terça-feira, 12 de março de 2019

Cor? O que é isso?


Todos sabem da existência do espectro eletromagnético. É o conjunto, contínuo, de todas as frequências que existem. Vai do raio gama até à onda de rádio. Nosso sistema neurológico desenvolveu a capacidade de nos informar quais são as frequências que estão chegando em nossas retinas por meio de um artifício: as cores. Nosso sistema ótico capta uma faixa extremamente pequena do espectro inteiro. É igual a um rádio. Se chega a frequência de 90,5, ouvimos a band News, se for a frequência de 95,3, ouvimos a CBN. Se chega a frequência de 450 THz “vemos” vermelho, se chega a frequência de 550 THz, vemos verde. As cores nada mais são do que um subterfúgio que a evolução nos deu para “sabermos” quais as frequências que estamos recebendo. Consequência direta disso? As cores NÃO existem no Universo, somente em nossas mentes. O Universo é binário, energia/não energia, a esse código binário, “vemos” branco/preto. O Universo não tem cor, só o Mundo tem, posto que estamos nele. Quando o último humano desaparecer, o Universo se mostrará como é – sem cor. Se nós um dia pousarmos em um planeta cuja estrela emita apenas ondas de rádio, por exemplo, não enxergaremos nada! Diremos que o planeta é escuro, para seus habitantes, com outro sistema nervoso, será lindo, quem sabe, flicks! Percebem? Nos matamos há séculos por cores que sequer existem! O que nos marca é o caráter, esse é firme seja qual seja a frequência que o ilumine!

Perpetuação do passado


Na tradição oral faz-se necessário ressaltar a criatividade das sociedades ágrafas em buscar uma solução para que as regras religiosas, políticas, sociais, legais fossem passadas de geração para geração sem que sofressem deformações inerentes à falta de registro escrito. O conteúdo a ser transmitido não deveria ser modificado pelo narrador e a única forma de “guardar” informação era na memória do povo. A solução foi simples e genial: metrificar a narrativa. Se os conteúdos fossem metrificados, a linguagem regida pelo ritmo poderia ser repetida de forma praticamente invariável. Assim foi inventado o poema! Logo a seguir o ritmo das narrativas foi associado à dança e aos instrumentos musicais. Os gregos pré-helênicos – ágrafos – chamavam essa associação, narrativa poética, dança e instrumentos musicais, de mousike, que significa “fixar o espírito sobre uma ideia ou sobre uma arte”.
Foi assim que nasceu a música com letra, como nós conhecemos. Hoje assisti, novamente, 2 grandes filmes. “Cantando na chuva” e “My fair lady”. Adoro as músicas. Adoro música, acho que é uma das mais importantes conquistas culturais da Humanidade. A música tem poderes só delas; nos fazem viajar no tempo e no espaço. Lembro da 1ª música que a minha mulher e eu dividimos. Foi na festa onde nos conhecemos e, um nos braços do outro, pude sentir, pela primeira vez que tinha achado. Essa sensação só retorna a nós pelas lembranças e pela música. Tenho certeza que a música nos distingue, nos ajuda a construir, nos permite criar; e, depois, nos devolve tudo por meio de uma saudade boa! Espero que se existir vida fora da Terra, eles tenham construído a música. Lembro de um episódio da Jornada nas Estrelas Voyager, quando os tripulantes encontram uma sociedade bem avançada, mas que não conhecia a música. O encanto deles ao ouvi-la foi inesquecível. Sei que a música é algo muito especial, como sei? Os pássaros não cantam?

Não somos vira latas!


Estive pensando na relatividade das coisas. Um bebê é pequenino para nós, mas é gigante para uma formiga; nós somos grandes, mas perto de uma baleia azul somos anões; a Terra é enorme para um viajante, mas é pequenina para o Sol. O Sol é uma estrela enorme para nós, mas é anã para Aldebarã; uma formiga é pequena para um bebê, mas é gigante para uma bactéria, que é gigante para um vírus, que é gigante para um nêutron, que é gigante para um quark. Para o outro lado é a mesma coisa, nosso sistema planetário é gigantesco para um astronauta, mas é um ponto para nossa galáxia; que, por sua vez é muito pequena para o Universo. A maior coisa que conhecemos é o Universo e a menor é um quark. Nós? Somos prisioneiros entre duas infinitudes! É muito bom saber disso, porque relativiza nosso relacionamento com os pequenos, mostrando que no topo da pirâmide está o Universo. Nunca vi um quark. Nunca vi o Universo. O bom é que posso pensar nos dois e descobrir que tenho o pequeno em mim e que faço parte do grande!

