sexta-feira, 9 de julho de 2010

Erros e... erros!

Quando o assunto é falar bobagens, nós as minhocas encontramos boa companhia entre os "cobras". Vejam as "pérolas" que já foram ditas e escritas pela elite:




A influência de Hitler está se desvanecendo tão depressa que o governo não teme mais o crescimento do movimento nazista. Willian C. Bullit, diplomata americano em carta ao presidente Franklin Roosevelt, 1932


As chances de a Alemanha realizar um rápido trabalho de aniquilamento na Polônia não são boas.
Major George Fielding Eliot, especialista americano em assuntos militares, 1930


A moderna teoria alemã de vitória por uma blitzkrieg ainda não foi testada e, na opinião de muitos especialistas, é inviável. O exército francês ainda é a máquina de guerra mais forte da Europa.
Revista Time, 1939


Embora seja natural que as pessoas se sintam chocadas com o brutal assassinato do arquiduque, é impossível negar que seu desaparecimento está destinado a diminuir as tensões na Europa em geral e a contribuir para a paz tanto dentro como fora das fronteiras do Império Austro-Húngaro. Francisco Ferdinando era considerado um fator de perturbação, dntro e fora de sua pátria, e de tal forma devotado a uma política agressiva que a notícia de sua morte parece quase calculada para criar um clima de alívio universal.
Comentário de F. Cunlife-Owen, especialista em assuntos internacionais do jornal New York Sun feito no dia seguinte do atentado ao arquiduque.


Muito pouca imaginação é demonstrada na invenção e na criação dos personagens e da trama. O lugar do sr. Balzac na literatura francesa não será nem alto nem considerável.
Eugene Poitou, crítico literário francês sobre a obra de Honoré de Balzac, 1856


Só a raça nórdica pode emitir sons de impecável clareza, enquanto entre os não nórdicos a pronúncia é impura, os sons individuais são confusos e parecem barulhos produzidos por animais.
Hermann Gauch, etnologista alemão, 1933


A constituição mental de um negro é normalmente de boa índole e alegre, mas sujeita a repentinos períodos de emoção e paixão diante dos quais ele é capaz de desenvolver atos de singular atrocidade. depois da puberdade, os assuntos sexuais tomam o primeiro lugar na vida e nos pensamentos de um negro.
Walter Francis Wilcox, chefe do Bureau do Censo americano, 1911


Tomar conhecimento do profundo envolvimento de sua organização nos mais nobres assuntos sociais e constitucionais de nosso país é uma grande inspiração para mim.
Walter Mondale, vice-presidente americano em carta a Jim Jones, alguns dias antes do reverendo promover o ritual de suicídio coletivo na Guiana.


É uma invenção curiosa, mas quem desejará utilizá-la?
Rutherfor Hayes, presidente americano diante da demonstração do telefone feita por Graham Bell.


Quando a exposição de Paris fechar, a luz elétrica fechará com ela, e nunca mais se ouvirá falar no assunto.
Erasmus Wilson, professor inglês da Universidade de Oxford ao assistir a demonstração feita por Thomas A. Edison


As idéias socialistas que Karl Marx tentou propagar não conseguiram deixar uma impressão duradoura.
Obituário de Marx no jornal Daily Alta California, 1883.


Penso impossível o governo soviético durar muito.
David Francis. embaixador americano em Moscou, dezembro de 1917


O senhor Castro tem sido acusado de simpatias comunistas, mas na verdade ele está à direita do sr. Fulgêncio Batista.
Revista inglesa The Economist, 1958


A análise fisionômica de Hitler revela sua imensa amabilidade. Sim, ele é amável. Observem-no entre a s crianças...
Alphonsus de Chateaubriand, escritor francês, 1939


Está claro, de uma vez por todas, que a Terra está no meio do mundo e os pesos giram em torno dela.
Ptolomeu, astrônomo de Alexandria


A sede da alma e dos movimentos voluntários deve ser procurada no coração. O cérebro é um órgão de importância secundária.
Aristóteles, filósofo grego


Asseguro a vocês que Wellington é mau general e os ingleses são maus soldados. Tudo estará liquidado na hora do almoço.
Napoleão Bonaparte na manhã da batalha de Waterloo


