Sempre fui muito curioso, lia diversos temas, certa vez,
saindo da adolescência, ganhei de uma querida e saudosa tia uma obra em 3
volumes do médico alemão Fritz Khan, chamava-se “O livro da Natureza”.
Deparei-me com um trecho que muito me intrigou e me acompanha até hoje. Era
esse o trecho: “Podemos dizer dia porque a noite existe, vida porque conhecemos
a morte, silêncio porque há ruído. Não é possível representarmos o espaço, porque
não podemos imaginar o contrário do espaço, o não-espaço. Estamos, como diz
Einstein, tão profundamente mergulhados no espaço, como um peixe nas águas do
oceano. Como esse jamais chegará ao conhecimento de que se encontra no oceano,
assim o homem jamais saberá o que seja o espaço. Teria que vir um pescador que
nos tirasse para fora dele, virá um, mas, então, será tarde demais”. Essa
constatação me deu a perspectiva de nossas limitações neurais. Não temos acesso
ao absoluto, somente ao relativo. Sem um “oposto” não entendemos nada do que
ocorre no Universo. “Precisamos” da saudade para sermos felizes, “precisamos”
das lágrimas para entender os sorrisos. Isso é limitante, mas, paradoxalmente,
nos abre uma possibilidade de percepção sem limites. Agora sei que o Universo
“esconde” coisas que jamais saberemos e jamais saberemos por causa de nossas
deficiências neurais. Quem sabe se a evolução, um dia, nos permitirá ter acesso
aos “monopolos” universais? Enquanto isso precisamos conviver com o fato
(Humano, demasiadamente humano, me permita Nietzsche) de que para conhecermos a
paz precisamos da guerra. De tudo isso podemos apreender que é necessária a
existência dos contrários, mas devemos transcender esse limite, fazendo com que
os contrários deletérios passem a existir como conceitos e não mais como fatos.
Acredito que possamos, um dia, viver em paz em contraponto ao “conceito” de
viver em guerra. A guerra não precisa existir... é só não nos esquecermos dela. Então, poderemos
prescindir do pescador!
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