Aquele foi um dia perfeito. O Sol nasceu a leste, subiu pelo
céu, empurrou a manhã e deixou atrás de si a tarde, que puxa o
lusco-fusco de mais um anoitecer. A luminosidade caiu monotonamente em direção
à escuridão. As estrelas mais brilhantes chegaram embaladas por nossos
sentimentos. A grandiosidade do céu estrelado impregnou nossas mentes. É uma
sensação atávica de respeito e curiosidade por um chamado que nos domina, que
nos leva a pensar e a desejar...
Diante da rotina quase nos enganamos
que aquele dia era comum, mas não era. Havia algo muito diferente. A Lua
possuía dois habitantes, humanos, frágeis, mas que foram capazes de imprimir
uma pegada na História. A famosa pegada de Armstrong não ficou somente no solo
lunar, ficou em nossos corações e mentes. Nosso berço não era mais capaz de nos
segurar, partimos para o espaço para cumprir uma saga imanente a todos os
homens, eles, os astronautas, não eram simples astronautas, eram um réquiem,
nunca tocado, a nossa prisão gravitacional. Havíamos descoberto a chave,
abrimos a porta, partimos navegando no silencio que dilacerava Pascal em
direção a um futuro necessário. Fomos para dar cumprimento à forte pulsão
humana de conhecer.
Fomos e... não voltamos. Não há
dinheiro, em um planeta que se mata, para destinar ao espaço. Um porta-aviões
nuclear custa mais do que todo o projeto Apollo custou. Um dia voltaremos a
Selene descansados, felizes e não tão frágeis. Brecht disse que “a única
finalidade da ciência é diminuir a canseira da existência humana”. Quando voltarmos
estaremos mais descansados, nunca inteiramente, pois ainda existirá muito do
Universo a ser descoberto, enquanto isso a lua continuará iluminando os homens,
ausente de suas crendices, incólume aos medos e mitos. Não importa o que os
homens pensem a seu respeito, ela continuará seu caminho, servindo unicamente
como relógio ou calendário, pois todos os poderes atribuídos a ela estão
realmente... dentro de nós.
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