quinta-feira, 18 de junho de 2020



Observamos o Mundo com os aparatos que a evolução nos deu – os sentidos. Os dados coletados pelos sentidos são, na realidade, “sentidos” pelo cérebro. É lá que enxergamos, ouvimos, tocamos, pensamos e concluímos. A questão é que nossos sentidos não nos apresentam a realidade física, mas uma caricatura da realidade. O problema maior é que não temos certeza da “competência” do caricaturista...
Somando-se aos problemas espaciais, temos os problemas temporais. O céu é uma coletânea de tempos diferentes. A luz que chega hoje, vinda de Alfa Centauro, a estrela mais próxima de nós, saiu de lá há 4 anos e 4 meses. Se ela explodir agora, levaremos este tempo para tomar conhecimento do fato. Ao observarmos o céu com seus tempos próprios, tornamo-nos contemporâneos do passado. Um bom exemplo do que isso significa, é observar a galáxia de Andrômeda, uma galáxia espiral, parecida com a Via Láctea. Reparem como seu núcleo é brilhante e sua borda escura. Isto por que estamos descrevendo uma Andrômeda observada por meio da luz visível. Se a víssemos com sensores de ondas de rádio, a galáxia seria o oposto. Núcleo escuro e borda clara. São imagens completamente opostas de um mesmo objeto. Como é, na realidade, a galáxia de Andrômeda? Será que é possível responder a essa pergunta? Será que um dia saberemos como é a realidade? Acho difícil. As pessoas... são “objetos” (no bom sentido), então não temos como saber como elas são! Vemos suas “caricaturas” (as máscaras), ouvimos suas versões e concluímos se gostamos ou não delas. Seja qual for o “veredito” lembro do Carl Sagan: “Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro”. Muito propício para os dias de hoje!

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