justiça extrema é injustiça”.
Aprendi, lá nos anos 1960, com Kahlil Gibran, que “Um juiz deve julgar com o que houve, não com o que ouve”.

Momento de decisões

Entendo que a Humanidade se encontra em uma encruzilhada. A leitura da História não nos permite sermos muito otimistas em relação à evolução das sociedades. Nosso caminho, nossa trajetória no tempo mostrou, sem sombra de dúvida, que somos uma espécie bizarra. Somos capazes de doar um rim para uma pessoa e somos capazes de arrancá-lo de outra. Aquela professora (Helley de Abreu Silva Batista) que morreu salvando crianças no incêndio da creche em Minas Gerais não é sequer citada por feministas, por ativistas, por grupos de direitos humanos e nem por nós mesmos! Até a Escola de Samba que desfilou em nome dos heróis anônimos não se lembrou dela! A pedestre que participou do salvamento do motorista do caminhão atingido pelo helicóptero que vitimou o Boechat e seu piloto, lembram dela? Abrindo caminho com as próprias mãos. Chama-se Leiliane Rafael da Silva. Saiu na avenida? Não. Essas não têm espaço. Assim é a vida que construímos, nos falta empatia. Ou talvez não falte empatia, o que falta é um alvo certo para ela. A empatia é definida como sendo a capacidade para “sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. Nos dias atuais mudamos de alvo, não mais nos identificamos com as pessoas, mas, antes de tudo, com os personagens das pessoas. É o culto à Personam tragicam. Assim, ao invés de nos colocarmos no lugar de alguém, buscamos o LUGAR desse alguém. Sentimos pela Beyoncé, pelo Neymar, pela Anita e outros tantos, mas não temos “tempo” para as dores do mundo que está a nossa volta. Havia, na Grécia Antiga um deus que era um menino. Travesso e inocente, jamais cresceu – afinal o ‘lógos’ é incompatível com o amor! Eros (o deus) significava a pulsão do Amor, força que impele a existência a tornar-se ação. E aqui repousa uma importante característica do amor, ele necessita um contato com o Outro, o que pode provocar choques e comoções. O amor objetiva o indivíduo, a empatia objetiva o coletivo. Sinto que o Mundo está perdendo os dois!
Aqui preciso lançar mão de uma palavra da língua alemã: Weltschmerz, que significa: cansaço do mundo. Que pena


Reflexões sobre um tempo ido
Entendo a Mitologia grega com uma grande metáfora do Universo, dos homens e das sociedades; apresentando-nos os caminhos da criação; de nossas virtudes; de nossas mazelas, enfim; de Tudo. Dentre os gregos, gosto muito de Platão; em Platão gosto muito do Crítias (no qual é revelado o mito de Atlântida) e o Banquete, no qual podemos ver o mito do andrógino. Platão nos conta que no princípio haviam 3 gêneros: masculino (descendente do Sol), feminino (descendente da terra) e o andrógino (descendente da Lua, pois possuía as duas características) [Preciso fazer uma pausa para enaltecer a percepção grega de que a Lua possuía as duas características, é sensacional. Fim da pausa]. O andrógino era como se fosse um homem e uma mulher colados; duas cabeças, 4 pernas, 4 braços, 2 genitálias e tudo o mais. Os andróginos, dotados de grande força e vigor, ficaram presunçosos, tendo, então, se virado contra os deuses, desafiando-os. Após uma deliberação no Olimpo, Zeus decidiu que iria cortar os andróginos em dois. Enfraquece-los. Assim o fez. Separados ficaram mais fracos e não mais desafiaram os deuses. Zeus cortava um andrógino e o passava a Apolo que virava suas cabeças para frente – para admirarem sua mutilação – e fechava o ventre, então aberto, com uma única cicatriz no meio do ventre (origem do umbigo). O homem e a mulher, agora separados buscavam-se para se unir. Zeus compadeceu-se e transferiu suas genitálias para frente, permitindo que durante alguns instantes os dois voltassem ao todo! E aí, somente aí, eram capazes de criar! Como os homens e as mulheres era um todo, é, portanto, o desejo e a procura do todo que se dá o nome de amor.
Por isso homens e mulheres são diferentes. São partes, se fossemos iguais não seríamos partes seríamos já um todo e nada teríamos que procurar no Outro.
Viva as diferenças, lutemos pela equidade!