terça-feira, 12 de agosto de 2014

Paz, uma busca incessante
A nave norte-americana Galileu antes de seguir viagem para Marte, foi a Vênus e, ao retornar, passou pela Terra. Nessa ocasião, seus sensores Foram apontados para nosso planeta. Os cientistas perguntaram à nave se havia vida na Terra e a resposta foi:
– É provável.
Os instrumentos humanos foram incapazes de detectar seus criadores. Será que os deuses nos enxergam?
A imagem da Terra vista do espaço é, hoje, bastante conhecida e podemos perceber que é totalmente impossível “ver” países. As fronteiras não se revelam ao viajante do espaço. Quando podemos observar o planeta, percebemos que os homens é que criaram seus territórios, não a Natureza. As relações internacionais são movidas por interesses e ódios que não fazem sentido, se analisarmos o homem. Quantos povos se mataram, e ainda se matam, porque o “inimigo” nasceu do lado “errado” da margem do rio ou então acredita em um deus diferente (às vezes até no mesmo).
Não há o que justifique o ódio desenfreado a quem nem conhecemos. O inimigo não tem rosto nem nome. E só inimigo... E um ódio à terra onde nasceram...
Teremos paz quando não existirem mais brasileiros, norte-americanos, europeus ou asiáticos. A paz chegará no dia em que nos transformarmos em terrestres. Quando as fronteiras não mais existirem e os homens forem somente... Homens.

Quando isso ocorrer, teremos dado nosso passo mais importante na direção do que é relevante para o homem – estaremos transformando-nos em Cosmopolitas, isto é, em cidadãos do Cosmo...
FRÁGEIS FRONTEIRAS
Houve um tempo em que a uniformidade comandava a existência. Era uma época anterior à memória da Humanidade. Na ânsia pelo eterno, as formas universais foram lentamente se modificando. Pouco a pouco, diante de transformações ciclópicas, o mundo foi conquistando sua forma, as leis físicas codificaram-se, e o existir organizou-se.
Etapa por etapa, o mundo preparou-se para receber cada um dos objetos que o povoam. Objetos estes que não surgiram prontos, acabados; foram frutos da evolução, de modificações intrínsecas e extrínsecas que os viabilizaram.
Parte integrante desta programação universal, a Genética Estelar foi fator decisivo na formação do Mundo como o conhecemos. Como conseqüência dessa genética, viabilizaram-se os planetas e, um pouco mais tarde, o Homem, na Terra. A vida emerge do mar e toma conta do planeta. Do chão, levanta a cabeça, torna-se pensante, constrói instrumentos, aprende a falar. Grita aos céus. Busca o infinito, mas teme as profundezas da Terra... e da mente. Torna-se fruto do equilíbrio entre poder viver e poder morrer. Oscila de Eros para Tanatos.

O desenrolar do tempo acaba por gestar a consciência, acompanhada de seu gemelar, o inconsciente. As Fronteiras da Psique instauram-se, bifurca-se o caminho dos homens. O encontro, agora, é com Afrodite ou com Perséfone. Narrar a saga humana no Universo é uma tarefa que coteja a da águia que atacava Prometeu. Como seres históricos, que somos, torna-se um problema hercúleo compreender os processos que nos formam. Teríamos que ser retirados do Universo para alcançar nosso intento, mas aí... seria tarde demais...
                                                                Nós e os deuses

Uma voz, vinda de um passado remoto, nos conta que um dia homens e mulheres formavam um único ser – a Terra era habitada por seres hermafroditas. Um dia, Zeus – deus todo poderoso e masculino – separou aquele ser integrado em duas partes desiguais; o Homem e a Mulher. Desde então não houve mais uma satisfação completa e cada uma das partes saiu em busca do que lhe faltava.
Segundo Platão, portador deste mito, o amor nada mais é do que a nostalgia, sentida por aquelas partes, da época em que eram um único ser.
Essa busca serve de motivação para a própria vida. Tal um mecanismo de retroalimentação, a vida pode encontrar, nela própria, os motivos para existir.
Gerada ao acaso ou não, o que mais importa é que se tornou um meio travestido teleologicamente de objetivo. É um paradoxo que se manifesta na vida porque é vida. Não há compromissos com o concreto, com o consciente e com outra forma qualquer de compromisso.
É paradoxal, mas somos seres vivos que não sabemos o que seja a vida, ou, então, temos tantas versões sobre ela que não somos capazes de construir uma ideia clara sobre este fenômeno. A certeza que temos é a de que compartilhamos a vida e nos comunicamos.
São muitas as dúvidas e as certezas. Mas temos tempo. Somos parte da Vida que hoje se esforça por encontrar aquele tempo onde era apenas um futuro, somos a vida que procura entender por que está aqui, pisando este solo, voando este ar, nadando esta água.
Buscamos as respostas para estas perguntas com a força encontrada somente na saudade; saudade de um futuro ainda não vivido, apenas desejado. Não importa se buscamos as respostas por meio da Ciência ou da Filosofia. O objetivo é o mesmo: responder perguntas sem respostas.
Do alto do Olimpo. os deuses observam sua criação, observam os titãs que criaram que ainda não homens, mas um dia serão. Serão os adultos vindos daqueles seres – incompletos – que ajudaram a criar. Serão adultos cheios de crianças dentro de si. Crianças sem nenhuma pressa de crescer.
Quando pudermos ter certeza de nossa prisão, quando pudermos novamente olhar dentro dos olhos dos deuses do Olimpo, eles nos verão de uma outra forma, não mais como titãs mas como deuses seus irmãos.