O Homo é verdadeiramente sapiens?


Uma das coisas mais complexas para entendermos é o comportamento humano. Acho que o fato de sermos humanos nos “embaça” a compreensão do que fazemos a nós, aos outros e, principalmente, a nossos filhos. Tenho, também, a convicção que quase a totalidade de nossas ações tem por raiz uma mutação ocorrida no australopiteco, no Homo habilis, no Homo erectus até chegar em nós, Homo sapiens(??). Comportamento de hoje, nem sempre desejáveis, já foram fundamentais para a perpetuação da espécie, por meio da perpetuação do indivíduo. E aí é que mora a questão fundamental. Naquelas épocas, para que a espécie pudesse ser perpetuada, cada indivíduo tinha que se perpetuar (passar seus genes adiante).
Pausa 1: Na Mitologia grega, Hibris é uma violência, uma insolência, uma ultrapassagem do metron (quando um homem se compara ao divino), daí o sentido de orgulho, arrebatamento, exaltação de si mesmo.
Pausa 2: Outro personagem da mitologia que me interessa neste post é Narciso, filho de um deus com uma ninfa, Narciso nasceu como o mais belo dos helenos; era difícil entender como poderia existir um menino tão belo. Para os gregos, a beleza dos mortais sempre assustava porque ela (a beleza) facilmente arrasta o ser humano em direção à Hibris.
Voltemos à Idade da Pedra. As comunidades humanas deviam se proteger em cavernas (minha caverna minha vida!) e o grupo que lá estava precisava comer. Havia divisão de tarefas baseando-se puramente na força física, não no intelecto. Os homens iam para a caça e as mulheres catavam, colhiam e alimentavam a cria. Quando os homens voltavam com a carne (não tinha geladeira!) dividiam e comiam tudo que era possível aguentar, porque a caça era difícil. Pausa 3: a necessidade de comer além do necessário era uma questão de vida ou morte, mas pode ter dado origem a nossa obesidade moderna. Os melhores caçadores tinham mais chance de propagar seus genes. Deviam se orgulhar disso e deviam “se achar”. As pinturas rupestres indicam que havia rituais antes das caçadas. Os deuses da caça eram “chamados” a ajudar e aquele que era o melhor caçador se achava tocado pelo deus. Iguais aos que vencem a Olimpíada, um jogo de futebol ou o The Voice. Foi deus que os escolheu. Viram? Hibris e Narciso não nos deixam, desde daquela época.
Durante a Idade Média as famílias queriam muitos filhos para ter mão de obra. Até o início do século XX as crianças não tinham voz nem espaço. Hoje as pessoas não caçam, mas compram. Não fazem artefatos ou ferramentas bem feitas, mas filhos lindos e maravilhosos que não podem ser contrariados nem ouvirem um não. Hoje, muitos pais criam Hibris, posto que se tornaram Narcisos.

O Universo somos nós


A História da Astronomia confunde-se com a história do desenvolver do intelecto humano. Enquanto o homem primitivo temia e observava o céu estrelado estava se iniciando uma das mais antigas preocupações científicas: o que seriam aquelas intrigantes luzes que vagavam por cima de suas cabeças? Praticamente todos os povos notaram que algumas luzes se deslocavam em relação ao fundo de céu. A postura deles diante desse fato é que se tornou peculiar. Alguns deram, a eles, o status de deuses e outros não passaram da constatação do fato, foi quando surgiram as diferenças entre religião e ciência. Nunca saberemos qual foi o momento em que algum homo (já sapiens?) fez a pergunta fundamental: “O que são aquelas luzes?”
Provavelmente não teria sido possível fazer a pergunta no sentido lato, pois, é provável, que esse dia tenha precedido a existência das palavras. A pergunta era, em essência, a manifestação primeva da vontade de saber – o anátema dos seres inteligentes –, mas, em potência, estava fundada a ciência.
As noites, duradoras e perigosas, eram expulsas pelas auroras a um intervalo de tempo regular. As estrelas “apagavam” e surgia uma grande bola de luz que, evidentemente, era também fonte de calor. Passeando entre as estrelas, vinha a Lua que se metamorfoseava em diversos “rostos” seguida por um séquito de pequeninas luzes que dançavam em seu caminho. Com certeza as estrelas testemunharam o surgimento do Homo e de seus processos cognitivos.
Muito tempo passou desde a primeira manifestação de curiosidade, tempo o suficiente para que o homem aprendesse que as estrelas não são fixas e que as pequenas luzes não são deuses. Tempo o suficiente para que a espécie sentisse saudade do tempo que éramos estrelas. Hoje sabemos que de lá viemos, por isso seu chamado é tão forte. Carregamos em nosso âmago a imensa nostalgia do Big Bang, a eterna presença de um ausente. Cada peça existente no Universo seja estrela, planeta, homem, planta ou átomo, traz, em si, a mesma essência. Somos, em essência, a Grande Explosão e em potência... o Universo!

