terça-feira, 12 de março de 2019

Perpetuação do passado


Na tradição oral faz-se necessário ressaltar a criatividade das sociedades ágrafas em buscar uma solução para que as regras religiosas, políticas, sociais, legais fossem passadas de geração para geração sem que sofressem deformações inerentes à falta de registro escrito. O conteúdo a ser transmitido não deveria ser modificado pelo narrador e a única forma de “guardar” informação era na memória do povo. A solução foi simples e genial: metrificar a narrativa. Se os conteúdos fossem metrificados, a linguagem regida pelo ritmo poderia ser repetida de forma praticamente invariável. Assim foi inventado o poema! Logo a seguir o ritmo das narrativas foi associado à dança e aos instrumentos musicais. Os gregos pré-helênicos – ágrafos – chamavam essa associação, narrativa poética, dança e instrumentos musicais, de mousike, que significa “fixar o espírito sobre uma ideia ou sobre uma arte”.
Foi assim que nasceu a música com letra, como nós conhecemos. Hoje assisti, novamente, 2 grandes filmes. “Cantando na chuva” e “My fair lady”. Adoro as músicas. Adoro música, acho que é uma das mais importantes conquistas culturais da Humanidade. A música tem poderes só delas; nos fazem viajar no tempo e no espaço. Lembro da 1ª música que a minha mulher e eu dividimos. Foi na festa onde nos conhecemos e, um nos braços do outro, pude sentir, pela primeira vez que tinha achado. Essa sensação só retorna a nós pelas lembranças e pela música. Tenho certeza que a música nos distingue, nos ajuda a construir, nos permite criar; e, depois, nos devolve tudo por meio de uma saudade boa! Espero que se existir vida fora da Terra, eles tenham construído a música. Lembro de um episódio da Jornada nas Estrelas Voyager, quando os tripulantes encontram uma sociedade bem avançada, mas que não conhecia a música. O encanto deles ao ouvi-la foi inesquecível. Sei que a música é algo muito especial, como sei? Os pássaros não cantam?

Nenhum comentário:

Postar um comentário