Acredito que nos daremos muito bem com ele (Stálin) e com o povo russo. Muito bem mesmo.
Franklin Delano Roosevelt, 1943


Minha invenção pode ser explorada como uma curiosidade científica, mas não tem valor comercial.
Auguste Lumière, inventor do cinema


Compre Maurins! Lautrec é só o pintor de um período. Há só dois pintores que contam, Ingres e Maurins.
Degas, pintor francês aconselhando o colecionador Henry Laurent


Em 100 anos, os manuais de literatura francesa apontarão As Flores do mal, de Baudelaire, apenas como uma curiosidade.
Emile Zola, escritor francês, 1867


A televisão não ficará seis meses no mercado. Quem agüenta ficar em frente a uma caixa de madeira todas as noites?
Darryl Zanuck, presidente da 20th Century Fox, 1946

Os clássicos Gregos e Romanos

É indubitável que a sociedade ocidental está calcada em pilares profundamente cravados na Grécia Clássica e na Roma Antiga. Nossa forma de pensar, nossos termos científicos, a presença de certos costumes, os padrões do trágico e do cômico, enfim... nós, ocidentais, somos o cadinho onde foram fundidas as duas grandes culturas.




A leitura dessas obras – falação vinda de um nevoeiro longínquo – deveria ser leitura obrigatória nas escolas do Ensino Médio, juntamente com Jacis, Bentinhos e Gulivers e Otelos, afinal a literatura deve ser humana e não somente brasileira ou... qualquer outra coisa.


A grande característica dos autores clássicos era de expor as fraquezas humanas por meio da conduta e das falas de seus personagens. O pessimista trágico Sófocles mostra-se inteiro quando defende em suas peças que os erros, a dor, a incompreensão e a ignorância permeiam as ações humanas e mesmo os inocentes são vitimados pelos irresistíveis desígnios dos deuses, uma vez que ele não acreditava em uma Justiça divina. Já Eurípides no século V a. C. construía suas personagens femininas muito mais fortes e ilibadas que as personagens masculinas. Para o poeta grego, as mulheres eram o baluarte da moral, da família e da pátria.


Como contraponto à tragédia existem as comédias, como as de Aristófanes, talvez o mais irreverente dos autores clássicos. A preocupação da ordem estabelecida com os ácidos textos do grego nascido no século V e morto no IV antes de Cristo era tamanha que na peça Pluto (A riqueza), o autor foi proibido de mencionar personagens vivas. Esta é a última peça conhecida de Aristófanes, escrita em 388 a. C. A riqueza mostrava que os bens são tão mal distribuídos porque o deus da Riqueza tinha problemas de vista! Óculos que fazem falta até nossos dias nos “deuses” contemporâneos.


Eles também erravam. E erravam feio! Aristóteles afirmava que “A sede da alma e dos movimentos voluntários deve ser procurada no coração. O cérebro é um órgão de importância secundária”.


Isso os aproxima mais de nós!


A leitura dos textos clássicos serve, sobretudo, para dois propósitos: dar acesso à cultura clássica e para mostrar que as sociedades humanas mudam, ao longo do tempo, mas permanecem, na essência, exatamente iguais!

E ela se move...

Sempre será oportuno pensar sobre o passado. Hoje que já estamos vivenciando o século XXI, torna-se natural um retrospecto do século XX. Quando pensamos que juntamente com o século XX acabou o segundo milênio da era cristã, nossas mentes são atropeladas pelo desejo de construir imagens que possam retratar nossa trajetória pelos últimos mil e poucos anos.




Do ano 1001 até o presente, a ciência e a tecnologia humanas sofreram mudanças radicais em conteúdo e forma – abandonamos a busca pela pedra filosofal mas ainda temos nosso graal – devemos tê-lo enquanto mantivermos as características humanas –, e faz parte de nossa estrutura perseguir o horizonte ou buscar, sempre, o fim do arco-íris.


