O ódio e o amor são primos. Primos-irmãos. São inteiramente
irracionais, posto que paixões. Somando-se essa “crença” a uma outra, a de que
a evolução só nos legou dois sentimentos: prazer e medo; sou levado a concluir
que precisamos usar mais nosso poder discricionário para elaborarmos nossas
convicções. Vejam um parlamento. Em qualquer país. Os membros da situação
concordam com tudo o que o Presidente (ou Primeiro Ministro) faz, ou diz, e a
oposição discorda de tudo com a mesma veemência. Não é só por interesse ou por
corrupção; é da natureza da espécie. Os que não apoiam têm medo de tudo dar
certo e eles perderem suas posições, os que apoiam têm o mesmo medo, só que com
o sinal contrário! O prazer passa pela “gestão” de nossas mentes. Amamos, por
prazer; roubamos por prazer; fazemos caridade por prazer; buscamos poder por
prazer; escolhemos nossas profissões por prazer; até odiamos por prazer. Nossas
escolhas estão intrinsecamente atreladas à nossa parte irracional (ou
inconsciente). Em Israel não é ilegal tocar músicas de Wagner, mas são evitadas
por terem ficado associadas ao holocausto, por ter sido o compositor favorito
de Hitler. Ok. Faz sentido se introduzimos, nessa equação, a variável medo. Eu
que nem era nascido na Segunda Guerra, sinto um frio na espinha quando vejo ou
leio sobre os campos de concentração, imagine os povos que sofreram com ele!
Mas! Wagner morreu em 1883. Hitler nasceu em 1889. Nunca dividiram o planeta.
Não se conheceram. E se descobrirem que o Hitler gostava de bombom de cereja, o
que a Cacau Show fará? Esse é o ponto. Não desligar os filtros para não perder
a chance de pensar. Se odiarmos tudo que uma determinada pessoa gostar,
estaremos dando a ela o poder de determinar nossas ações e nossas falas. A
recíproca é “verdaderíssima”. Então, quando o Presidente disser alguma coisa,
entendo, que devemos usar nossos filtros (éticos, políticos, educacionais, de
sabedoria) para “decidir” se concorda ou não. Não concordo com quase nada que o
Presidente fala, mas concordo com a maioria das ações já feitas no país. Não é
porque votei em alguém que devo vassalagem a ele; só a meus princípios. Discordar
a priori é tão primevo quanto concordar a priori, pois nos levam à
irracionalidade e à desconstrução de nosso Ego. Abrimos mão de sermos nós. Abrimos
mão do “sapiens” do nosso “Homo”.
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