Vamos imaginar um dia típico do Período Neolítico (10.000
a.C.-4.000 a.C.). Foi nesse período pré-histórico que os homens aprenderam a
construir ferramentas de pedra polida. Essas ferramentas foram fundamentais
para o próximo passo evolutivo que foi a agricultura. Os grupamentos humanos
ficavam em torno de suas plantações – quase que pequenas “fazendas”. Com a
agricultura se desenvolvendo, as “fazendas” foram crescendo e aí, foi
“percebido” que os grupamentos podiam trocar vegetais que produziram por outros
que eram produzidos em outros agrupamentos – um escambo. Até que por volta de
10.000 atrás as necessidades dos grupos se “tornam” coletivas e aí surge a
primeira cidade, chamava-se Eridu, na Suméria, mas a urbanização da sociedade
ocorreu em Uruk, na Mesopotâmia. A importância desse agrupamento foi muito
grande, tanto que seu nome atravessou os séculos e veio “batizar” o país que
surgiu naquela região – Iraque. Já temos a agricultura, a cidade e aí surgem os
nossos problemas atuais. Uruk tinha templos,
bairros residenciais, praças, estabelecimentos comerciais, exército e um
sistema de administração pública que cobrava impostos! Estava inventada a
burocracia! Em 2.800 a.C., a população era de cerca de 80 mil habitantes. Por
volta de 3.500 anos antes de Cristo; a invenção da escrita foi realizada pelos
sumérios. O texto escrito mais antigo que conhecemos é um texto comercial!
Faltava apenas mais um passo – substituir o escambo. Então, no século 7 a.C.,
no reino da Lídia (atual Turquia). Foi cunhada a primeira moeda. A parir de
então o Homem estava pronto para desenvolver seu futuro, por mais macabro que
fosse. Dinheiro; burocracia; homens trabalhando duro; homens se locupletando do
trabalho alheio – surge o Estado!
Aos sacerdotes interessa que
os homens que trabalham continuem trabalhando para que eles não trabalhem. Para
isso era necessário que os homens que trabalham acreditassem em coisas
sobrenaturais que “pareciam” ser entendidas e dominadas pelos sacerdotes. Para
o Estado era imprescindível que os homens que trabalham acreditassem que os
burocratas estavam ali – até o fim da Idade Média, por vontade dos deuses –
para ajudar; para organizar; para prover a saúde; para prover a segurança e,
mais adiante, para prover a educação. Para tudo isso era preciso que os homens
que trabalham paguem altas quantias para os burocratas ...não fazerem nada! Os
agentes do Estado não produzem nada, os sacerdotes não produzem nada, mas os
homens que trabalham sustentam ambos os seguimentos sociais, sem perceber a
força que têm. É imperioso que os homens que trabalham não percebam que têm a
força suficiente e necessária para mudar!
Peço as devidas desculpas a
Aristóteles, a Locke, a Montesquieu que muito contribuíram para teorizar
sobre as três partes do Estado. Faz-se necessário chamar a atenção par uma
preocupação de Montesquieu que achava não ser possível deixar em “uma
única mão a tarefa de legislar, administrar e julgar, já que a
concentração de poder tende a gerar o abuso dele”. Não adiantou muito a preocupação
de Montesquieu, uma vez que os 3 poderes independentes e harmoniosos não
existem; pois a promiscuidade é imensa. O Legislativo “vende” seus votos e
opiniões ao Executivo. O Judiciário tenta travestir-se de Executivo.
Os homens que trabalham
precisam acordar, decidir, exigir, expor e mudar!
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