quinta-feira, 18 de junho de 2020


Hoje é um dia do ano 6700 a.C.. Estamos no Neolítico quando os homens aprenderam a fazer machados e outras ferramentas. Era o que conhecemos como período da pedra polida. É marcado pelo surgimento da agricultura e, em seu fim, pelo surgimento da escrita,  nos tirando da pré-história para ingressarmos na História. Estamos na região da Anatólia (hoje na Turquia), mais precisamente em um assentamento chamado Çatalhüyük. As casas eram de tijolo cru. Não existiam ruas, portas ou janelas. Os moradores se deslocavam pelos tetos que tinham aberturas (possivelmente com escadas de madeira) por onde os moradores entravam. Já faziam cerâmica. As casas tinham fogões e lugares para dormir. As casas eram todas iguais!
São as primeiras casas dos homens, que puderam abandonar as cavernas (após utilizá-las por 100 mil anos) por causa da agricultura e da domesticação dos animais. Foram essas “descobertas” que permitiram o assentamento dos grupos humanos em regiões a céu aberto. As casas (cavernas artificiais) eram cercadas por plantações, a coleta e a catação deram lugar à colheita e a caça, à criação. Estima-se que lá viveram cerca de 7.000 pessoas. Totalmente iguais. Todos comiam a mesma comida, a mesma carne. Não haviam líderes (pelo menos explícitos), não haviam sacerdotes (há indício de um culto à seres sobrenaturais em cada casa, não há indícios de uma “gerência” das crenças, todas as casas tinham pinturas de seres e formas de culto).
Há registros de que o pessoal, das proto-cidades, trocava seus excedentes com as vizinhas, criando o embrião do comércio. Os arqueólogos encontraram sinais de que, em plantavam muito feijão e guardavam uma pedra, a obsidiana, que é uma rocha ígnea constituída quase integralmente por vidro vulcânico. É vermelha, bem escura, brilhante e bonita! Talvez a primeira “pedra preciosa”. Talvez seu ajuntamento tenha sido motivo de inveja, talvez sua posse tenha sido cobiçada... Talvez os homens tenham descoberto o caminho das sociedade como a conhecemos.
Especulo, daqui para frente. Acho que o aumento das áreas plantadas, o aumento dos excedentes incrementando o comércio, o aumento da acumulação de pedras sem valor intrínseco, mas apenas valor agregado pelas mentes humanas, tenham criado a necessidade de gestores, de pessoas que tinham mais pedras, mais feijões que a diferença tenha sido introduzida na igualdade. Então, surgem as elites, indivíduos que quase nunca produzem, mas se arvoram em donos da produção.
Toda moeda tem dois lados, não tem como fugir dessa realidade concreta ou metafórica – a agricultura que tanto nos “concedeu” nos tirou a igualdade; e, como corolário, nos tirou a equidade. Sou, assim, remetido a uma frase em ouvi em um discurso de Martin Luther King: “Um reino na Terra não pode existir sem desigualdade entre as pessoas. Alguns devem ser livres, alguns servos, alguns líderes, alguns seguidores”.
Um dia, espero, a Humanidade possa voltar às casas iguais. Será uma época na qual isolamento social terá outra conotação – a de individualidade.

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