Nós e a raposa


Quando eu era aluno do antigo ginásio no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro estudava latim – acho que o Pedro II era o único colégio que mantinha o latim em sua grade de ensino. O ano era 1966. O tempo passou e a memória conservou a imagem ilustrativa de um capítulo do livro na qual havia uma raposa olhando de perto uma máscara de tragédia – a personam tragicam.
A raposa se deslumbra com a beleza da máscara, fala com ela e não recebe resposta, então a pega e percebe: “Ò quanta beleza, mas não tem cérebro”.
É o anátema da aparência sem conteúdo. Muitas pessoas, objetos, fatos e interpretações têm somente aparência, uma pequena, mas eficaz análise mostra-nos que seus conteúdos são frívolos.
A Astronomia passou por sua fase de personam tragicam quando os homens admiravam o céu, deslumbravam-se com os eclipses, temiam os cometas e achavam que seus conteúdos eram divinos. Cada astro no céu já foi um deus e as manifestações meteorológicas eram ações daqueles deuses. Pouco a pouco os homens foram organizando o conhecimento, aprendendo a retirar um deus e a colocar uma informação em cada ponto do céu, assim o Mundo tornou-se uma personam tragicam diferente de todas, pois agora mostrava toda sua beleza e possuía conteúdo, o observador se imiscuiu com o observado – humanizou o Mundo e universalizou o homem.


Claros e escuros


A História da Astronomia confunde-se com a história do desenvolver do intelecto humano. Enquanto o homem primitivo temia e observava o céu estrelado estava se iniciando uma das mais antigas preocupações científicas: o que seriam aquelas intrigantes luzes que vagavam por cima de suas cabeças? Praticamente todos os povos notaram que algumas luzes se deslocavam em relação ao fundo de céu. A postura deles diante desse fato é que se tornou peculiar. Alguns deram, a eles, o status de deuses e outros não passaram da constatação do fato, foi quando surgiram as diferenças entre religião e ciência. Nunca saberemos qual foi o momento em que algum homo (já sapiens?) fez a pergunta fundamental: “O que são aquelas luzes?”
Provavelmente não teria sido possível fazer a pergunta no sentido lato, pois, é provável, que esse dia tenha precedido a existência das palavras. A pergunta era, em essência, a manifestação primeva da vontade de saber – o anátema dos seres inteligentes –, mas, em potência, estava fundada a ciência.
As noites, duradoras e perigosas, eram expulsas pelas auroras a um intervalo de tempo regular. As estrelas “apagavam” e surgia uma grande bola de luz que, evidentemente, era também fonte de calor. Passeando entre as estrelas, vinha a Lua que se metamorfoseava em diversos “rostos” seguida por um séquito de pequeninas luzes que dançavam em seu caminho. Com certeza as estrelas testemunharam o surgimento do Homo e de seus processos cognitivos.
Muito tempo passou desde a primeira manifestação de curiosidade, tempo o suficiente para que o homem aprendesse que as estrelas não são fixas e que as pequenas luzes não são deuses. Tempo o suficiente para que a espécie sentisse saudade do tempo que éramos estrelas. Hoje sabemos que de lá viemos, por isso seu chamado é tão forte. Carregamos em nosso âmago a imensa nostalgia do Big Bang, a eterna presença de um ausente. Cada peça existente no Universo seja estrela, planeta, homem, planta ou átomo, traz, em si, a mesma essência. Somos, em essência, a Grande Explosão e em potência... o Universo!