sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os Universos Paralelos

 

Eles existem? A resposta que podemos dar, com certeza, a essa pergunta é: sim e não!
Matematicamente, os Universos paralelos existem; fisicamente, é muito pouco provável. A Matemática “pode” mais do que a Física. A Matemática pura pode pensar e gerar o que bem entender, apenas precisa não contrariar os princípios matemáticos. A Física necessita de um respaldo na realidade que, muitas vezes, nos deixam bastante frustrados.
Os Universos paralelos seriam Universos iguais ao nosso na essência, mas diferentes na potência. Os Universos seriam “criados” cada vez que surgem possibilidades viáveis de ocorrerem. Por exemplo; Hitler sofreu cerca de 39 atentados contra sua vida, em nosso Universo, todos frustrados, mas em outros tiveram sucesso e, aí, a história... foi outra.
Mas vamos começar pelo “princípio”!
A relatividade geral ensina que o Mundo é quadrimensional, isto é, temos três dimensões de espaço e uma de tempo não mais separadas como ensinava a física clássica, mas reunidas em uma só entidade – o espaço-tempo. Uma consequência básica disso é que precisamos de quatro coordenadas para localizarmos um evento qualquer. Na prática já sabíamos disso. Quando marcamos encontro com uma pessoa (por exemplo, com a namorada ou com o namorado), precisamos dizer o endereço do ponto de encontro – são as três coordenadas espaciais – e a hora – a quarta coordenada. Não sendo assim, corremos o sério risco de chegarmos atrasados (até mesmo no dia errado!) e perdemos a chance de mudar o nosso futuro!
Estamos todos de acordo com a existência de quatro dimensões para o Universo. Agora vamos pensar grande. Todo o Universo existindo com quatro dimensões. O Mundo é quadrimensional, finito e contínuo. A finitude e a continuidade não são contraditórias como pode parecer a um primeiro exame. Imaginemos uma esfera, uma bola (aquele objeto que a Seleção Brasileira não não acerta nas horas que deve!). Ela é finita e contínua se considerarmos sua área. Uma formiga que passeie sobre a superfície da bola, jamais encontrará uma região que seja “não-bola”. Portanto, uma esfera é finita e contínua. Assim ocorre com o Universo: é esférico, finito, contínuo, quadrimensional e... fantástico.
Uma definição extremamente básica para o Universo é que ele contém tudo o que existe. Ele simplesmente é. Decorre imediatamente a pergunta: O que existe “fora” do Universo?
Simples (será mesmo?!). Fora do Universo existe: nada!!!! Mas não é um nada simples, é um nada com mesma força do tudo. É nada mesmo. Se o Universo contém tudo, contém matéria energia, espaço e tempo, o que sobra para o nada? Nada! É a ausência completa de matéria, de energia, de espaço e de tempo!!!
Não devemos confundir com vácuo, que é um nada mais “mixuruca”, pois o vácuo é “apenas” a ausência de matéria. O Nada que existe “fora” do Universo tem a incrivelmente bela característica de não ter característica! Não podemos atribuir qualidades ao Nada porque precisamos de referências para dar atributos a qualquer entidade concreta ou abstrata.
O Nada não é claro nem escuro, nem frio nem quente, nem bonito nem feio: não é nada!
Somente podemos dizer sobre ele que é... descontínuo!
Sim, o Nada é descontínuo. Como é possível? Vamos fazer um exercício de imaginação. Lembremos da nossa formiga que passeava na bola da qual já falamos. Ela não encontra nenhuma região que seja “não-bola”, certo? Agora vamos fazer um esforço de imaginação para retratarmos o Nada. Um imenso nada. Vamos pôr nossa formiga lá. Ela vem “passeando” pelo Nada e não encontra nada... até dar “de cara” com o Universo!!! Somos a descontinuidade do Nada! Que glória maior podemos imaginar?
Matematicamente falando, o nosso Universo seria um entre tantos outros possíveis, “criado” pelas possibilidades que as bifurcações geradas pelas dúvidas geram. As diferenças que decorrem desse novo rumo da história podem ser tão significativas que os Mundos vão ficando tão diferentes que poderia ocorrer uma impossibilidade de reconhecermos um Universo paralelo caso o visitássemos. Como, por exemplo, um mundo no qual os dinossauros não tenham sido extintos, se Bartolomeu Dias tivesse fracassado na travessia do Cabo da Boa Esperança, se Colombo tivesse naufragado em sua viagem, se o Kaká tivesse acertado o gol da Holanda, e assim por diante.
O físico britânico John Gribbin (1946-) em sua obra Tempo: o profundo mistério do Universo faz uma proposta de viagem pelos Universos, paralelos, simplesmente onírica! Ele diz que existe uma forma de viajar entre os universos e essa forma é: sonhando!
Nos sonhos visitamos mundos diferentes do nosso, alguns até mesmo absurdos. Seriam mundos criados por bifurcações tão relevantes que levariam ao afastamento drástico de nosso senso comum.
O físico Hugh Everett III (1930-1982), em 1957, apresentou uma proposta que ficou conhecida como dos “mundos múltiplos”. Para Everett todas as realidades possíveis ocorreriam em suas partes no “superespaço” e no “supertempo”. Ao realizarmos uma medição no nível quântico, estaríamos, então, “escolhendo” a possibilidade que chamamos de realidade. O ato de observar “quebra” as ligações entre as outras “realidades” e faz com que cada uma delas vá para seu lugar específico no “superespaço”. Deduzimos, então, que existe um observador para cada alternativa de realidade, portanto todas as alternativas ocorrem em algum lugar do “superespaço”.
Em termos coloquiais, o que Everett propôs foi a existência de inúmeros universos que apresentam diferentes estados físicos. É a possibilidade da existência de inúmeros universos, nos quais todas as probabilidades se concretizam. O conjunto de todos esses universos forma o conhecido Multiverso. Os universos seriam como “bolhas de sabão”. Alguns deles podem ser ligados por buracos de minhocas, aquelas passagens bizarras que nos levam através do tempo e do espaço direto para o “país das maravilhas”.
Isso significa que se uma dada equação tem três soluções, as três ocorrerão, como realidade, em três universos diferentes. A hipótese de Everett tem implicações além do nível quântico: se uma ação tem mais de um resultado possível, o universo “se quebra” quando a ação é executada e todos os resultados ocorrem. No caso de um indivíduo estar em uma situação onde a morte é um dos possíveis desfechos, então, em um universo ele está morto e em outro se encontra vivo.
Daí, em algum lugar, estão vivos Hitler, Ghandi, John Lennon, Airton Sena e os suicidas...

3 comentários:

  1. Parabéns, Airton!

    Ótimo texto, imagens belíssimas, conteúdo instigante ;)

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  2. Que legal Tin Tin,
    Adorei! Continue escrevendo que eu vou continuar lendo.
    bjs

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  3. Sendo assim o Universo é "apenas" um lugarinho em meio a tantos lugarinhos outros, né?
    Adorei ter me deparado com seu blog. Voltarei sempre.
    :-)

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