Na tradição oral faz-se necessário ressaltar a criatividade
das sociedades ágrafas em buscar uma solução para que as regras religiosas,
políticas, sociais, legais fossem passadas de geração para geração sem que
sofressem deformações inerentes à falta de registro escrito. O conteúdo a ser
transmitido não deveria ser modificado pelo narrador e a única forma de
“guardar” informação era na memória do povo. A solução foi simples e genial:
metrificar a narrativa. Se os conteúdos fossem metrificados, a linguagem regida
pelo ritmo poderia ser repetida de forma praticamente invariável. Assim foi
inventado o poema! Logo a seguir o ritmo das narrativas foi associado à dança e
aos instrumentos musicais. Os gregos pré-helênicos – ágrafos – chamavam essa
associação, narrativa poética, dança e instrumentos musicais, de mousike, que significa “fixar o espírito
sobre uma ideia ou sobre uma arte”.
Foi assim que nasceu a música com letra, como nós
conhecemos. Hoje assisti, novamente, 2 grandes filmes. “Cantando na chuva” e “My
fair lady”. Adoro as músicas. Adoro música, acho que é uma das mais importantes
conquistas culturais da Humanidade. A música tem poderes só delas; nos fazem
viajar no tempo e no espaço. Lembro da 1ª música que a minha mulher e eu
dividimos. Foi na festa onde nos conhecemos e, um nos braços do outro, pude
sentir, pela primeira vez que tinha achado. Essa sensação só retorna a nós
pelas lembranças e pela música. Tenho certeza que a música nos distingue, nos
ajuda a construir, nos permite criar; e, depois, nos devolve tudo por meio de
uma saudade boa! Espero que se existir vida fora da Terra, eles tenham
construído a música. Lembro de um episódio da Jornada nas Estrelas Voyager,
quando os tripulantes encontram uma sociedade bem avançada, mas que não conhecia
a música. O encanto deles ao ouvi-la foi inesquecível. Sei que a música é algo
muito especial, como sei? Os pássaros não cantam?
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