Acabei de assistir ao primeiro episódio da 3ª temporada da
série inglesa “Victoria”, que conta a vida da rainha Vitória. Série muito boa,
inicia esse episódio em 1848, na França, mostrando a saída do rei Luis Felipe
que abdicou diante da revolta popular que se estabeleceu naquele país. Voltei a
pensar sobre as monarquias. Voltei a sentir um profundo desprezo por esse
regime de governo. Voltei a acreditar que nunca nos livramos da essência da
monarquia mesmo em regimes republicanos ou ditatoriais. Parece que os humanos
são “chegados” a criar elites, sejam pela genética (argh!) seja pela urna, seja
pelos rifles. Podemos perceber que os “nobres” existem em qualquer regime e,
mais bizarro, os povos parecem aceitar que existem indivíduos que merecem
tratamentos desiguais. Não é o brasileiro que tem complexo de vira-lata, mas a
humanidade é que se acha vira-lata. Um lacaio “sabe” que seu amo é superior; um
súdito “sabe” que seu soberano é superior; um empregado “sabe” que seu patrão é
superior; um eleitor “sabe” que seu político é superior. Mas não os esquimós.
Esse povo não tem tribos ou chefes, suas leis são consuetudinárias,
sua estrutura social baseia-se na família. Cada um sabe seu papel. Não há elite
entre eles. Na minha ignorância, esse é o único povo (contemporâneo) que tem
tal estrutura social. Consequência? Os esquimós, apesar de viverem em terras ao
norte do Alasca, do Canadá e na Groelândia, não são cidadãos dessas nações, são
independentes. Não têm cultos nem orações. E aí? São extremamente pacíficos.
Não lutam por terra, por poder, por riqueza ou por deuses. É, no meu entender,
o mais puro exemplo do anarquismo – um povo sem governo. Não sou inocente o
suficiente para acreditar que os países poderiam assumir essa forma de
não-governo; os tamanhos das “tribos” são fundamentais para retirar dos
indivíduos, o direito à liberdade. Somente temos “liberdade para”. Para ir e
vir, os cubanos não. Para nos alimentar, os venezuelanos não. Para pensar, os
soviéticos não tinham. Para xingar o presidente, os norte coreanos não. E assim
vai. Podemos ser judeus, cristãos ou maometanos, desde que bem longe uns dos
outros. A História está à disposição de quem quiser contestar essa minha última
frase! Somente os ateus foram perseguidos por todos e não perseguiram ninguém.
Alguém aí já ouviu falar em guerra ateia? Mas guerra santa já!
Uma imagem que pode ser
simplista, mas é forte: pensem na revolução industrial que houve na Inglaterra
e se espalhou pelo Mundo. Os empresários, ricos e produtivos, que emergiram
dela eram plebeus, uma vez que a única coisa que os nobres sabem fazer dentro
de sua infinita inutilidade, é herdeiros infinitamente inúteis.
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