Em uma data anterior à memória da Humanidade, surgiram, com
o passar do tempo, as condições necessárias para o estabelecimento da vida na
Terra. Cursos d'água criaram esculturas, suspensões e daí apareceram os
vegetais que se renovando a cada outono nos deram o oxigênio necessário para
que os animais chegassem, deixassem os mares e mudassem a História do planeta.
Agora, com o Mundo pronto pode surgir o Homem!
Faz parte da construção
do futuro pensar sobre ele. E aí a ficção científica entrou em nossas vidas. As
dúvidas, os temores de habitar um Universo sem companhia, levou-nos a criar
histórias. Em 400 aC, Luciano de Samosata nossa primeira aventura no espaço: Vera
História. Nesta obra aparecia uma quase atávica característica: a pulsão de
abandonar a realidade e partir para o espaço em busca de um asilo que o
silencio, a serenidade e a escuridão do espaço acenam com a promessa de
existir.
Mais tarde, no século XVII, Cyrano de Bergerac chegou à Lua
com a ajuda de um cinto com frascos de orvalho. Não importa os meios, o Homem sempre
tenta deixar seu berço e partir em busca de companhia. Quando a noite chega,
nos coloca diante da paz que a visão de um céu estrelado pode proporcionar – entramos
em sintonia com o Universo. Precisamos da noite que se aproxima, possuída por
um hálito de melancolia e mistério. Pouco a pouco a penumbra ganha terreno
dentro da luminosidade do dia e as primeiras estrelas começam a ocupar o seu
monótono lugar. O céu toma conta de nossos olhos, preenchendo-os com uma beleza
que somente a saudade é capaz de conceber.
Uma vez, diante do
Universo, podemos perguntar-lhe nossas dúvidas mais profundas, mais sinceras,
podemos nos mostrar a ele, sem temores, até mesmo o de sermos reconhecidos. Ele
nos enxerga com os olhos perenes de quem já estava aqui quando chegamos.
Um salto no tempo, mas ainda em nosso passado. Estamos em um
dia muito especial na História, estamos na madrugada de 12 de abril de 1961. O
local: União Soviética. Está muito frio. Um jovem de 27 anos prepara-se para
viajar. Seu nome: luri Gagarin. Sua importância: fora escolhido pelos deuses
para ser o primeiro homem a visitá-los em sua morada eterna, o céu. Do alto de um
foguete de 40 metros, esperamos, juntamente com Gagarin, que a cápsula chegue à
altura de 17.000 metros. Olhemos pela janela! Lá se encontra a Terra! Tão bela,
tão tranquila. Alheia a quase tudo o que o homem lhe faz. Gagarin diz: “Vejo a
Terra, ela é azul!” Lá de cima, o mais leve dos homens, voou bem alto, desafiou o
Sol e o céu e suas asas não se derreteram. O homem saiu do berço!
Nosso caminho se estende mais um pouco. Ficamos diante da mais poderosa máquina
que o Homem já construiu, o foguete norte americano Saturno V. Com um peso de
três mil toneladas e 110 metros de altura, ele é capaz de desenvolver força capaz
de levar três astronautas a uma viagem de 800 mil quilômetros de ida e volta à
Lua, durante 7 dias. Após 5 minutos de voo a Apollo 11 já está com uma
velocidade de 41 mil quilômetros por hora, escapando, então da atração
gravitacional do planeta. Mais 7 minutos e a nave já está em orbita terrestre,
preparando-se para o seu lançamento em direção a Lua. Em 99 horas e 42 minutos, os astronautas iniciam
o processo para descer em solo lunar. A descida de 455 quilômetros, dura 12 minutos.
Uma hora e 56 minutos depois do Modulo Lunar encontrar a superfície da Lua, o pé
de Neil Armstrong deixa a primeira marca humana em nosso satélite. O Modulo
Lunar pousou na Lua no dia 20 de julho de 1969, por uma ironia, era aniversário
de Santos Dumont! Já faz muito tempo que o Homem instalou uma base lunar
a sudoeste do Mar das Crises e ao norte do Mar da Fecundidade.
A imensidão do espaço
vai sendo diluída pela proximidade do nascer do dia. O Sol vai iluminando a
escuridão trazendo, mais uma vez, sua luz e seu calor para os homens. A
Humanidade cresce, rejubila-se com a vida marcando a Terra com sua presença, o
espaço com suas viagens e o Universo com seus anseios...
O amanhecer nos recorda o tempo em que houve o primeiro amanhecer
da Terra, quando o ar se tornou respirável e o solo cultivável. Foi quando o
palco ficou pronto enquanto os atores esperavam em algum lugar o momento certo
de entrar em cena...
A trilha do Homem, no saber ainda está no início. Houve um
dia em que nada havia além de um dado gás. As estrelas ainda não
habitavam o conhecido. Era uma época em que não havia, nem sob a forma de
esperança, a existência do Homem. Era uma época, de tão remota,
impossível de ser definida, porque preexistiu a existência das palavras. Como
as coisas mudaram é um vasto mistério. Alguns acham que um dia, cansado de uma
solidão infinita, um ser divino e habitante do Nada, gritou ao vácuo:
– Fiat Lux.
E a luz foi feita...