quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nós e a vida

Uma voz, vinda de um passado já remoto, nos conta que um dia os homens e mulheres formavam um único ser – a Terra era habitada por seres hermafroditas. Um dia, Zeus – deus todo poderoso e masculino – separou aquele ser integrado em duas partes desiguais; o Homem e a Mulher. Desde então não houve mais uma satisfação completa e cada uma das partes saiu em busca do que lhe faltava.
Segundo Platão, portador deste mito, o amor nada mais é do que a nostalgia, sentida por aquelas partes, da época em que eram um único ser.

Esse mito motiva a busca daquela integração. Somando-se à busca da companhia que reintegra, buscamos também outros tipos de realizações, entre elas a de podermos nos integrar perfeitamente ao mundo que habitamos. É esta busca que serve de motivação para a própria vida. Tal um mecanismo de retroalimentação, a vida pode encontrar, nela própria, os motivos para existir.

Gerada ao acaso ou não, o que mais importa é que se tornou um meio travestido teleologicamente de objetivo. É um paradoxo que se manifesta na vida porque é vida. Não há compromissos com o concreto, com o consciente e nem mesmo com qualquer... compromisso.

É paradoxal, mas somos seres vivos que não sabemos o que seja a vida, ou, então, temos tantas versões sobre ela que não somos capazes de construir uma idéia clara sobre este fenômeno. A certeza que temos é a de que você, leitor, e eu compartilhamos a vida e nos comunicamos.

São muitas as dúvidas e certezas. Mas temos tempo. Somos parte da Vida que hoje se esforça por encontrar aquele tempo onde era apenas futuro, somos a vida que procura entender por que está aqui, pisando este solo, voando este ar, nadando esta água.

Buscamos as respostas para estas perguntas com a força encontrada na saudade; saudade de um futuro ainda a ser vivido. Não importa se buscamos as respostas por meio da Ciência ou da Filosofia. O objetivo é o mesmo: responder perguntas sem respostas.

Do alto do Olimpo os deuses observam sua criação, observam os titãs que criaram. que ainda não são homens, mas um dia serão. Serão os adultos vindos daqueles seres – incompletos – que ajudaram a criar. Serão adultos cheios de crianças dentro de si. Crianças sem nenhuma pressa de crescer.

Quando pudermos ter certeza de nossa prisão, quando pudermos novamente olhar dentro dos olhos dos deuses do Olimpo, eles nos verão de uma outra forma, não mais como titãs mas como deuses seus irmãos.

O reencontro com a parte que nos falta é a fonte do grande poder dos homens. Quando as partes se juntam, a forma divina se refaz, a nostalgia é a aplacada, e aí, somente neste momento, retomamos a nossa condição divina e podemos criar...

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