Observamos o Mundo com os aparatos que a evolução nos deu –
os sentidos. Os dados coletados pelos sentidos são, na realidade, “sentidos”
pelo cérebro. É lá que enxergamos, ouvimos, tocamos, pensamos e concluímos. A
questão é que nossos sentidos não nos apresentam a realidade física, mas uma
caricatura da realidade. O problema maior é que não temos certeza da
“competência” do caricaturista...
Somando-se aos problemas espaciais, temos os problemas
temporais. O céu é uma coletânea de tempos diferentes. A luz que chega hoje,
vinda de Alfa Centauro, a estrela mais próxima de nós, saiu de lá há 4 anos e 4
meses. Se ela explodir agora, levaremos este tempo para tomar conhecimento do
fato. Ao observarmos o céu com seus tempos próprios, tornamo-nos contemporâneos
do passado. Um bom exemplo do que isso significa, é observar a galáxia de
Andrômeda, uma galáxia espiral, parecida com a Via Láctea. Reparem como seu
núcleo é brilhante e sua borda escura. Isto por que estamos descrevendo uma
Andrômeda observada por meio da luz visível. Se a víssemos com sensores de
ondas de rádio, a galáxia seria o oposto. Núcleo escuro e borda clara. São
imagens completamente opostas de um mesmo objeto. Como é, na realidade, a
galáxia de Andrômeda? Será que é possível responder a essa pergunta?
Será que um dia saberemos como é a realidade? Acho difícil. As
pessoas... são “objetos” (no bom sentido), então não temos como saber como elas
são! Vemos suas “caricaturas” (as máscaras), ouvimos suas versões e concluímos
se gostamos ou não delas. Seja qual for o “veredito” lembro do Carl Sagan: “Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica,
precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias,
você não vai achar outro”. Muito propício para os dias de hoje!


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