O reencontro com a parte que nos faltava é a fonte do grande poder dos homens. Quando as partes se juntam, a antiga forma divina se refaz, a nostalgia é aplacada, e aí, somente neste momento, retomamos a nossa condição divina e podemos criar...
Os homens são o fruto do Cio de Gaia. Herdamos dela uma necessidade a mais para nossa sobrevivência. Precisamos manter-nos vivos, buscando alimentos, protegendo nossa prole, decifrando o Mundo-à-Volta e desenvolvendo a arte!

A demanda pelo conhecimento é o grande anátema dos seres inteligentes. Verifica-se, facilmente, que muitas informações que obtemos não afetam a qualidade da vida biológica, que não se “necessita” saber quantos satélites tem o planeta Saturno, mas a vida mental necessita! A carga biológica está imersa no indivíduo. A carga cultural é emersa do coletivo. Por isso a arte é capaz de exteriorizar o genético (o talento) para o coletivo apreciar!
Quando chega a hora de retornar a casa, à realidade é a dureza do pensamento objetivo e concreto que fica a nossa espera. Por que é necessário que assim seja? Por que não tentar transformar tudo em pensamentos leves, concretos sim, mas alimentados pela felicidade? Podemos encontrar matéria-prima bem ao alcance de nossas mãos, pois sabemos de que é feita a felicidade. Ela é composta de pequenas coisas em tamanho, mas enormes, em sua carga emocional. Ela é feita de uma neve que cai, de um campo florido, de um Sol que se põe, do sorriso de uma criança, enfim, de amor... O Sol nos dá luz e calor, a Terra, seu ar e seu chão. Não podemos desperdiçar-los. Cada ponto no céu existe como se nós fossemos a razão de tal existência. Tudo se passa como se o céu fosse nosso servidor. É necessário que tiremos alguma coisa de bom destas certezas, mesmo que seja a humildade com que o Universo se apresenta a nós – a humildade que somente um Senhor que se apresenta como servo, é capaz de nos ensinar. 
Nosso planeta é testemunha de tantos sons de batalhas, de agonias e de escárnio que todos sentimos que está chegando o momento de parar. O que o homem criou deverá ser freado somente pelo homem. Já tivemos tempo suficiente para concluir que não podemos esperar mais que os deuses desçam das montanhas ou de suas nuvens para nos salvar. A solução está em nós – dentro de nós, bem lá dentro...

O problema mais grave que afeta a humanidade não tem causas exteriores a ela, mas sim intrínsecas a todos nós. O advento do desenvolvimento da inteligência na espécie gerou a possibilidade de criarmos a ciência e a tecnologia. Elas, filhas de todos os homens, desenvolveram-se rapidamente, deixando para trás o que deveria ter ido à frente: o desenvolvimento ético. Nesse campo ainda estamos nas cavernas: somos neandertais!
Nossa força interior é a essência da existência dos deuses. Os deuses que os homens criaram são demiurgos – ficcionistas – e nós, as criaturas, somos os personagens! A existência torna-se uma grande peça teatral. Mas não é assim, demiurgos somos nós, uma vez que criamos deuses tão poderosos! Eles são os personagens! Nós somos os ficcionistas.

