sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

 

Vamos imaginar um dia típico do Período Neolítico (10.000 a.C.-4.000 a.C.). Foi nesse período pré-histórico que os homens aprenderam a construir ferramentas de pedra polida. Essas ferramentas foram fundamentais para o próximo passo evolutivo que foi a agricultura. Os grupamentos humanos ficavam em torno de suas plantações – quase que pequenas “fazendas”. Com a agricultura se desenvolvendo, as “fazendas” foram crescendo e aí, foi “percebido” que os grupamentos podiam trocar vegetais que produziram por outros que eram produzidos em outros agrupamentos – um escambo. Até que por volta de 10.000 atrás as necessidades dos grupos se “tornam” coletivas e aí surge a primeira cidade, chamava-se Eridu, na Suméria, mas a urbanização da sociedade ocorreu em Uruk, na Mesopotâmia. A importância desse agrupamento foi muito grande, tanto que seu nome atravessou os séculos e veio “batizar” o país que surgiu naquela região – Iraque. Já temos a agricultura, a cidade e aí surgem os nossos problemas atuais. Uruk tinha templos, bairros residenciais, praças, estabelecimentos comerciais, exército e um sistema de administração pública que cobrava impostos! Estava inventada a burocracia! Em 2.800 a.C., a população era de cerca de 80 mil habitantes. Por volta de 3.500 anos antes de Cristo; a invenção da escrita foi realizada pelos sumérios. O texto escrito mais antigo que conhecemos é um texto comercial! Faltava apenas mais um passo – substituir o escambo. Então, no século 7 a.C., no reino da Lídia (atual Turquia). Foi cunhada a primeira moeda. A parir de então o Homem estava pronto para desenvolver seu futuro, por mais macabro que fosse. Dinheiro; burocracia; homens trabalhando duro; homens se locupletando do trabalho alheio – surge o Estado!

Aos sacerdotes interessa que os homens que trabalham continuem trabalhando para que eles não trabalhem. Para isso era necessário que os homens que trabalham acreditassem em coisas sobrenaturais que “pareciam” ser entendidas e dominadas pelos sacerdotes. Para o Estado era imprescindível que os homens que trabalham acreditassem que os burocratas estavam ali – até o fim da Idade Média, por vontade dos deuses – para ajudar; para organizar; para prover a saúde; para prover a segurança e, mais adiante, para prover a educação. Para tudo isso era preciso que os homens que trabalham paguem altas quantias para os burocratas ...não fazerem nada! Os agentes do Estado não produzem nada, os sacerdotes não produzem nada, mas os homens que trabalham sustentam ambos os seguimentos sociais, sem perceber a força que têm. É imperioso que os homens que trabalham não percebam que têm a força suficiente e necessária para mudar!

Peço as devidas desculpas a Aristóteles, a Locke, a Montesquieu que muito contribuíram para teorizar sobre as três partes do Estado. Faz-se necessário chamar a atenção par uma preocupação de Montesquieu que achava não ser possível deixar em “uma única mão a tarefa de legislar, administrar e julgar, já que a concentração de poder tende a gerar o abuso dele”. Não adiantou muito a preocupação de Montesquieu, uma vez que os 3 poderes independentes e harmoniosos não existem; pois a promiscuidade é imensa. O Legislativo “vende” seus votos e opiniões ao Executivo. O Judiciário tenta travestir-se de Executivo.

Os homens que trabalham precisam acordar, decidir, exigir, expor e mudar!

 

O Universo é gigantesco, mas não tem muita imaginação! Fez uma experiência, deu certo, então ele a repete ao longo do espaço e do tempo. Logo após o Big Bang as partículas fundamentais formaram um “mar” sem limites, sem ordem, um caos. O instante do Big Bang criou o espaço e o tempo, então o caos “ganhou” um palco, no qual poderia iniciar sua jornada, um drama? Uma tragédia? Um suspense? Um romance? Tudo isso, porque a ordenação do caos deu início a uma saga que iria permitir a vida. Por meio de duas forças contrárias – gravidade e pressão de irradiação – o Universo tornou-se protagonista naquele roteiro que se iniciou com a grande explosão. As partículas começaram a se juntar, dando origem às estrelas. A vida das estrelas é uma dádiva do equilíbrio entre essas duas forças. A morte de uma estrela é causada pela vitória de uma delas. A gravidade “aperta” tanto o núcleo da estrela que ele explode e, ao explodir, traz, ao espaço, os elementos químicos que conhecemos. Daí torna-se possível o surgimento dos Sistemas Planetários. Foi assim como Sol. Foi daí que viemos, somos frutos de uma batalha entre contrários e essa batalha se perpetua ao longo de nossas existências. Vivemos dos contrários que nos apresentam, que nos dão, que fazemos uso para existir. O que muito me espanta é que somos frutos de forças contrárias, mas não aprendemos a conviver com uma delas – as opiniões contrárias. Talvez uma deficiência evolutiva, talvez uma sina introjetada nas entranhas de nossas mentes. Um grande passo em direção à subida de degraus colocados pelo Big Bang talvez seja compreender nossas mentes de forma mais objetiva, mais realista, mais vivenciada, enfim, mais na direção de uma paz que ainda não encontramos. Vamos sonhar sonhos impossíveis; vamos desejar desejos nunca desejados; vamos escalar montanhas verdes que parecem tocar um azul inalcançável; vamos compreender o incompreensível para podermos ouvir a música que as montanhas cantam há mil anos; vamos deixar nossos corações baterem como as asas das aves, livres no ar; vamos ouvir o que o Universo nos quer contar, porque esse segredo, nada mais é do que ouvir os Outros!