segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Aquele foi um dia perfeito. O Sol nasceu a leste, subiu pelo céu, empurrou a manhã e deixou atrás de si a tarde, que puxa o lusco-fusco de mais um anoitecer. A luminosidade caiu monotonamente em direção à escuridão. As estrelas mais brilhantes chegaram embaladas por nossos sentimentos. A grandiosidade do céu estrelado impregnou nossas mentes. É uma sensação atávica de respeito e curiosidade por um chamado que nos domina, que nos leva a pensar e a desejar...
Diante da rotina quase nos enganamos que aquele dia era comum, mas não era. Havia algo muito diferente. A Lua possuía dois habitantes, humanos, frágeis, mas que foram capazes de imprimir uma pegada na História. A famosa pegada de Armstrong não ficou somente no solo lunar, ficou em nossos corações e mentes. Nosso berço não era mais capaz de nos segurar, partimos para o espaço para cumprir uma saga imanente a todos os homens, eles, os astronautas, não eram simples astronautas, eram um réquiem, nunca tocado, a nossa prisão gravitacional. Havíamos descoberto a chave, abrimos a porta, partimos navegando no silencio que dilacerava Pascal em direção a um futuro necessário. Fomos para dar cumprimento à forte pulsão humana de conhecer.

Fomos e... não voltamos. Não há dinheiro, em um planeta que se mata, para destinar ao espaço. Um porta-aviões nuclear custa mais do que todo o projeto Apollo custou. Um dia voltaremos a Selene descansados, felizes e não tão frágeis. Brecht disse que “a única finalidade da ciência é diminuir a canseira da existência humana”. Quando voltarmos estaremos mais descansados, nunca inteiramente, pois ainda existirá muito do Universo a ser descoberto, enquanto isso a lua continuará iluminando os homens, ausente de suas crendices, incólume aos medos e mitos. Não importa o que os homens pensem a seu respeito, ela continuará seu caminho, servindo unicamente como relógio ou calendário, pois todos os poderes atribuídos a ela estão realmente... dentro de nós.

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