Tenho
a firme convicção de que inúmeras características que possuímos foram
“adquiridas” nos tempos das cavernas. A transição do Homo habilis para sapiens
nos deixou heranças e capacidades para “permitir” que novos traços da
evolução fossem implementados. A grande questão é que a evolução não pensa, não
decide, não racionaliza. Esta constatação é, para mim, a melhor prova que
viemos a existir por força de um processo evolutivo e não “criados” a partir do
milho, como achavam os Maias, a partir do barro como fez o grego Epimeteu, ou a
partir da vontade de Aton como acreditavam os egípcios.
As
“decisões” da evolução são baseadas nas mutações aleatórias que coincidem em
serem boas para um indivíduo; assim, esse indivíduo se reproduzia mais, espalhava
mais seus genes e aquela característica “aprovada” pelo meio ambiente
permeava-se pelos indivíduos da comunidade.
As
batalhas talvez sejam as mais antigas atividades humanas. Por mais que saibamos
ser uma atividade atávica que a evolução não soube “limpar” de nossos instintos
fica difícil imaginar se ainda é “justa” a existência de tal instinto. Sem esse
instinto, não teríamos lutado, muitas vezes de forma insana e aparentemente sem
chances, contra predadores muito mais fortes do que nós. Mas tínhamos um grande
aliado que os predadores não tinham – a inteligência emergente.
O
homem estava em constante “guerra” nos tempos primários da evolução. A verdade
é que nós conseguimos desenvolver, pouco a pouco, uma tecnologia que nos
protegeu dos predadores, nos protegeu das dificuldades naturais, de um modo
geral. Tudo isso era necessário em uma época muito pouco propicia a manutenção
de uma espécie tão fraca como a nossa, em um mundo árido de facilidades e de
proteção. O homem existe hoje, porque nossos antepassados lutaram. E lutaram
muito. Pela comida e pelo abrigo.
A
ironia é que ainda fazemos isso: temos de lutar pela comida e pelo abrigo.
Agora, de uma forma bastante diferente na potência, mas bastante idêntica na
essência. Não são mais “dentes-de-sabre” que nos atacam, são dívidas. Toda a
comida que havia a disposição de nossos antepassados, hoje está protegida
dentro de edifícios. O solo e o subsolo do planeta, hoje, têm donos...
O
ambiente pré-histórico encontra-se gravado em nós de uma forma muito atuante e
evidente. Não existem mais os grupamentos primitivos, mas os atuais grupamentos
não-primitivos ainda agem da mesma forma. Lutamos por algo que não entendemos,
matamos por algo que não aceitamos, queimamos quem pensa diferente de nós.
A
paz ainda é um sonho, algo que pode chegar a acontecer. Não sabemos se o homem
terá tempo suficiente, na Terra, para “'vencer”' a evolução e dominar os impulsos
belicoso que existem dentro de nossas mentes, bem escondidos, o suficiente para
posarmos de civilizados!
Não
seria demais tentar fazer com que ocorra o que a Biologia não pode fazer –
livrar-nos dos instintos que não são mais necessários para a manutenção da vida
no planeta, pelo contrário, esses instintos estão prestes a destruir a vida na
Terra. Em 1976 já tínhamos estocado material nuclear suficiente para destruir a
Humanidade várias vezes. Quão insano é o grupamento que pode se destruir
algumas vezes! Só temos uma Humanidade, por que ter mais do que podemos
“gastar”?
A
vitória da razão contra os instintos é muito difícil, uma vez que esquecemos que
somos seres biológicos. Pensando a Humanidade como formada por seres puramente
sociais, o que não é verdade. Estamos sob as leis da Biologia, nossas ações são
fruto de uma “programação” antiga, gasta. Já é chegada a hora de mudarmos isso.
Aos poucos devemos mudar o Homem, para que não seja preciso juntar os escombros
da Humanidade. Tomar consciência de que cada homem tem o seu papel na História
Cósmica, é perceber que cada um de nós é diferente, sendo exatamente igual.
Uma
grande questão, ainda sem resposta, é, sobre a existência de vida fora da
Terra. Existem, na Galáxia, cerca de duzentos bilhões de estrelas e há a
possibilidade de existir vida em muitas delas, com as diferenças planetárias
são muitas, certamente, não haverá outra Terra em nenhum outro recanto da
Galáxia. Se existe vida fora da Terra, podemos concluir que só aqui existem
homens, gatos, canários e rosas. Então, “se você se encontrar com um homem,
mesmo um inimigo, não o mate, pois em duzentos bilhões de estrelas, você não
encontrará nenhum outro igual...”
Cada
um deve cumprir com a sua parte. Cada um de nós deve chamar alguém para sonhar
junto. Sonhar que não teremos ruídos de canhões nem de fuzis, sonhar que
acreditamos “nas flores vencendo os canhões”; pois “sonhar junto é realidade”.