sexta-feira, 9 de julho de 2010

A sombra de Tanatos

Será que a cor branca é a cor mais indicada para representar a Paz? Certamente não. O branco apenas é a cor dos homens que a escolheram para tal fim. A cor mais indicada seria o preto. O preto que usamos para representar o luto, a dor, é a cor do espaço. O negro do espaço que, democraticamente, acolhe estrelas e planetas que cumprem seu destino criteriosamente dentro de regras que não são vilipendiadas por desejos escusos de seus membros. O caminho das estrelas é o caminho da Paz. Aqueles que o trilham, o fazem em harmonia com o Cosmo.


Desde que o Universo nasceu em um longínquo e imponderável Big Bang, cada um dos elementos do Cosmo vem cumprindo o seu destino. Até que surgiu a vida e, mais tarde, a inteligência. Tudo se modificou. Tal um preço, as civilizações inteligentes passam por urna “adolescência” quando é determinado se alcança a fase adulta ou não.


A Ciência humana manipula dados e instrumentos que têm dois gumes. A energia. que destrói e mata, impulsiona nossas naves através do espaço interestelar. Os instrumentos que direcionam e rastreiam as naves espaciais que levam os olhos e ouvidos humanos até os planetas distantes, servem para direcionar e rastrear os mísseis que levam a morte e a destruição sobre as etéreas fronteiras que separam os homens e seus direitos.


A vida provavelmente é um evento corriqueiro no Universo. Mas as condições de cada um dos planetas são tão singulares que é uma certeza o fato de que jamais encontraremos homens em nenhum outro lugar. Os caminhos da evolução são muito próprios e cheios de atalhos e idiossincrasias para que possamos esperar que ocorram em um outro planeta, as mesmas etapas que se passaram na Terra. Como escreveu, certa vez, o astrônomo norte americano Carl Sagan: “Se um ser humano discordar de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, não encontrará ne-nhum outro”.


O caminho evolutivo do Homem na Terra, certamente não deve ser interrompido pelos próprios homens. Parece que além de raros, somos perigosos: A aventura. do homem se iniciou há alguns milhares de anos, nas pradarias terrestres e deve continuar nos mais distantes recônditos do espaço interestelar.


Muitas críticas são feitas aos programas espaciais, como sendo algo desnecessário diante da fome mundial. Este é um fato concreto – há fome no planeta. Será que a “culpa” é da pesquisa espacial?


Um programa de exploração, não tripulada, dos planetas não é muito caro, devemos nos lembrar que um programa deste tipo demora, às vezes, alguns anos. Os Estados Unidos gastaram nas Ciências Espaciais, desde que a NASA foi fundada., em 1959, até o final do ano de 1980, o equivalente a três submarinos nucleares ou o que é gasto em único ano para montar-se um sistema nuclear de defesa!


Gastou-se menos nos programas espaciais dos Estados Unidos e da União Soviética, juntos do que os americanos gastaram no bombardeio ao Camboja. O custo total da missão Vicking, até Marte, ou das Voyager, que estão viajando para fora do Sistema Solar é inferior ao custo da invasão russa ao Afganistão. Parece que o ônus da fome não cabe à pesquisa espacial.


Soma-se a estes gastos que oneram o equilíbrio mental da espécie, o medo de um conflito nuclear. Qual é o risco concreto que paira sobre nosso futuro?


As chances de um conflito nuclear, baseado em um indício racional, são quase nulas. Porque os principais beligerantes mesmo que provocassem a guerra nos países dos outros, sofreriam as consequências. A Economia Mundial seria destroçada (mesmo sem a bomba os políticos já estão logrando êxito neste sentido). Onde as grandes potências instalariam suas industrias poluidoras? Onde conseguiriam mão-de-obra praticamente escrava? Que países sobrariam para serem “salvos” pelos guardiões – autoproclamados – da liberdade alheia, mesmo que os “salvados” não o quisessem ser? Portanto, de certa forma estamos protegidos de um combate nuclear pelo próprio cinismo dos detentores dos botões nucleares.


De forma nenhuma estamos protegidos da guerra final se levarmos em conta o “patriotismo” dos governantes. Que brincam de cowboys com o destino de todo o planeta...


Se este dia chegar, como serão as conseqüências? Da vida restará a saudade. A biosfera transformar-se-á em uma. “tanatosfera”. E o planeta? Este é maior do que os homens. A Terra continuará seu curso ao redor do Sol, somente lamentando a morte de seus parasitas. Tudo terá sido em vão. Toda. a saga humana terminará em segundos; toda a obra de milhões de anos terá encontrado seu inútil fim nas mãos de dois homens. Para o Universo, o “Dia Seguinte” será igual ao anterior. Ninguém tomará conhecimento de que algo belo e promissor deixou a existência. Nenhum violino tocará um réquiem à espécie que saiu de um presente e imergiu na eternidade do passado.


Convivemos, hoje, com uma bomba talvez maior do que a nuclear. É a bomba social, que um dia explodirá. Neste dia, as fronteiras cairão. O homem compreenderá que é exatamente igual a quem nasceu na outra margem do rio ou na praia oposta de um mesmo oceano. O planeta é habi-tado por homens, não por brasileiros ou bolivianos... No dia que reconhecermos nós mesmos no interior dos outros, ouviremos os “clics” do desarmamento dos gatilhos atômicos. Nossa ansiedade é para que os cowboys que governam o destino do Mundo, dêem tempo para que os homens se identifiquem nos companheiros e não somente quando se miram no espelho.

3 comentários:

  1. Cunhadinho,
    Fico feliz de ser a primeira (? ) a ler ou comentar no seu blog.
    Quero acreditar que nós somos absolutamente insignificantes para o Universo e que caminhos para as estrelas existem.
    Quero ainda acreditar que existe um universo paralelo onde possamos encontrar pessoas que amamos e que pensamos ter perdido.
    Sucesso no seu blog.
    Beijo no coração,
    Sonia

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  2. Quaisquer que sejam as paginas abertas à leitura e à reflexão nos deslumbramos com seus conteúdos sábios mas facilmente acessíveis Sou um daqueles apaixonados pela escura profundidade do espaço e o brilho dos corpos celestes. Quando criança, nos idos de 1945, estimulado pelos mais velhos, numa cidadezinha com menos de 1000 habitantes e sem a luminosidade artificial, caminhávamos à luz exclusivamente das estrelas. O céu tropical, sem nuvens, se abria aos meus olhos deslumbrados identificando por seus nomes populares AS 3 MARIAS, AS SETE ESTRELAS, O CRUZEIRO...
    Caro Sr Airton, meus parabéns.
    Só uma pequena sugestão de natureza gráfica. Meus olhos setentões leriam melhor com umas fontes ligeiramente maiores. Cordialmente, ARTUR 75

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  3. Queremos mais postagens, queremos mais postagens!!!

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