Johannes Kepler (1571-1630), parece-me, alcançou o seu ao descobrir suas três leis que de-ram forma – aprimoraram – ao Sistema Solar de Nicolau Copérnico (1473-1543). A aceitação da presença do Sol no centro do sistema planetário – heliocentrismo – no lugar da Terra – geocen-trismo – foi uma mudança bastante drástica e muito trágica para muitos pensadores. O heliocen-trismo não era uma idéia nova nos tempos copernicanos, uma vez que antigos gregos (c. 300 a.C.) já haviam levantado essa hipótese. Essa idéia foi abandonada por força de preconceitos e da prepotência religiosa, alimentados pela necessidade de sermos diferentes no Universo. Tínhamos de ocupar um lugar privilegiado, diferenciado, enfim, tínhamos de ser... homens.


Copérnico foi “reabilitado” por Kepler de uma injustiça feita à sua obra maior, o De revolu-tionibus orbium coelestium [Sobre a revolução dos orbes celestes], na qual, Copérnico apresenta sua teoria heliocêntrica. O astrônomo estava muito doente e, quando o livro foi publicado, encontrava-se em seu leito de morte e um exemplar foi colocado em suas mãos. Copérnico faleceu segurando o Revolutionibus, nunca soubemos se ele teve consciência do que segurava.


Ele não soube que fora introduzido, sem sua autorização, um prefácio no qual era afirmado que tudo o que estava contido na obra era apenas um artifício para facilitar os cálculos astronô-micos relativos aos planetas e ao Sol. Todos pensavam que Copérnico acovardara-se, pois era cônego. Kepler descobriu a fraude e a denunciou, reabilitando o polonês.


A história da ciência é repleta de “histórias” fascinantes e trágicas. Giordano Bruno (1548-1600) é um caso exemplar: foi queimado na fogueira santa em 17 de fevereiro de 1600, por afir-mar, entre outras coisas, que poderia existir vida em outros planetas, fora do Sistema Solar. Foi um fim trágico para o século XV.


Nove anos após, Galileu Galilei (1564-1642) recebeu de presente de um de seus discípulos uma curiosidade ótica trazida da Holanda, que era usada pelos capitães de navios e pelo pessoal dos portos para verificar a chegada dos navios, desde o horizonte: a luneta.


Galileu, físico, médico, músico e astrônomo, aperfeiçoou o instrumento e apontou-o para o céu. O que viu, mudou a história da ciência. Descobriu que a mancha esbranquiçada que atraves-sa o céu (o Caminho de São Tiago ou Via-láctea) era, na realidade, uma enorme reunião de estre-las, descobriu que o planeta Júpiter tinha “pequenos mundos” girando à sua volta, descobriu as fases do planeta Vênus. Essas descobertas somente eram compatíveis com o sistema heliocêntri-co. Ele estava vendo que nem tudo girava em torno da Terra. Galileu enviou uma luneta de pre-sente para Kepler que, apesar de muito míope, deslumbrou-se com a descoberta dos “pequenos mundos” jovianos e imediatamente criou uma palavra para designá-los – satélites, que significa “guarda (“aspone”, parasita) de um prícipe”.


De acordo com os estudos físicos de Galileu, se ao abandonarmos um corpo em um plano inclinado, não existir atrito, o corpo se move para sempre. Essa comprovação é a lei da inércia que foi enunciado por Newton anos mais tarde. Kepler e Galileu são os “ombros dos gigantes” onde Isaac Newton (1642-1727) subiria para “enxergar até onde enxergou”, conforme admitiu em sua correspondência com Edmond Halley (1656-1742).


Newton nascido no dia de natal do ano de 1642 – ano em que faleceu Galileu, que, por sua vez nasceu no ano em que morria o escultor e pintor Michelangelo di Lodovico Buonarroti Si-moni (1475-1564) – contribui de forma extraordinária para a formação do conhecimento científi-co nos campos da Astronomia e da Física. A gravitação universal estava no ar desde que Kepler publicara suas três leis, particularmente a 3a Lei, Newton teve a visão de codificar as idéias para construir uma teoria cientificamente viável e capaz de explicar inúmeras questões que tiravam o sono dos astrônomos, menos uma: o avanço do periélio do planeta Mercúrio. Ao mesmo tempo em que os planetas orbitam o Sol, suas próprias órbitas também giram ao redor do Sol. A maior das rotações ocorre com a órbita de Mercúrio e não era possível entender o por que até que surge o século XX e Albert Einstein (1879-1955) nos explica.


A Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1905 modifica drasticamente o conceito de gravidade, abandona a conotação newtoniana de “ação à distância” e introduz o conceito relati-vístico de geometrização do espaço.


É o inexorável caminho da ciência definido por Bertold Brecht (1898-1956), por meio da boca de Galileu na peça de mesmo nome: “eu afirmo que a única finalidade da ciência é a de diminuir a canseira da existência humana”.

A sombra de Tanatos

Será que a cor branca é a cor mais indicada para representar a Paz? Certamente não. O branco apenas é a cor dos homens que a escolheram para tal fim. A cor mais indicada seria o preto. O preto que usamos para representar o luto, a dor, é a cor do espaço. O negro do espaço que, democraticamente, acolhe estrelas e planetas que cumprem seu destino criteriosamente dentro de regras que não são vilipendiadas por desejos escusos de seus membros. O caminho das estrelas é o caminho da Paz. Aqueles que o trilham, o fazem em harmonia com o Cosmo.


Desde que o Universo nasceu em um longínquo e imponderável Big Bang, cada um dos elementos do Cosmo vem cumprindo o seu destino. Até que surgiu a vida e, mais tarde, a inteligência. Tudo se modificou. Tal um preço, as civilizações inteligentes passam por urna “adolescência” quando é determinado se alcança a fase adulta ou não.


A Ciência humana manipula dados e instrumentos que têm dois gumes. A energia. que destrói e mata, impulsiona nossas naves através do espaço interestelar. Os instrumentos que direcionam e rastreiam as naves espaciais que levam os olhos e ouvidos humanos até os planetas distantes, servem para direcionar e rastrear os mísseis que levam a morte e a destruição sobre as etéreas fronteiras que separam os homens e seus direitos.


A vida provavelmente é um evento corriqueiro no Universo. Mas as condições de cada um dos planetas são tão singulares que é uma certeza o fato de que jamais encontraremos homens em nenhum outro lugar. Os caminhos da evolução são muito próprios e cheios de atalhos e idiossincrasias para que possamos esperar que ocorram em um outro planeta, as mesmas etapas que se passaram na Terra. Como escreveu, certa vez, o astrônomo norte americano Carl Sagan: “Se um ser humano discordar de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, não encontrará ne-nhum outro”.


O caminho evolutivo do Homem na Terra, certamente não deve ser interrompido pelos próprios homens. Parece que além de raros, somos perigosos: A aventura. do homem se iniciou há alguns milhares de anos, nas pradarias terrestres e deve continuar nos mais distantes recônditos do espaço interestelar.


Muitas críticas são feitas aos programas espaciais, como sendo algo desnecessário diante da fome mundial. Este é um fato concreto – há fome no planeta. Será que a “culpa” é da pesquisa espacial?


Um programa de exploração, não tripulada, dos planetas não é muito caro, devemos nos lembrar que um programa deste tipo demora, às vezes, alguns anos. Os Estados Unidos gastaram nas Ciências Espaciais, desde que a NASA foi fundada., em 1959, até o final do ano de 1980, o equivalente a três submarinos nucleares ou o que é gasto em único ano para montar-se um sistema nuclear de defesa!


Gastou-se menos nos programas espaciais dos Estados Unidos e da União Soviética, juntos do que os americanos gastaram no bombardeio ao Camboja. O custo total da missão Vicking, até Marte, ou das Voyager, que estão viajando para fora do Sistema Solar é inferior ao custo da invasão russa ao Afganistão. Parece que o ônus da fome não cabe à pesquisa espacial.


Soma-se a estes gastos que oneram o equilíbrio mental da espécie, o medo de um conflito nuclear. Qual é o risco concreto que paira sobre nosso futuro?


As chances de um conflito nuclear, baseado em um indício racional, são quase nulas. Porque os principais beligerantes mesmo que provocassem a guerra nos países dos outros, sofreriam as consequências. A Economia Mundial seria destroçada (mesmo sem a bomba os políticos já estão logrando êxito neste sentido). Onde as grandes potências instalariam suas industrias poluidoras? Onde conseguiriam mão-de-obra praticamente escrava? Que países sobrariam para serem “salvos” pelos guardiões – autoproclamados – da liberdade alheia, mesmo que os “salvados” não o quisessem ser? Portanto, de certa forma estamos protegidos de um combate nuclear pelo próprio cinismo dos detentores dos botões nucleares.


