quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Terras que vi, musas que não ouvi

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Manuel Bandeira



Vamos ver terras de nossa terra. Este é um chamado, um clamor que devemos ouvir com os ouvidos da alma, seja o que for uma alma...
Extrapolando o próprio conceito de terra, transformemo-la em Terra. Andemos por outras Terras, outros Mundos. O caminho está aberto, esperando por cavaleiros modernos, com as novas armaduras com elmos também reluzentes, que caminham no silêncio do espaço, sob o brilho de um Sol que não se põe, acompanhados da maior de todas as solidões, vivenciando o anátema – ou não – de encontrar-se consigo mesmo.

Lá vai o homem, tal qual um anjo moderno, girando e girando ao redor de nosso berço, olhando para ele de uma forma que poucos o fizeram. Agora, após aquele grito primevo, podemos saber e ter a certeza que ele é azul!

Nossa casa é azul... Nosso céu é azul... Abaixo de nosso domo azul, os homens não encontram a paz. Pena que a paz não seja azul...

Paradoxos permeiam as civilizações. “Como é linda a humanidade! Ò admirável mundo novo”, escreveu Shakespeare. Seria excesso de otimismo ou simplesmente esperança?

Se vencer milhões de homens em uma batalha é inútil, sendo a maior das vitórias vencer-se a si mesmo, conforme ensinou Buda, devemos lutar para vencermo-nos, pois, quando o conseguirmos, teremos vencido bilhões, e aí a inutilidade da batalha transmutar-se-á em vitó-ria. Na vitória de todos que estão abaixo de um céu azul, vivendo em um mundo azul.

À esperança – ou otimismo – do bardo somaremos ensinamentos esquecidos e chegare-mos lá. Onde? Nas terras de minha terra que vi...

Partamos, pois. Vamos em direção aos céus, acompanhados ou não, solitários se for pre-ciso, mas partamos! O silêncio espera para abraçar-nos e para ser abraçado. Que se vá o pequeno mensageiro e ancore, se puder, em algum porto do espaço.

Esta jornada aqui proposta deve ser feita em direção a nós mesmos. A alegoria do espaço é o espaço da mente, e, dentro dela, por ela, é que devemos – e podemos – viajar. O homem vem tentando executar essa viagem há milênios. Sentiu-se incapaz de fazê-la solitariamente e precisou criar entidades que o inspirassem a fazê-la.

Assim nasceram as Musas.

Companheiras abstratas dos homens, estavam sempre a dançar, nos sonhos dos justos, inspirando-os a seguir sempre em frente, ou para cima.

Os homens detêm características que são bastante peculiares, entre elas a de não confiar no que podem gerar, no que podem compreender e no que não podem.

Seres capazes de objetivar os contrários, os homens são levados a crer que tudo o que fa-zem tem causas fora deles mesmos. É aí que proliferam as Musas, oriundas da mitologia gre-ga.

Somente a certeza de que não somos criaturas nos levaria a confiar em nós mesmos. Mas aí não seria tão belo. Não teríamos a visão de Apolo dançando, na floresta, cercado de nove belas Musas.

Hoje sabemos que podemos pensar e nos inspirar sem que uma Musa entre em nossos so-nhos para agir diretamente em nosso espírito. O que faltou aos gregos foi criar uma décima Musa, aquela que teria de ser a mais poderosa e laboriosa: a Musa da Paz.

Que inspiração seria para os homens!

Não será exatamente por isso que ela foi “impedida” de nascer?

Mas como o que “ficou marcado foram terras que inventei”..., permitam que eu invente uma Terra na qual Ela existe. E, com certeza, será... azul.



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