Possuímos uma característica bastante diferente de todos os construtores de palco, uma vez que não batemos nenhum prego em nosso mundo. Ao construirmos uma cadeia causal, verificamos que temos uma Grande Explosão em nossa origem – o caos! Um pouco de organização foi se impondo ao caos... Mais um tempo e as estrelas permitiram a nossa chegada. Somos a ordem imposta ao caos, mais ou menos como a obra do Deus hebreu que não é bem um demiurgo, uma vez que sua obra foi ordenar o caos e não criá-lo. Somos o Universo, somos estrelas, somos o planeta, somos personagens de nossa própria trama, uma vez que cumprimos o anátema de representar o que não escrevemos. Mas o que existirá atrás da coxia que não construímos... mas habitamos?
Esse ano está fazendo 100 anos que começou a 1ª Guerra Mundial. 100 anos que começou a se desenhar a 2ª Guerra Mundial. Aquela foi uma das guerras mais difícil para os soldados, lutando em trincheiras lamacentas, cheias de ratos e piolhos. Um soldado infestado de piolhos ficou com a “febre de trincheira” não era fatal, mas debilitava. Esse soldado foi retirado da frente de batalha com 40 graus de febre e não voltou mais para o combate. Os piolhos mudaram a história da literatura mundial, uma vez que o nome do soldado era J. R. R. Tolkien que viria a escrever o “Senhor dos Anéis”. Na 1ª Guerra também foi a estréia do uso de gás para matança em massa. O gás cloro matava de forma bárbara, com muito sofrimento para os soldados, alguns que estavam mais distantes da nuvem de gás ficavam cegos. Era uma cegueira temporária como a que acometeu um soldado austríaco que foi para o hospital se curar da cegueira. Um tempo depois esse soldado escreveu suas memórias: “Seguiram-se dias terríveis e noites ainda piores – eu sabia que estava tudo perdido... Nessas noites o ódio cresceu em mim... Confinado àquela cama, veio à minha cabeça a ideia de que eu um dia libertaria a Alemanha, que um dia eu a tornaria grande de novo”. Seu nome? Adolf Hitler! Foi assim que a 2ª Guerra começou na primeira!
Com um azul suave, a Terra se mostra bela e tranqüila a um viajante do espaço. De longe, lá do alto de uma órbita, é totalmente impossível detectar-se qualquer indício de que o planeta abriga vida. Vista de uma grande distância, a sensação é de paz e de tranqüilidade. Imersa no frio e no silêncio do espaço, nossa residência planetária navega sua órbita em torno do Sol quase indiferente à presença de seus tripulantes. Dentre todos os planetas do Sistema, o nosso se destaca, com seu azul, tal um farol que indica ao navegante do espaço quão belo é o porto a que se dirige.
A “quilha” da razão abre caminho e avançamos sabendo que o conceito absoluto de liberdade é destituído de respaldo na realidade física. Viver em sociedade nos impede de realizar conceitos absolutos. Não somos livres para morrer, assim como não somos livres para nascer. Somos livres, sim, para odiar e para amar. Ser absolutamente livre, em seu sentido lato, é estar... morto! Temos que aprender que ser livre é ter consciência de qual é a nossa prisão! Enquanto habitarmos um mundo em que a cada dois segundos morre uma criança; enquanto habitarmos um planeta que gasta um trilhão de dólares por ano em armamentos; enquanto não aprendermos a perder, estaremos apenas nos exercitando, ensaiando, para sermos livres.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Aristóteles defendia que os homens se tornam o que são por meio do hábito. O bom músico se torna bom músico tocando, assim como um bom cirurgião se torna bom cirurgião operando. Para uma pessoa ser boa ou má também passa pelo hábito. Os maus desenvolvem a excelência de ser mau, os bons a de serem bons. Não podemos dar o que não temos. Podemos mudar, é claro, mas precisamos querer fazê-lo. O bem precisa ser praticado, assim como o mau também o necessita. É a prática que leva à excelência. Estou bem perto de onde quero chegar com essa falação. Durante o desenvolvimento das sociedades humanas vimos formas alotrópicas de uma mesma ação. Nos reinos, os nobres tinham direito à terra e à produção pelo sangue (não o derramado, mas o contido em suas veias). Não trabalhavam para ter riqueza, era destino. O enfado, a falta de ocupação, a falta de objetivos criavam, pela prática, pessoas ruins, desprezíveis (na média é claro!), arrogantes, prepotentes e cheios da certeza de que eram o que eram por direito divino. O tempo passa e nos vemos diante da revolução industrial. Os novos empreendedores não eram nobres! Nenhum nobre gerou indústria! A criatividade se esconde do conservadorismo. Eram pessoas criativas que desenvolveram negócios inovadores e ficaram ricos, mais que os nobres. E os industriais (principalmente seus descendentes que receberam tudo por meio do sangue!) tornaram-se os novos arrogantes. Nos dias atuais os “enriquecidos” são os artistas, modelos, jogadores de futebol, e mais algumas atividades que não passam muito bem pelo intelecto. Os infantes querem ser jogadores de futebol e as infantas querem ser “modelo e atriz”! Pior do que isso, seus pais também querem! Assim é fácil ver porque a educação está em decadência. As famílias não entendem o crescimento social pelos valores humanos, mas sim pelo dinheiro que acumulam. Diante da constatação de que a grande maioria dos “prepotentes” de hoje vieram de lugar nenhum, percebemos a necessidade de pisar em seus iguais para que possam se sentir diferentes! E o povo? Esse era açoitado pelos nobres, explorado pelos “industriais”, desprezados pelos novos senhores da sociedade. Assim também classifico os políticos, são pessoas que, por hábito, desenvolvem a essências de ser mau.