De forma nenhuma estamos protegidos da guerra final se levarmos em conta o “patriotismo” dos governantes. Que brincam de cowboys com o destino de todo o planeta...


Se este dia chegar, como serão as conseqüências? Da vida restará a saudade. A biosfera transformar-se-á em uma. “tanatosfera”. E o planeta? Este é maior do que os homens. A Terra continuará seu curso ao redor do Sol, somente lamentando a morte de seus parasitas. Tudo terá sido em vão. Toda. a saga humana terminará em segundos; toda a obra de milhões de anos terá encontrado seu inútil fim nas mãos de dois homens. Para o Universo, o “Dia Seguinte” será igual ao anterior. Ninguém tomará conhecimento de que algo belo e promissor deixou a existência. Nenhum violino tocará um réquiem à espécie que saiu de um presente e imergiu na eternidade do passado.


Convivemos, hoje, com uma bomba talvez maior do que a nuclear. É a bomba social, que um dia explodirá. Neste dia, as fronteiras cairão. O homem compreenderá que é exatamente igual a quem nasceu na outra margem do rio ou na praia oposta de um mesmo oceano. O planeta é habi-tado por homens, não por brasileiros ou bolivianos... No dia que reconhecermos nós mesmos no interior dos outros, ouviremos os “clics” do desarmamento dos gatilhos atômicos. Nossa ansiedade é para que os cowboys que governam o destino do Mundo, dêem tempo para que os homens se identifiquem nos companheiros e não somente quando se miram no espelho.

Os Universos Paralelos

 

