Quando eu era aluno do antigo ginásio no Colégio Pedro II no
Rio de Janeiro estudava latim – acho que o Pedro II era o único colégio que
mantinha o latim em sua grade de ensino. O ano era 1966. O tempo passou e a
memória conservou a imagem ilustrativa de um capítulo do livro na qual havia
uma raposa olhando de perto uma máscara de tragédia – a personam tragicam.
A raposa se deslumbra com a beleza da máscara, fala com ela
e não recebe resposta, então a pega e percebe: “Ò quanta beleza, mas não tem
cérebro”.
É o anátema da aparência sem conteúdo. Muitas pessoas,
objetos, fatos e interpretações têm somente aparência, uma pequena, mas eficaz
análise mostra-nos que seus conteúdos são frívolos.
A Astronomia passou por sua fase de personam tragicam quando os homens admiravam o céu, deslumbravam-se
com os eclipses, temiam os cometas e achavam que seus conteúdos eram divinos.
Cada astro no céu já foi um deus e as manifestações meteorológicas eram ações
daqueles deuses. Pouco a pouco os homens foram organizando o conhecimento,
aprendendo a retirar um deus e a colocar uma informação em cada ponto do céu,
assim o Mundo tornou-se uma personam
tragicam diferente de todas, pois agora mostrava toda sua beleza e possuía
conteúdo, o observador se imiscuiu com o observado – humanizou o Mundo e
universalizou o homem.
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