sexta-feira, 8 de março de 2019

Momento de decisões

Entendo que a Humanidade se encontra em uma encruzilhada. A leitura da História não nos permite sermos muito otimistas em relação à evolução das sociedades. Nosso caminho, nossa trajetória no tempo mostrou, sem sombra de dúvida, que somos uma espécie bizarra. Somos capazes de doar um rim para uma pessoa e somos capazes de arrancá-lo de outra. Aquela professora (Helley de Abreu Silva Batista) que morreu salvando crianças no incêndio da creche em Minas Gerais não é sequer citada por feministas, por ativistas, por grupos de direitos humanos e nem por nós mesmos! Até a Escola de Samba que desfilou em nome dos heróis anônimos não se lembrou dela! A pedestre que participou do salvamento do motorista do caminhão atingido pelo helicóptero que vitimou o Boechat e seu piloto, lembram dela? Abrindo caminho com as próprias mãos. Chama-se Leiliane Rafael da Silva. Saiu na avenida? Não. Essas não têm espaço. Assim é a vida que construímos, nos falta empatia. Ou talvez não falte empatia, o que falta é um alvo certo para ela. A empatia é definida como sendo a capacidade para “sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. Nos dias atuais mudamos de alvo, não mais nos identificamos com as pessoas, mas, antes de tudo, com os personagens das pessoas. É o culto à Personam tragicam. Assim, ao invés de nos colocarmos no lugar de alguém, buscamos o LUGAR desse alguém. Sentimos pela Beyoncé, pelo Neymar, pela Anita e outros tantos, mas não temos “tempo” para as dores do mundo que está a nossa volta. Havia, na Grécia Antiga um deus que era um menino. Travesso e inocente, jamais cresceu – afinal o ‘lógos’ é incompatível com o amor! Eros (o deus) significava a pulsão do Amor, força que impele a existência a tornar-se ação. E aqui repousa uma importante característica do amor, ele necessita um contato com o Outro, o que pode provocar choques e comoções. O amor objetiva o indivíduo, a empatia objetiva o coletivo. Sinto que o Mundo está perdendo os dois!
Aqui preciso lançar mão de uma palavra da língua alemã: Weltschmerz, que significa: cansaço do mundo. Que pena

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