sexta-feira, 19 de julho de 2019


Em uma data anterior à memória da Humanidade, surgiram, com o passar do tempo, as condições necessárias para o estabelecimento da vida na Terra. Cursos d'água criaram esculturas, suspensões e daí apareceram os vegetais que se renovando a cada outono nos deram o oxigênio necessário para que os animais chegassem, deixassem os mares e mudassem a História do planeta. Agora, com o Mundo pronto pode surgir o Homem!
Faz parte da construção do futuro pensar sobre ele. E aí a ficção científica entrou em nossas vidas. As dúvidas, os temores de habitar um Universo sem companhia, levou-nos a criar histórias. Em 400 aC, Luciano de Samosata nossa primeira aventura no espaço: Vera História. Nesta obra aparecia uma quase atávica característica: a pulsão de abandonar a realidade e partir para o espaço em busca de um asilo que o silencio, a serenidade e a escuridão do espaço acenam com a promessa de existir.
Mais tarde, no século XVII, Cyrano de Bergerac chegou à Lua com a ajuda de um cinto com frascos de orvalho. Não importa os meios, o Homem sempre tenta deixar seu berço e partir em busca de companhia. Quando a noite chega, nos coloca diante da paz que a visão de um céu estrelado pode proporcionar – entramos em sintonia com o Universo. Precisamos da noite que se aproxima, possuída por um hálito de melancolia e mistério. Pouco a pouco a penumbra ganha terreno dentro da luminosidade do dia e as primeiras estrelas começam a ocupar o seu monótono lugar. O céu toma conta de nossos olhos, preenchendo-os com uma beleza que somente a saudade é capaz de conceber.
Uma vez, diante do Universo, podemos perguntar-lhe nossas dúvidas mais profundas, mais sinceras, podemos nos mostrar a ele, sem temores, até mesmo o de sermos reconhecidos. Ele nos enxerga com os olhos perenes de quem já estava aqui quando chegamos.
Um salto no tempo, mas ainda em nosso passado. Estamos em um dia muito especial na História, estamos na madrugada de 12 de abril de 1961. O local: União Soviética. Está muito frio. Um jovem de 27 anos prepara-se para viajar. Seu nome: luri Gagarin. Sua importância: fora escolhido pelos deuses para ser o primeiro homem a visitá-los em sua morada eterna, o céu. Do alto de um foguete de 40 metros, esperamos, juntamente com Gagarin, que a cápsula chegue à altura de 17.000 metros. Olhemos pela janela! Lá se encontra a Terra! Tão bela, tão tranquila. Alheia a quase tudo o que o homem lhe faz. Gagarin diz: “Vejo a Terra, ela é azul!” Lá de cima, o mais leve dos homens, voou bem alto, desafiou o Sol e o céu e suas asas não se derreteram. O homem saiu do berço!
Nosso caminho se estende mais um pouco. Ficamos diante da mais poderosa máquina que o Homem já construiu, o foguete norte americano Saturno V. Com um peso de três mil toneladas e 110 metros de altura, ele é capaz de desenvolver força capaz de levar três astronautas a uma viagem de 800 mil quilômetros de ida e volta à Lua, durante 7 dias. Após 5 minutos de voo a Apollo 11 já está com uma velocidade de 41 mil quilômetros por hora, escapando, então da atração gravitacional do planeta. Mais 7 minutos e a nave já está em orbita terrestre, preparando-se para o seu lançamento em direção a Lua. Em 99 horas e 42 minutos, os astronautas iniciam o processo para descer em solo lunar. A descida de 455 quilômetros, dura 12 minutos. Uma hora e 56 minutos depois do Modulo Lunar encontrar a superfície da Lua, o pé de Neil Armstrong deixa a primeira marca humana em nosso satélite. O Modulo Lunar pousou na Lua no dia 20 de julho de 1969, por uma ironia, era aniversário de Santos Dumont! Já faz muito tempo que o Homem instalou uma base lunar a sudoeste do Mar das Crises e ao norte do Mar da Fecundidade.
A imensidão do espaço vai sendo diluída pela proximidade do nascer do dia. O Sol vai iluminando a escuridão trazendo, mais uma vez, sua luz e seu calor para os homens. A Humanidade cresce, rejubila-se com a vida marcando a Terra com sua presença, o espaço com suas viagens e o Universo com seus anseios...
O amanhecer nos recorda o tempo em que houve o primeiro amanhecer da Terra, quando o ar se tornou respirável e o solo cultivável. Foi quando o palco ficou pronto enquanto os atores esperavam em algum lugar o momento certo de entrar em cena...
A trilha do Homem, no saber ainda está no início. Houve um dia em que nada havia além de um dado gás. As estrelas ainda não habitavam o conhecido. Era uma época em que não havia, nem sob a forma de esperança, a existência do Homem. Era uma época, de tão remota, impossível de ser definida, porque preexistiu a existência das palavras. Como as coisas mudaram é um vasto mistério. Alguns acham que um dia, cansado de uma solidão infinita, um ser divino e habitante do Nada, gritou ao vácuo:
– Fiat Lux.
E a luz foi feita...

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