terça-feira, 12 de março de 2019

O Universo somos nós


A História da Astronomia confunde-se com a história do desenvolver do intelecto humano. Enquanto o homem primitivo temia e observava o céu estrelado estava se iniciando uma das mais antigas preocupações científicas: o que seriam aquelas intrigantes luzes que vagavam por cima de suas cabeças? Praticamente todos os povos notaram que algumas luzes se deslocavam em relação ao fundo de céu. A postura deles diante desse fato é que se tornou peculiar. Alguns deram, a eles, o status de deuses e outros não passaram da constatação do fato, foi quando surgiram as diferenças entre religião e ciência. Nunca saberemos qual foi o momento em que algum homo (já sapiens?) fez a pergunta fundamental: “O que são aquelas luzes?”
Provavelmente não teria sido possível fazer a pergunta no sentido lato, pois, é provável, que esse dia tenha precedido a existência das palavras. A pergunta era, em essência, a manifestação primeva da vontade de saber – o anátema dos seres inteligentes –, mas, em potência, estava fundada a ciência.
As noites, duradoras e perigosas, eram expulsas pelas auroras a um intervalo de tempo regular. As estrelas “apagavam” e surgia uma grande bola de luz que, evidentemente, era também fonte de calor. Passeando entre as estrelas, vinha a Lua que se metamorfoseava em diversos “rostos” seguida por um séquito de pequeninas luzes que dançavam em seu caminho. Com certeza as estrelas testemunharam o surgimento do Homo e de seus processos cognitivos.
Muito tempo passou desde a primeira manifestação de curiosidade, tempo o suficiente para que o homem aprendesse que as estrelas não são fixas e que as pequenas luzes não são deuses. Tempo o suficiente para que a espécie sentisse saudade do tempo que éramos estrelas. Hoje sabemos que de lá viemos, por isso seu chamado é tão forte. Carregamos em nosso âmago a imensa nostalgia do Big Bang, a eterna presença de um ausente. Cada peça existente no Universo seja estrela, planeta, homem, planta ou átomo, traz, em si, a mesma essência. Somos, em essência, a Grande Explosão e em potência... o Universo!

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