Eles existem? A resposta que podemos dar, com certeza, a essa pergunta é: sim e não!
Matematicamente, os Universos paralelos existem; fisicamente, é muito pouco provável. A Matemática “pode” mais do que a Física. A Matemática pura pode pensar e gerar o que bem entender, apenas precisa não contrariar os princípios matemáticos. A Física necessita de um respaldo na realidade que, muitas vezes, nos deixam bastante frustrados.
Os Universos paralelos seriam Universos iguais ao nosso na essência, mas diferentes na potência. Os Universos seriam “criados” cada vez que surgem possibilidades viáveis de ocorrerem. Por exemplo; Hitler sofreu cerca de 39 atentados contra sua vida, em nosso Universo, todos frustrados, mas em outros tiveram sucesso e, aí, a história... foi outra.
Mas vamos começar pelo “princípio”!
A relatividade geral ensina que o Mundo é quadrimensional, isto é, temos três dimensões de espaço e uma de tempo não mais separadas como ensinava a física clássica, mas reunidas em uma só entidade – o espaço-tempo. Uma consequência básica disso é que precisamos de quatro coordenadas para localizarmos um evento qualquer. Na prática já sabíamos disso. Quando marcamos encontro com uma pessoa (por exemplo, com a namorada ou com o namorado), precisamos dizer o endereço do ponto de encontro – são as três coordenadas espaciais – e a hora – a quarta coordenada. Não sendo assim, corremos o sério risco de chegarmos atrasados (até mesmo no dia errado!) e perdemos a chance de mudar o nosso futuro!
Estamos todos de acordo com a existência de quatro dimensões para o Universo. Agora vamos pensar grande. Todo o Universo existindo com quatro dimensões. O Mundo é quadrimensional, finito e contínuo. A finitude e a continuidade não são contraditórias como pode parecer a um primeiro exame. Imaginemos uma esfera, uma bola (aquele objeto que a Seleção Brasileira não não acerta nas horas que deve!). Ela é finita e contínua se considerarmos sua área. Uma formiga que passeie sobre a superfície da bola, jamais encontrará uma região que seja “não-bola”. Portanto, uma esfera é finita e contínua. Assim ocorre com o Universo: é esférico, finito, contínuo, quadrimensional e... fantástico.
Uma definição extremamente básica para o Universo é que ele contém tudo o que existe. Ele simplesmente é. Decorre imediatamente a pergunta: O que existe “fora” do Universo?
Simples (será mesmo?!). Fora do Universo existe: nada!!!! Mas não é um nada simples, é um nada com mesma força do tudo. É nada mesmo. Se o Universo contém tudo, contém matéria energia, espaço e tempo, o que sobra para o nada? Nada! É a ausência completa de matéria, de energia, de espaço e de tempo!!!
Não devemos confundir com vácuo, que é um nada mais “mixuruca”, pois o vácuo é “apenas” a ausência de matéria. O Nada que existe “fora” do Universo tem a incrivelmente bela característica de não ter característica! Não podemos atribuir qualidades ao Nada porque precisamos de referências para dar atributos a qualquer entidade concreta ou abstrata.
O Nada não é claro nem escuro, nem frio nem quente, nem bonito nem feio: não é nada!
Somente podemos dizer sobre ele que é... descontínuo!
Sim, o Nada é descontínuo. Como é possível? Vamos fazer um exercício de imaginação. Lembremos da nossa formiga que passeava na bola da qual já falamos. Ela não encontra nenhuma região que seja “não-bola”, certo? Agora vamos fazer um esforço de imaginação para retratarmos o Nada. Um imenso nada. Vamos pôr nossa formiga lá. Ela vem “passeando” pelo Nada e não encontra nada... até dar “de cara” com o Universo!!! Somos a descontinuidade do Nada! Que glória maior podemos imaginar?
Matematicamente falando, o nosso Universo seria um entre tantos outros possíveis, “criado” pelas possibilidades que as bifurcações geradas pelas dúvidas geram. As diferenças que decorrem desse novo rumo da história podem ser tão significativas que os Mundos vão ficando tão diferentes que poderia ocorrer uma impossibilidade de reconhecermos um Universo paralelo caso o visitássemos. Como, por exemplo, um mundo no qual os dinossauros não tenham sido extintos, se Bartolomeu Dias tivesse fracassado na travessia do Cabo da Boa Esperança, se Colombo tivesse naufragado em sua viagem, se o Kaká tivesse acertado o gol da Holanda, e assim por diante.
O físico britânico John Gribbin (1946-) em sua obra Tempo: o profundo mistério do Universo faz uma proposta de viagem pelos Universos, paralelos, simplesmente onírica! Ele diz que existe uma forma de viajar entre os universos e essa forma é: sonhando!
Nos sonhos visitamos mundos diferentes do nosso, alguns até mesmo absurdos. Seriam mundos criados por bifurcações tão relevantes que levariam ao afastamento drástico de nosso senso comum.
O físico Hugh Everett III (1930-1982), em 1957, apresentou uma proposta que ficou conhecida como dos “mundos múltiplos”. Para Everett todas as realidades possíveis ocorreriam em suas partes no “superespaço” e no “supertempo”. Ao realizarmos uma medição no nível quântico, estaríamos, então, “escolhendo” a possibilidade que chamamos de realidade. O ato de observar “quebra” as ligações entre as outras “realidades” e faz com que cada uma delas vá para seu lugar específico no “superespaço”. Deduzimos, então, que existe um observador para cada alternativa de realidade, portanto todas as alternativas ocorrem em algum lugar do “superespaço”.
Em termos coloquiais, o que Everett propôs foi a existência de inúmeros universos que apresentam diferentes estados físicos. É a possibilidade da existência de inúmeros universos, nos quais todas as probabilidades se concretizam. O conjunto de todos esses universos forma o conhecido Multiverso. Os universos seriam como “bolhas de sabão”. Alguns deles podem ser ligados por buracos de minhocas, aquelas passagens bizarras que nos levam através do tempo e do espaço direto para o “país das maravilhas”.
Isso significa que se uma dada equação tem três soluções, as três ocorrerão, como realidade, em três universos diferentes. A hipótese de Everett tem implicações além do nível quântico: se uma ação tem mais de um resultado possível, o universo “se quebra” quando a ação é executada e todos os resultados ocorrem. No caso de um indivíduo estar em uma situação onde a morte é um dos possíveis desfechos, então, em um universo ele está morto e em outro se encontra vivo.
Daí, em algum lugar, estão vivos Hitler, Ghandi, John Lennon, Airton Sena e os suicidas...