“A felicidade para Aristóteles corresponde ao hábito continuado da prática da virtude e da prudência.” É por isso que o Mundo está infeliz!
Aquele foi um dia perfeito. O Sol nasceu a leste, subiu pelo céu, empurrou a manhã e deixou atrás de si a tarde, que puxa o lusco-fusco de mais um anoitecer. A luminosidade caiu monotonamente em direção à escuridão. As estrelas mais brilhantes chegaram embaladas por nossos sentimentos. A grandiosidade do céu estrelado impregnou nossas mentes. É uma sensação atávica de respeito e curiosidade por um chamado que nos domina, que nos leva a pensar e a desejar...
Diante da rotina quase nos enganamos que aquele dia era comum, mas não era. Havia algo muito diferente. A Lua possuía dois habitantes, humanos, frágeis, mas que foram capazes de imprimir uma pegada na História. A famosa pegada de Armstrong não ficou somente no solo lunar, ficou em nossos corações e mentes. Nosso berço não era mais capaz de nos segurar, partimos para o espaço para cumprir uma saga imanente a todos os homens, eles, os astronautas, não eram simples astronautas, eram um réquiem, nunca tocado, a nossa prisão gravitacional. Havíamos descoberto a chave, abrimos a porta, partimos navegando no silencio que dilacerava Pascal em direção a um futuro necessário. Fomos para dar cumprimento à forte pulsão humana de conhecer.

Fomos e... não voltamos. Não há dinheiro, em um planeta que se mata, para destinar ao espaço. Um porta-aviões nuclear custa mais do que todo o projeto Apollo custou. Um dia voltaremos a Selene descansados, felizes e não tão frágeis. Brecht disse que “a única finalidade da ciência é diminuir a canseira da existência humana”. Quando voltarmos estaremos mais descansados, nunca inteiramente, pois ainda existirá muito do Universo a ser descoberto, enquanto isso a lua continuará iluminando os homens, ausente de suas crendices, incólume aos medos e mitos. Não importa o que os homens pensem a seu respeito, ela continuará seu caminho, servindo unicamente como relógio ou calendário, pois todos os poderes atribuídos a ela estão realmente... dentro de nós.
Os ocidentais são, na realidade, manifestações dos gregos antigos. Quem nos ensinou a fazer História foi Heródoto; aprendemos sobre o amor com Platão; aprendemos sobre a vida e a morte com as conversas de Criton com Sócrates momentos antes de sua própria morte; aprendemos que a Terra é redonda e qual o seu tamanho com Erastóstenes; aprendemos que a Terra gira em torno do Sol com Aristarco de Samus; aprendemos a aplicar a matemática na Astronomia com Eudoro de Cnido; aprendemos a fazer comédias com Aristófanes e tragédias com Sófocles e Ésquilo; aprendemos sobre os deuses (e muito sobre os homens) com a Teogonia de Esíodo.
Lá aprendemos que o caçador Órion após ser perseguido e injustiçado foi transformado em constelação; que Andrômeda após ter sido salva por Perseu de ser devorada por um monstro marinho foi transformada em constelação, juntamente com seu salvador Perseu; que Calisto amor ilegítimo de Zeus foi transformada em urso pela esposa enganada e mudada para constelação (a Ursa Maior) por Zeus; que o Monte Olimpo (grande metáfora do ser humano) mostrou a Freud as metáforas da psicanálise (as diversas trindade cosmogônicas: a trindade grega Zeus, Netuno e Plutão, a trindade indu Brahma Shiva Vishnu; a cristã, Pai, Filho e Espírito Santo e a freudiana Id, Ego e Superego).

Assim podemos perceber que a mitologia grega nos ensinou que as pessoas boas, vitimizadas e injustiçadas vão para... o céu! Eu acho que já ouvi isso em algum lugar...